O mercado de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS passa por mudanças importantes a partir de 2025. Instituições financeiras como Itaú Unibanco, Banco Pan, Mercantil e BMG começaram a limitar a oferta de empréstimos consignados por meio de correspondentes bancários, devido ao impacto do teto de juros estabelecido para essas operações.
Teto de juros faz bancos restringirem crédito consignado para aposentados do INSS
Bancos como Itaú Unibanco, Banco Pan, Mercantil e BMG restringem a oferta de crédito consignado do INSS devido ao teto de juros.
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O motivo das restrições no crédito consignado do INSS
A principal razão para a restrição da oferta de crédito consignado por correspondentes bancários está ligada ao teto de juros definido pelo governo. Para empréstimos pessoais, o limite é de 1,66% ao mês, e para o crédito consignado no cartão de crédito, o teto é de 2,46%. Esses valores, de acordo com as instituições bancárias, não são suficientes para cobrir os custos de captação, que ultrapassam os 14% ao ano.
De acordo com Edison João Costa, presidente da Associação Nacional dos Profissionais e Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País (ANEPS), com o aumento da taxa Selic, os custos para os bancos se tornaram mais elevados, o que afeta a viabilidade das operações. “O custo do dinheiro aumenta para os bancos, que precisam pagar mais para captar recursos. Manter a taxa do consignado inalterada pode forçar as instituições a revisar suas operações e, em alguns casos, restringir ou até reduzir a oferta desse produto”, explica Costa.
Como as restrições afetam os aposentados e pensionistas
As mudanças implementadas pelos bancos têm um impacto direto sobre os beneficiários do INSS que dependem do crédito consignado como uma solução para situações de emergência financeira. A restrição de ofertas pode dificultar o acesso a essas linhas de crédito, que são tradicionalmente mais acessíveis devido à garantia de pagamento descontado diretamente da aposentadoria ou pensão do segurado.
O Itaú, por exemplo, anunciou que suspendeu temporariamente a oferta de crédito consignado do INSS através de correspondentes, mas ainda mantém o serviço disponível diretamente em suas agências e por meio de seu aplicativo para clientes que recebem seus benefícios no banco. Outras instituições, como Banco Pan, Mercantil e BMG, seguiram a mesma linha, alegando que o modelo atual não é sustentável dentro do limite de juros imposto.
Disputa jurídica sobre o teto de juros
A decisão dos bancos de restringir a oferta de crédito consignado ocorre em meio a uma disputa jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF). A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) questiona a competência do INSS e do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) para definir o teto de juros para esses empréstimos. De acordo com a ABBC, a determinação dos limites de juros é responsabilidade do Conselho Monetário Nacional (CMN), conforme previsto na Lei 4.595/64.
A associação argumenta que a utilização da taxa Selic como referência para o teto de juros não reflete adequadamente os custos de captação de longo prazo dos bancos. Além disso, ela critica a falta de agilidade para ajustar esses limites conforme as variações na Selic, o que impacta diretamente as operações de crédito consignado.
A posição do Ministério da Previdência
Por outro lado, o Ministério da Previdência defende as regras aprovadas pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) em maio deste ano, que estabelecem os tetos de juros. O governo argumenta que essas medidas são essenciais para proteger os consumidores, especialmente os aposentados e pensionistas, que enfrentam altos níveis de endividamento.
O Ministério destaca que a mudança visa evitar abusos por parte das instituições financeiras, especialmente no contexto de vulnerabilidade econômica da população idosa.
Contudo, os bancos, que votaram contra a proposta no CNPS, se veem prejudicados pela limitação dos juros, o que pode comprometer a rentabilidade dessas operações.
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Impacto nas instituições financeiras

Atualmente, cerca de 70 instituições financeiras estão autorizadas a operar o crédito consignado do INSS, com 41 bancos oferecendo também o cartão de crédito consignado e 24 permitindo o uso do cartão de benefício. A medida de restrição de crédito por correspondentes bancários afetará diretamente a concorrência no setor, reduzindo a oferta de crédito para uma parte da população.
A redução da oferta de crédito consignado pode gerar uma diminuição no volume de operações financeiras relacionadas a esse segmento, o que pode afetar a rentabilidade dos bancos que tradicionalmente atendem a esse público. Em um cenário de juros elevados e custos de captação mais altos, as instituições financeiras buscam ajustar suas estratégias para garantir a sustentabilidade de suas operações.
O futuro do crédito consignado no Brasil
Com as novas regras e as disputas jurídicas em andamento, o futuro do crédito consignado do INSS no Brasil é incerto. Caso os bancos sigam com a restrição de ofertas, muitos beneficiários do INSS podem ter que buscar alternativas para obter crédito, como outras modalidades de empréstimos pessoais ou recorrer a instituições menores, que podem estar mais dispostas a operar dentro dos limites de juros estabelecidos.
Além disso, o mercado financeiro aguarda as decisões do STF sobre a competência do INSS e do CNPS para definir o teto de juros, o que pode alterar as regras do jogo para as instituições financeiras e para os beneficiários do programa.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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