Um prejuízo de cerca de R$ 2 bilhões abalou o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), segundo um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU). O impacto foi atribuído às falhas de governança no programa SIM Digital, instituído em 2022 pelo governo federal.
Rombo de R$ 2 bilhões no FGTS: inadimplentes e empréstimos arriscados expõem prejuízo em programa do governo
O FGTS sofreu um prejuízo de R$ 2 bilhões devido a falhas em programa de empréstimos para negativados. Veja mais!
A iniciativa oferecia empréstimos de até R$ 3 mil a microempreendedores individuais (MEIs) e negativados, resultando em uma taxa de inadimplência superior a 80%.
Entenda o programa SIM Digital

O que era o SIM Digital?
Lançado em março de 2022 por medida provisória, o SIM Digital visava facilitar o acesso ao crédito para pequenos empreendedores e trabalhadores informais. O programa foi gerido pela Caixa Econômica Federal em parceria com o Ministério do Trabalho, à época comandado por Onyx Lorenzoni.
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- Objetivo: Oferecer empréstimos de até R$ 3 mil com taxas de juros reduzidas.
- Fundo Garantidor: O FGTS aportou R$ 3 bilhões para garantir as operações.
Alterações nas regras e ampliação de risco
Inicialmente, o programa proibia a concessão de créditos a inadimplentes. No entanto, uma portaria do Ministério do Trabalho permitiu a inclusão de negativados, aumentando os riscos. Essa decisão levou a uma escalada na taxa de inadimplência, que ultrapassou 80%, de acordo com a CGU.
Impactos financeiros do programa
O prejuízo bilionário
Dos R$ 3 bilhões aportados pelo FGTS no Fundo Garantidor de Microfinanças (FGM), apenas R$ 1 bilhão foi recuperado até julho de 2023, resultando em um prejuízo direto de R$ 2 bilhões.
- Causa: Falhas de governança e concessão de empréstimos a inadimplentes.
- Consequências: Impacto nos rendimentos dos trabalhadores com cotas no FGTS, embora não tenha afetado os saques regulares.
Taxa de inadimplência alarmante
A decisão de incluir negativados no programa foi apontada como principal motivo para o rombo. Muitos beneficiários já enfrentavam dificuldades financeiras, o que tornou as operações altamente arriscadas.
Críticas da CGU
A CGU destacou várias falhas de governança na concepção e execução do programa:
- Ausência de consulta ao Conselho Curador do FGTS: A aplicação dos R$ 3 bilhões não teve aval do órgão, contrariando a legislação vigente.
- Mudanças nas regras do Fundo Garantidor: Alterações promovidas pela Caixa ampliaram os riscos das operações.
- Falta de monitoramento: Não houve um acompanhamento efetivo para avaliar os riscos de inadimplência.
Repercussão política e institucional
O relatório da CGU trouxe à tona críticas sobre a gestão do programa e suas implicações políticas. Até o momento, nem o Ministério do Trabalho, nem a Caixa Econômica Federal responderam às críticas.
Posicionamento do governo anterior
Onyx Lorenzoni, então ministro do Trabalho, não se manifestou sobre o relatório. Críticos apontam que a falta de planejamento foi um fator determinante para o fracasso do programa.
Impacto nos trabalhadores
Embora o rombo de R$ 2 bilhões não afete os saques regulares do FGTS, ele compromete a distribuição de lucros aos trabalhadores, reduzindo os rendimentos de suas cotas.
O que aprendemos com o caso?
Lições para futuros programas
Este caso evidencia a necessidade de maior transparência e governança em programas que utilizam recursos públicos:
- Consulta aos órgãos competentes: O Conselho Curador do FGTS deveria ter sido envolvido.
- Análise de risco: Programas voltados a públicos vulneráveis exigem critérios mais rigorosos para minimizar prejuízos.
- Monitoramento contínuo: Acompanhamento eficaz pode evitar que problemas se agravem.
Perguntas Frequentes:

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O prejuízo no FGTS afeta os saques dos trabalhadores?
Não. O rombo de R$ 2 bilhões não compromete os saques regulares, mas pode impactar os lucros distribuídos aos cotistas.
Qual foi a causa principal da inadimplência no programa SIM Digital?
A inclusão de negativados no programa foi apontada como o principal motivo para a alta inadimplência.
Quem foi responsável pela gestão do programa?
O programa foi gerido pela Caixa Econômica Federal, sob supervisão do Ministério do Trabalho.
Como evitar novos prejuízos no FGTS?
A solução passa por maior transparência, consulta ao Conselho Curador e monitoramento contínuo das iniciativas.
Considerações finais
O rombo de R$ 2 bilhões no FGTS é um alerta para a importância da boa governança na gestão de recursos públicos. Falhas estruturais e a inclusão de negativados em um programa de alto risco resultaram em prejuízos significativos, comprometendo os rendimentos dos trabalhadores. Para evitar novos episódios como este, é essencial que futuras iniciativas contem com maior planejamento e fiscalização.
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