O governo federal marcou uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) para esta quinta-feira, dia 9, com o intuito de debater alterações no limite das taxas de juros aplicadas ao crédito consignado destinado a aposentados e pensionistas do INSS.
Governo marca reunião para discutir mudanças no consignado do INSS
Governo realiza reunião extraordinária do CNPS para discutir mudanças no teto de juros do consignado do INSS. Veja mais detalhes!
A decisão foi tomada após diversas instituições financeiras suspenderem a oferta do serviço, alegando inviabilidade econômica com as condições atuais.
O impasse sobre o teto de juros

Desde junho de 2024, o teto dos juros do crédito consignado está fixado em 1,66% ao mês. No entanto, com a elevação da taxa básica de juros (Selic) de 10,50% para 12,25% em setembro, os bancos alertaram que o modelo tornou-se insustentável. O spread médio atual dessa modalidade é de apenas 0,51%, segundo dados do setor bancário, o que não cobre os custos operacionais, tributários e de inadimplência.
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A diferença entre o custo de captação e os juros cobrados dos clientes, conhecida como spread, é um indicador crucial para a rentabilidade dos empréstimos. No caso do consignado, essa margem está negativa, gerando insatisfação entre as instituições financeiras.
Bancos suspendem concessão do crédito
Diante da falta de ajustes no teto, alguns bancos interromperam a oferta de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS, especialmente por meio de correspondentes bancários. Essa modalidade inclui custos adicionais de comissão, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a rentabilidade.
A suspensão do crédito afeta diretamente uma parcela vulnerável da população que utiliza o consignado como alternativa de acesso a financiamento com juros mais baixos em comparação a outras opções disponíveis no mercado.
O impacto da Selic no crédito consignado
O aumento da Selic encarece o custo de captação para os bancos, que utilizam essa taxa como referência para seus financiamentos. No entanto, enquanto a taxa básica subiu 1,75 ponto percentual em setembro, o teto do consignado permaneceu congelado.
Os representantes do setor bancário argumentam que a desatualização do teto em relação ao cenário econômico inviabiliza a concessão dessa linha de crédito, o que pode agravar a exclusão financeira de aposentados e pensionistas.
O que está em jogo na reunião do CNPS
A reunião do CNPS será decisiva para avaliar a viabilidade de um novo teto de juros para o consignado. Especialistas esperam que a discussão leve em conta tanto as condições do mercado quanto a proteção dos beneficiários do INSS.
O governo enfrenta um dilema: ajustar o teto para evitar a suspensão generalizada do crédito ou mantê-lo baixo para proteger os consumidores de juros excessivos.
Possíveis cenários para o crédito consignado
Aumento no teto de juros
Se o governo optar por elevar o teto de 1,66% ao mês, as instituições financeiras poderão retomar a oferta do crédito. Essa medida seria bem-vista pelos bancos, mas pode gerar críticas devido ao impacto nos beneficiários, que enfrentariam parcelas mais altas.
Manutenção do teto atual
Manter o teto nos níveis atuais seria uma medida popular entre os beneficiários do INSS, mas aumentaria o risco de os bancos abandonarem completamente a oferta do consignado. Isso poderia criar um cenário de exclusão financeira, especialmente para aqueles com acesso limitado a outras linhas de crédito.
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Alternativas para reduzir custos operacionais
Outra possibilidade é a adoção de medidas que reduzam os custos operacionais da concessão do consignado, como a revisão das comissões pagas aos correspondentes bancários ou incentivos fiscais para os bancos.
O impacto nos aposentados e pensionistas
O crédito consignado é amplamente utilizado por aposentados e pensionistas para financiar despesas médicas, quitar dívidas e cobrir emergências. Com juros mais baixos que os praticados em outras modalidades, ele representa uma alternativa de crédito mais acessível.
A suspensão ou a restrição dessa linha de financiamento pode levar muitos beneficiários a recorrerem a opções mais caras e menos seguras, como o crédito rotativo ou financiamentos informais, ampliando o risco de endividamento.
O papel do governo na proteção ao consumidor

Além de definir o teto de juros, o governo tem a responsabilidade de garantir que o crédito consignado continue sendo uma alternativa viável e acessível para os beneficiários do INSS. Isso inclui criar políticas públicas que equilibrem os interesses dos bancos e a proteção ao consumidor.
Considerações finais
A decisão a ser tomada na reunião do CNPS terá repercussões imediatas no mercado financeiro e na vida de milhões de aposentados e pensionistas. A busca por um equilíbrio entre a sustentabilidade econômica e a proteção social será fundamental para definir o futuro dessa modalidade de crédito no Brasil.
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