A possibilidade de o Santander encerrar mais de 30 agências na Argentina acendeu o alerta entre funcionários, clientes e autoridades trabalhistas. A denúncia foi formalizada pelo sindicato bancário no Ministério do Trabalho da Argentina, após relatos de que o plano pode afetar até 500 trabalhadores, incluindo empregados diretos e terceirizados.
Fechamento de agências do Santander pode atingir até 500 funcionários
Santander avalia fechar mais de 30 agências na Argentina. Sindicato aciona Ministério do Trabalho e alerta para demissões e impacto em cidades.
Segundo o delegado sindical Gonzalo Martínez, em declaração ao jornal Crónica, a reestruturação é apresentada como parte do processo de digitalização do banco, mas, na prática, pode provocar desemprego e dificultar o acesso a serviços bancários essenciais em regiões onde o atendimento presencial ainda é indispensável.
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O que está em discussão no fechamento das agências
O debate ganhou força quando o sindicato afirmou que há um plano concreto para fechar mais de 30 unidades em diferentes cidades argentinas. Embora o banco ainda não tenha divulgado oficialmente a lista de agências que podem ser encerradas, representantes dos trabalhadores afirmam que as conversas já começaram internamente.
De acordo com o sindicato, o movimento não seria isolado, mas a continuidade de um processo iniciado em 2025, marcado por demissões graduais e redução de equipes. O fechamento de agências, nesse contexto, funcionaria como um gatilho para novos desligamentos.
Ministério do Trabalho entra no centro da negociação
Ao levar o caso ao Ministério do Trabalho, o sindicato busca transformar decisões empresariais em uma negociação formal, com prazos, registros e garantias legais. A avaliação é que o tema deixou de ser apenas corporativo e passou a ter interesse público, diante do impacto social e regional.
A principal reivindicação é previsibilidade: informações claras sobre realocação de funcionários, planos de indenização e possibilidade de aposentadoria antecipada. Até agora, segundo os representantes, esses pontos seguem indefinidos nas cidades citadas na denúncia.
Denúncia de demissões e pressão na saída
Outro aspecto sensível envolve a forma como os desligamentos estariam ocorrendo. O sindicato sustenta que as demissões ligadas ao Santander na Argentina vêm acontecendo de maneira contínua desde 2025, e não apenas como ajustes pontuais.
Há também denúncias de pressão no momento da saída, com trabalhadores sendo informados de que teriam poucas alternativas além do desligamento. Esse tipo de situação costuma agravar conflitos trabalhistas, pois envolve assimetria de poder e insegurança sobre direitos futuros.
Até o momento, não há posicionamento público detalhado do Santander respondendo especificamente a essas acusações.
Digitalização versus atendimento presencial
O argumento central do banco para a reestruturação é a digitalização e a migração de clientes para canais online. A lógica é comum no setor bancário: menos atendimento no balcão, menor necessidade de manter uma rede física ampla e custosa.
O sindicato, no entanto, contesta essa visão, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Em muitas regiões do país, aposentados, trabalhadores informais e moradores com acesso limitado à internet ainda dependem do atendimento presencial para resolver questões básicas.
Há relatos de cidades onde o fechamento de uma agência obrigaria clientes a percorrer mais de 200 quilômetros até a unidade mais próxima, tornando inviável o uso exclusivo do aplicativo para determinadas operações.
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Impacto local: Comodoro Rivadavia e Las Heras
Ao citar cidades como Comodoro Rivadavia e Las Heras, o sindicato dá dimensão concreta ao problema. Nessas localidades, o encerramento de uma agência não afeta apenas o banco, mas toda a dinâmica urbana.
Além dos funcionários diretos, o impacto estimado de até 500 pessoas inclui trabalhadores terceirizados e serviços indiretos, como segurança, limpeza, transporte e manutenção. O efeito costuma se espalhar pelo comércio local e pela economia da cidade.
O que pode acontecer a partir de agora
A situação segue em aberto enquanto não há um plano público detalhado por parte do Santander. O sindicato afirma que continuará monitorando o caso e pressionando por garantias formais no âmbito do Ministério do Trabalho.
De um lado, está o tempo do planejamento empresarial e da estratégia global de digitalização. Do outro, o tempo de quem depende do salário, da agência física e do acesso imediato ao próprio dinheiro.
A próxima rodada de negociações deve indicar se haverá proteção efetiva para trabalhadores e clientes ou se o fechamento das agências seguirá sem ajustes regionais. Até lá, a incerteza permanece como fator central do conflito.
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