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Roubo bilionário em Bitcoin leva à queda de gangue de jovens milionários: EUA apreendem 28 carros de luxo

Governo dos EUA processa jovens por roubo bilionário em Bitcoin. Operação resultou na apreensão de 28 carros de luxo, relógios Rolex e itens de grife.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Bitcoin

Em uma das maiores operações de repressão a crimes envolvendo criptomoedas, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) revelou nesta semana o desmantelamento de uma organização criminosa responsável por um roubo bilionário de Bitcoin (BTC).

A investigação federal, que já dura mais de um ano, culminou no indiciamento de 12 suspeitos, a maioria com idades entre 18 e 22 anos. O grupo é acusado de invadir carteiras digitais, roubar identidades e lavar dinheiro usando estratégias sofisticadas de engenharia social e invasões físicas.

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Uma operação de escala nacional: alvos em diferentes estados e países

De acordo com o comunicado oficial do DoJ, a gangue operava por meio de um método conhecido como SIM swapping, ou “clonagem de chip”, que permite assumir o controle de contas digitais ao redirecionar mensagens e códigos de autenticação para dispositivos dos invasores.

Ao todo, os crimes ocorreram entre outubro de 2023 e março de 2025, com vítimas espalhadas pelos Estados Unidos e até fora do país.

Entre os principais envolvidos estão Malone Lam (20), Hamza Doost (21), Conor Flansburg (21), Marlon Ferro (19), e Kunal Mehta (45), este último sendo o único integrante significativamente mais velho. Dois dos acusados seguem foragidos e estariam vivendo fora do território americano.

Luxo, ostentação e queda: como os bitcoins roubados foram gastos

Bitcoin
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O roubo de mais de 4.100 BTC — cerca de R$ 1,3 bilhão na época — permitiu à gangue desfrutar de um estilo de vida luxuoso e chamativo.

Segundo documentos judiciais, os criminosos usaram o valor para financiar noites em boates com gastos de até US$ 500 mil por evento, além de adquirirem imóveis alugados em locais como Los Angeles, Miami e Hamptons.

Entre os bens apreendidos durante a operação, destacam-se:

Frota de carros de luxo (28 no total):

  • 3 BMW (incluindo uma M4)
  • 3 Ferrari (com destaque para uma Purosangue 2024)
  • 7 Lamborghini (incluindo uma Revuelto 2024)
  • 1 McLaren GT 2023
  • 6 Mercedes-Benz (S-Class 2023 entre elas)
  • 5 Porsche (como o 911 Turbo 2024)
  • 3 Rolls-Royce (incluindo um Phantom 2024)
  • 1 Pagani Huayra 2014

Itens de luxo diversos (99 no total):

  • Relógios Rolex e Patek Philippe
  • Bolsas Louis Vuitton e Chanel
  • Roupas de grife
  • Joias de ouro e diamantes

Os agentes do FBI e do Serviço Secreto ainda identificaram o uso de jatos particulares, aluguel de propriedades em áreas nobres e contratação de equipes privadas de segurança.

Entenda o esquema: como os crimes eram executados

O grupo era estruturado como uma operação empresarial, com papéis bem definidos. Havia especialistas em invasão de bancos de dados, organizadores de operações, identificadores de alvos, responsáveis por chamadas fraudulentas, lavadores de dinheiro e até criminosos designados para invadir residências.

Esse tipo de golpe envolve enganar operadoras de telefonia para transferir o número de telefone da vítima para um chip controlado pelos criminosos. A partir disso, os invasores conseguiam acesso a e-mails, contas bancárias e, principalmente, carteiras de criptomoedas protegidas por autenticação de dois fatores.

Casos emblemáticos:

  • Agosto de 2024: Roubo de 4.100 BTC de uma única vítima.
  • Novo México: Invasão física a uma residência para subtrair uma carteira física de Bitcoin (hardware wallet).

Investigações e consequências legais

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A operação envolveu várias agências, incluindo FBI, IRS Criminal Investigation (IRS-CI), e o US Secret Service. As acusações incluem conspiração para cometer fraude eletrônica, roubo de identidade, lavagem de dinheiro e intrusão em sistemas protegidos.

Segundo o procurador-geral adjunto Kenneth A. Polite Jr., “este caso é mais uma prova do compromisso do Departamento de Justiça em responsabilizar indivíduos que usam tecnologia para roubar e explorar outros. Ninguém está acima da lei.”

Como a ostentação ajudou a derrubar a quadrilha

Muitos membros da gangue postavam abertamente suas conquistas em redes sociais, ostentando carros de luxo, festas exclusivas e acessórios caros. Isso chamou a atenção de investigadores, que passaram a cruzar informações públicas com registros bancários e movimentações em exchanges de criptomoedas.

SIM swapping: a ameaça crescente no universo cripto

Com a popularização das criptomoedas e a descentralização dos sistemas financeiros, criminosos digitais têm migrado para novos métodos de ataque. O SIM swapping é particularmente eficaz contra investidores de criptoativos, que frequentemente usam autenticação por SMS para proteger suas carteiras.

Dicas para se proteger:

  • Use aplicativos de autenticação (como Google Authenticator) em vez de SMS.
  • Ative senhas e proteções adicionais com a operadora de celular.
  • Mantenha suas informações pessoais fora de redes sociais.

Reação da comunidade cripto

O caso gerou forte repercussão em fóruns e redes sociais voltados ao ecossistema de criptomoedas. Especialistas e influenciadores destacaram a necessidade de aprimorar os métodos de segurança, especialmente diante da sofisticação crescente dos ataques.

Conclusão: um marco na repressão ao crime digital com criptoativos

A operação conduzida pelo governo dos EUA marca um importante precedente na repressão ao uso indevido de criptomoedas por organizações criminosas. Ao mesmo tempo em que expõe as vulnerabilidades do ecossistema digital, também reforça o comprometimento das autoridades com a proteção de investidores e a integridade dos mercados.

O caso serve como alerta: embora o Bitcoin e outras criptomoedas representem liberdade financeira e inovação, também exigem responsabilidade e cautela. Segurança digital deve ser prioridade — sempre.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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