Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bancos anunciam estornos de cartões de créditos: o que pode ser?

Entenda as mudanças propostas pelo Banco Central na gestão de chargebacks e arranjos de pagamento.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Banco Central

O Banco Central encerrou em novembro de 2024 a Consulta Pública nº 104, que revisa as regras de gerenciamento de risco nos arranjos de pagamento. O foco principal está nos chargebacks – estornos em transações com cartão de crédito –, abordando prazos, responsabilidades e situações extraordinárias, como falências e recuperações judiciais.

As mudanças estão ligadas à revisão do Anexo I da Resolução BCB nº 150/2021 e buscam modernizar a gestão de risco para participantes do mercado de pagamentos, incluindo emissores, credenciadores e instituidores de arranjo de pagamento.

Leia mais:

Banco Central emite alerta sobre falência de bancos: como proteger seu dinheiro?

notas de plástico, banco central
Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Chargebacks: como funcionam?

O chargeback é o mecanismo que permite ao consumidor contestar cobranças em cartões de crédito, geralmente em casos de:

  • Fraude: Transações não autorizadas.
  • Falha de processamento: Cobranças duplicadas ou valores incorretos.
  • Desacordo comercial: Quando o serviço ou produto não corresponde ao contratado.

Atualmente, os prazos para solicitação de chargebacks variam entre os instituidores de arranjo, podendo chegar a 540 dias em alguns casos. A consulta pública visa padronizar esses prazos e responsabilidades.

Propostas discutidas na consulta pública

1. Prazos de responsabilização

  • Solicitações de chargeback até 120 dias após a transação seriam de responsabilidade dos participantes do arranjo, como adquirentes e emissores.
  • Após esse período, a responsabilidade seria transferida para o instituidor do arranjo, dentro de limites pré-definidos.

2. Situações extraordinárias

  • O regulamento dos arranjos deverá incluir normas específicas para lidar com falências, recuperações judiciais e insolvência civil de recebedores.

Posições de participantes do mercado

Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs)

  • Propôs que informações como data de entrega de produtos ou serviços sejam incluídas nas transações.
  • Sugeriu a redução de prazos de contestação em compras de entrega diferida para facilitar a gestão de riscos em situações de crise setorial.

Nubank

  • Solicitou maior flexibilidade nos prazos para setores com transações de longo prazo, como companhias aéreas, onde a viagem pode ocorrer após o prazo de 120 dias.
  • Recomendou que credenciadoras adotem mecanismos de controle de fraudes, especialmente para lojistas com altos índices de transações suspeitas.
  • Sugeriu a criação de uma reserva financeira para cobrir chargebacks ordinários, vinculada à agenda futura de recebíveis do lojista.

Cielo

  • Criticou privilégios para consumidores de cartões de crédito em casos de recuperação judicial ou falência, que podem prejudicar outros credores.
  • Propôs a suspensão de chargebacks em situações extraordinárias, com os valores sendo habilitados como créditos no processo judicial.

Federação Brasileira de Bancos (Febraban)

  • Defendeu a criação de regras padronizadas pelo Banco Central para situações extraordinárias, como falências e recuperações judiciais.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Impacto no consumidor final

As mudanças propostas não tocam diretamente nos prazos totais para a resolução de chargebacks, mas podem impactar indiretamente o consumidor. A preocupação de especialistas é que as alterações beneficiem mais os participantes do mercado do que os usuários finais.

Avaliação de especialistas

  • Fabrício Winter, consultor da Fábrica de Fintechs, destaca que as discussões giram em torno de responsabilidades e prazos iniciais, com poucos benefícios tangíveis para os consumidores.
  • Segundo a Abipag (Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos), permitir chargebacks em casos de recuperação judicial favorece clientes de cartões em detrimento de outros consumidores, violando o princípio de paridade entre credores.

Propostas para melhorias no setor

Fachada do prédio do Banco Central do Brasil
Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

Para equilibrar os interesses dos consumidores e das instituições, as seguintes sugestões foram destacadas:

  • Melhor comunicação: Informar ao consumidor detalhes como prazos de entrega e políticas de devolução.
  • Gestão de riscos aprimorada: Implementar mecanismos robustos para prevenir fraudes em transações comerciais.
  • Flexibilidade por setor: Ajustar prazos de contestação para setores com características específicas, como viagens futuras.

Considerações finais

A revisão das regras de chargebacks e arranjos de pagamento representa um passo importante na modernização do mercado de pagamentos no Brasil. Embora as propostas tenham gerado debates entre participantes, como Abecs, Nubank, Cielo e Febraban, a padronização e transparência nas responsabilidades podem trazer benefícios tanto para empresas quanto para consumidores.

Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Pode ser do seu interesse:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados