Médicos-veterinários e zootecnistas podem estar mais próximos de conquistar um piso salarial nacional. Um projeto de lei aprovado na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados prevê salário mínimo de R$ 10 mil para profissionais dessas categorias que cumprirem jornada de 30 horas semanais.
Projeto prevê salário de R$ 10 mil para jornada de 30 horas
Projeto aprovado na Câmara cria salário de R$ 10 mil para veterinários e zootecnistas com jornada de 30 horas semanais.
A proposta também estabelece reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e prevê adequações proporcionais para jornadas superiores ou inferiores à carga horária definida.
Embora ainda precise avançar em outras etapas do Congresso Nacional, a medida já movimenta o debate sobre valorização profissional, mercado de trabalho e impactos econômicos para empresas e órgãos públicos.
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O que prevê o projeto aprovado

O texto aprovado fixa um piso salarial nacional de R$ 10 mil mensais para médicos-veterinários e zootecnistas que trabalhem 30 horas por semana.
Caso a jornada seja diferente, o valor deverá ser ajustado proporcionalmente.
Na prática:
- Quem trabalhar menos de 30 horas receberá valor proporcional;
- Quem cumprir carga horária superior poderá ter remuneração ajustada conforme as regras da futura legislação.
A proposta também determina que o piso seja atualizado anualmente com base no INPC, índice utilizado para medir a inflação das famílias de menor renda.
Quais profissionais serão beneficiados
O projeto contempla duas profissões regulamentadas que desempenham papel importante em diversas áreas da economia brasileira.
Médicos-veterinários
Os médicos-veterinários atuam não apenas no atendimento clínico de animais domésticos.
A profissão também possui forte presença em:
- Saúde pública;
- Fiscalização sanitária;
- Inspeção de alimentos;
- Produção animal;
- Controle de zoonoses;
- Pesquisa científica.
A atuação desses profissionais é considerada estratégica para a segurança alimentar e para a prevenção de doenças que podem afetar seres humanos.
Zootecnistas
Os zootecnistas trabalham diretamente com produção animal, manejo, genética, nutrição e aumento da produtividade dos rebanhos.
O setor é especialmente relevante para o agronegócio brasileiro, uma das principais atividades econômicas do país.
Esses profissionais ajudam a melhorar a eficiência da produção de carne, leite, ovos e outros produtos de origem animal.
Por que o projeto foi apresentado
Os defensores da proposta argumentam que a criação de um piso nacional pode contribuir para a valorização das categorias.
Segundo parlamentares favoráveis à medida, muitos profissionais enfrentam remunerações consideradas incompatíveis com o nível de formação exigido e com a responsabilidade das atividades exercidas.
O relator da proposta destacou que o piso não deve ser visto apenas como um custo adicional para empregadores.
A avaliação é de que a medida pode estimular a qualificação profissional, reduzir a evasão de talentos e fortalecer setores importantes da economia.
Impacto no agronegócio e na saúde pública
A discussão sobre o piso salarial vai além da remuneração individual dos profissionais.
Especialistas apontam que médicos-veterinários e zootecnistas exercem funções essenciais para áreas estratégicas do país.
Segurança alimentar
Grande parte da produção de alimentos de origem animal passa pela supervisão desses profissionais.
Eles participam de processos relacionados à qualidade sanitária, inspeção e controle de riscos.
Controle de doenças
Veterinários também atuam no combate a zoonoses, doenças transmitidas entre animais e seres humanos.
Exemplos incluem:
- Raiva;
- Leptospirose;
- Febre amarela;
- Influenza aviária.
Produtividade rural
Os zootecnistas contribuem diretamente para o aumento da eficiência produtiva das propriedades rurais, ajudando a elevar a competitividade do agronegócio brasileiro.
Salário terá reajuste anual pela inflação
Outro ponto importante do projeto é a previsão de atualização automática do piso salarial.
O reajuste será baseado no INPC, indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse mecanismo busca preservar o poder de compra dos profissionais ao longo do tempo.
Sem uma correção periódica, a inflação poderia reduzir gradualmente o valor real da remuneração.
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Empresas terão prazo para adaptação
Caso o projeto seja aprovado definitivamente e transformado em lei, os empregadores terão 180 dias para realizar as adequações necessárias.
Durante esse período, empresas, clínicas, hospitais veterinários, cooperativas e órgãos públicos deverão ajustar contratos e estruturas salariais para atender às novas exigências.
O prazo foi incluído justamente para permitir uma transição gradual e reduzir impactos imediatos sobre as organizações.
O projeto já virou lei?
Não.
A aprovação na Comissão de Administração e Serviço Público representa apenas uma etapa da tramitação legislativa.
O texto ainda precisará passar por outras comissões da Câmara dos Deputados.
Entre elas:
- Comissão de Trabalho;
- Comissão de Finanças e Tributação;
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Somente após a conclusão dessa fase o projeto poderá seguir para votação no Senado Federal.
Se aprovado pelos senadores, ainda dependerá da sanção presidencial para entrar em vigor.
O que muda para os profissionais
Se a proposta for aprovada em todas as etapas, médicos-veterinários e zootecnistas passarão a contar com uma referência salarial nacional definida em lei.
Para muitos profissionais, isso pode representar aumento de renda e maior previsibilidade na negociação de contratos.
Além disso, o piso poderá servir como parâmetro para concursos públicos, processos seletivos e negociações coletivas.
Debate sobre valorização profissional deve continuar

A criação de pisos salariais costuma gerar debates entre trabalhadores, empregadores e especialistas em mercado de trabalho.
De um lado, entidades representativas defendem que a medida valoriza profissionais essenciais para a economia e para a saúde pública.
De outro, há discussões sobre os impactos financeiros para empresas e órgãos públicos.
Independentemente do resultado final da tramitação, o projeto reforça a importância crescente de médicos-veterinários e zootecnistas em setores estratégicos para o desenvolvimento do Brasil.
Nos próximos meses, a proposta continuará sendo acompanhada de perto pelas categorias profissionais e pelo setor produtivo, especialmente pelo agronegócio, que depende diretamente da atuação desses especialistas.
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