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Saiba porque o horário de verão está prestes a voltar

O Ministério de Minas e Energia avalia a possibilidade de retomar o horário de verão para enfrentar a crise hídrica e reduzir o impacto sobre o setor elétrico

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Horário de verão

Em um cenário de crise hídrica que afeta profundamente o setor elétrico brasileiro, o Ministério de Minas e Energia está considerando a reintrodução do horário de verão como uma estratégia para mitigar os impactos negativos no sistema de geração de energia. 

O ministro Alexandre Silveira confirmou a análise da proposta em entrevista realizada na quarta-feira, 11 de setembro, ressaltando que a decisão final dependerá de um aval político do Planalto. A crise hídrica atual é marcada pela escassez de água que afeta a geração de energia hidrelétrica, um dos pilares do sistema elétrico brasileiro. 

A redução dos níveis dos reservatórios e a baixa disponibilidade de água nas represas têm levado ao aumento do uso de termelétricas, que são menos eficientes e mais poluentes. Isso tem implicações diretas no custo e na sustentabilidade da geração de energia.

Leia mais: Lula pode retomar com o horário de verão para poupar energia elétrica

O Papel do Horário de Verão na Gestão Energética

O horário de verão foi instituído no Brasil em 1931, com o objetivo de aproveitar melhor a luz do dia durante os meses de verão, reduzindo assim o consumo de energia elétrica. No entanto, a medida foi suspensa em 2019 pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro, que argumentou que mudanças no padrão de consumo e avanços tecnológicos haviam diminuído a eficácia da política.

Paisagem com torre de energia e sol se pondo ao fundo
Imagem: Cacio Murilo / shutterstock.com

Argumentos a Favor do Retorno

De acordo com o ministro Alexandre Silveira, o horário de verão pode ajudar a reduzir o pico de consumo de energia, que ocorre principalmente no final da tarde e início da noite. Nesse período, a demanda por eletricidade aumenta devido ao uso de ar-condicionados, ventiladores e outros eletrodomésticos. 

A ideia é deslocar esse pico para um horário onde a demanda seja menor, ajudando a equilibrar a carga e a reduzir a necessidade de acionamento de termelétricas.

“É aquele horário que o cidadão vai para casa, liga o ar-condicionado, liga o ventilador. Ele vai tomar banho, vai tomar todo mundo quase que junto, abre a televisão para assistir um jornal, e naquele horário nós temos um grande pico”, explicou Silveira. A proposta é que o horário de verão possa reduzir a intensidade desse pico de consumo.

Desafios e Limitações

A proposta enfrenta críticas e desafios. Especialistas apontam que, embora o horário de verão possa ajudar a gerenciar a demanda em horários de pico, sua capacidade de gerar economia significativa de energia é limitada. 

Isso se deve ao fato de que a mudança no horário ocorre durante um período em que o consumo já é elevado, e não necessariamente reduz a demanda total de energia.

Além disso, a eficácia do horário de verão na redução de consumo depende de diversos fatores, incluindo o comportamento dos consumidores e a capacidade do sistema elétrico em ajustar a oferta de energia conforme a demanda.

Reação do Governo e Avaliação Política

O vice-presidente Geraldo Alckmin também manifestou apoio à ideia, considerando o horário de verão uma “boa alternativa para poupar energia” e ressaltando a importância de campanhas de conscientização para evitar desperdícios.

No entanto, a decisão sobre a reintrodução do horário de verão ainda está em fase de avaliação política. A medida precisa do aval do Planalto e da aprovação dos principais atores políticos envolvidos. A análise do governo levará em conta não apenas os aspectos técnicos, mas também as implicações sociais e econômicas da mudança.

Histórico e Contexto da Suspensão do Horário de Verão

O horário de verão foi suspenso em 2019 pelo governo Bolsonaro, que justificou a decisão com base em mudanças nos padrões de consumo e avanços tecnológicos. A avaliação do governo na época era de que a política havia perdido eficácia, especialmente em um contexto de transformações no consumo de energia.

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Durante a crise hídrica de 2021, a possibilidade de reintroduzir o horário de verão foi considerada, mas a medida não foi implementada. Na ocasião, o governo solicitou parecer do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para avaliar a viabilidade da proposta, mas a decisão final não favoreceu a reintrodução.

Impacto no Setor Elétrico e Perspectivas Futuras

O impacto do horário de verão no setor elétrico brasileiro pode ser significativo, especialmente em um momento de crise hídrica e aumento do consumo. A proposta é vista como uma medida paliativa para equilibrar a demanda e melhorar a gestão da oferta de energia.

Além disso, a discussão sobre o horário de verão levanta questões sobre a necessidade de reformas mais amplas no setor elétrico, incluindo investimentos em infraestrutura e melhorias na gestão de recursos hídricos.

Relógio sendo ajustado em função do horário de verão, representando possível decisão de Lula
Imagem: Zephyr_p / Shutterstock.com

Considerações Finais

A reintrodução do horário de verão é uma medida que poderá oferecer alívio temporário ao setor elétrico em meio à crise hídrica, mas sua eficácia a longo prazo dependerá de uma combinação de fatores técnicos e políticos. 

O debate sobre o retorno do horário de verão evidencia a complexidade dos desafios enfrentados pelo Brasil no gerenciamento de sua matriz energética e na busca por soluções sustentáveis.

A decisão final sobre a implementação da medida será acompanhada de perto por especialistas, políticos e pela população, refletindo o impacto potencial nas condições de consumo e na gestão de recursos hídricos e energéticos do país.

Imagem: New Africa / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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