O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, em agosto, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, prevendo um salário mínimo de R$ 1.631, valor que representa um reajuste de R$ 113 em relação ao atual piso nacional de R$ 1.518.
Salário mínimo previsto de R$ 1.631 pode reforçar benefícios de idosos com 65+
Projeto da Lei Orçamentária de 2026 prevê salário mínimo de R$ 1.631, com reajuste acima da inflação. Medida prioriza idosos.
Esse aumento de 7,44% é composto por uma inflação projetada de 3,6% e um ganho real de 2,5%, como determina a nova política de valorização do salário mínimo, instituída por meio de legislação aprovada em 2023. O objetivo, segundo o governo, é preservar o poder de compra da população e ampliar gradualmente a renda, especialmente daqueles que mais dependem do piso, como aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
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Reajuste segue nova regra baseada em inflação e PIB
Como funciona o cálculo do salário mínimo?
Desde 2024, o cálculo do salário mínimo passou a considerar:
- A inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), acumulada até novembro do ano anterior;
- O crescimento real do PIB de dois anos antes (neste caso, de 2024), com previsão de 2,5%, dos quais 2,44% foram incorporados na proposta orçamentária.
Com base nesses dados, o novo valor de R$ 1.631 já foi incluído no PLN 15/2025, que trata da proposta orçamentária para o próximo ano.
Impacto direto para idosos e beneficiários da Previdência
Salário mínimo como base de benefícios
O salário mínimo é referência para diversos benefícios previdenciários e assistenciais, entre eles:
- Aposentadorias e pensões do INSS
- Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda
- Auxílio-reclusão
- Salário-maternidade
- Auxílio-doença
- Piso de benefícios do Bolsa Família e outros programas federais
Com o novo valor, milhões de idosos que dependem do salário mínimo como única fonte de renda terão um acréscimo mensal que pode ajudar a cobrir despesas com alimentação, medicamentos, transporte e moradia.
Segundo dados da Secretaria de Previdência, mais de 60% dos aposentados e pensionistas do INSS recebem o valor equivalente ao salário mínimo.
PLOA 2026: prioridades e números principais
Limites fiscais e metas de resultado primário
O PLOA 2026 estabelece limites de despesas e metas fiscais, respeitando o novo arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso. Os principais números são:
- Despesas primárias totais: R$ 2,428 trilhões
- Meta de resultado primário: superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB
- Projeção de crescimento do PIB: 2,44% em 2026
- Previsão de inflação (INPC): 3,6%
Recursos por área
Entre as áreas prioritárias, os valores previstos são:
| Setor | Verba prevista em 2026 |
|---|---|
| Saúde | R$ 245,5 bilhões |
| Educação | R$ 133,7 bilhões |
| Investimentos | R$ 83 bilhões |
O governo afirma que os recursos destinados à saúde e à educação superam os pisos constitucionais, demonstrando compromisso com áreas essenciais.
Quem analisa o projeto no Congresso?

CMO e relatoria do orçamento
O projeto será analisado inicialmente pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), que reúne deputados e senadores. A tramitação segue o seguinte formato:
- Relator da PLOA 2026: deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL)
- Presidente da CMO: senador Efraim Filho (União-PB)
Após análise na comissão, o projeto segue para votação no plenário do Congresso, com possibilidade de emendas.
Novo formato prevê planejamento de médio prazo
Estimativas até 2029
Uma novidade do PLOA 2026 é a inclusão de projeções orçamentárias de médio prazo, que indicam valores previstos para os próximos anos. Isso permite melhor planejamento das contas públicas e transparência com a sociedade.
Segundo o consultor-geral de Orçamento do Senado, Flávio Luz, esse modelo fortalece o debate técnico e político sobre as prioridades nacionais.
Projeção do salário mínimo até 2029
| Ano | Valor projetado |
|---|---|
| 2026 | R$ 1.631 |
| 2027 | R$ 1.725 |
| 2028 | R$ 1.823 |
| 2029 | R$ 1.908 |
Salário mínimo também impacta arrecadação do INSS
Tabela de contribuição para 2026 será atualizada
A contribuição previdenciária dos trabalhadores com carteira assinada também é influenciada pelo valor do salário mínimo. A tabela de alíquotas do INSS é progressiva, como no Imposto de Renda.
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Alíquotas de 2025 (base de comparação)
- Até R$ 1.518,00: 7,5%
- De R$ 1.518,01 a R$ 2.793,88: 9%
- De R$ 2.793,89 a R$ 4.190,83: 12%
- De R$ 4.190,84 até R$ 8.157,41: 14%
Com o reajuste do mínimo para R$ 1.631, a primeira faixa será reajustada, impactando diretamente milhões de contribuintes e também as empresas que recolhem as contribuições patronais.
O peso fiscal de cada real adicionado ao mínimo
Aumento de R$ 1 custa mais de R$ 420 milhões por ano
Segundo estimativas da equipe econômica, cada R$ 1,00 a mais no salário mínimo implica em um aumento de R$ 429,3 milhões nas despesas públicas por ano.
Desse total, cerca de R$ 422 milhões afetam diretamente a Previdência Social. Esse impacto se deve à vinculação do salário mínimo aos benefícios pagos pelo INSS e à folha de pagamentos dos servidores federais com vencimentos baseados no piso nacional.
Calendário da LDO está adiantado e favorece tramitação
Novo valor deve valer já em janeiro
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que orienta a elaboração do orçamento, está com o cronograma adiantado no Congresso. Isso facilita a tramitação e aprovação da PLOA ainda em 2025, permitindo que o novo valor do salário mínimo entre em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026, como determina a legislação.
Especialistas apontam equilíbrio entre valorização e responsabilidade

Reajuste agrada, mas precisa ser sustentável
Economistas avaliam que o reajuste de R$ 1.631 equilibra o poder de compra e os limites fiscais, mantendo o compromisso do governo com a valorização do trabalho, sem descuidar do controle de gastos públicos.
“Trata-se de um aumento prudente, com ganho real moderado, que não compromete o equilíbrio fiscal”, avalia Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Entidades sindicais, por outro lado, defendem um aumento mais expressivo, argumentando que o salário mínimo ainda está longe de atender às necessidades básicas do trabalhador.
“O valor proposto para 2026 continua insuficiente para garantir uma vida digna à maioria da população”, critica Rosilene Corrêa, da CUT Nacional.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
