As condições atuais da economia, com pressões inflacionárias persistentes e sinais de forte dinamismo, levam o Santander a projetar que o Banco Central deve optar por um novo aperto monetário na decisão que será tomada nesta semana.
Santander estima alta da Selic de 14,75% para 15% no Copom desta quarta
O Santander prevê que o Copom eleve a Selic para 15% na reunião desta quarta-feira (18). Saiba os motivos, impactos e perspectivas.
Cenário econômico pressiona decisão do Copom

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De acordo com análise do Santander, os principais indicadores de atividade econômica seguem mostrando força, especialmente no mercado de trabalho. A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, o que indica uma economia que ainda opera próxima de seu pleno emprego.
Essa condição, somada a um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo próximo do potencial, pressiona a demanda e, consequentemente, os preços.
Banco Central adota tom mais duro
Sinais do BC aumentam expectativa de alta
Segundo análise do Santander, a comunicação do BC passou a adotar uma postura mais “hawkish” — termo usado no mercado para indicar uma orientação mais agressiva no combate à inflação.
Essa mudança na comunicação, na visão dos economistas do banco, tem como objetivo influenciar o comportamento dos agentes econômicos e evitar distorções na curva de juros futuros.
Abertura de opções na política monetária
De acordo com Marco Antonio Caruso, economista-chefe do Santander, as falas dos diretores indicam uma tentativa clara de manter todas as opções sobre a mesa. Ele destaca que, se a decisão de manter a Selic estivesse tomada, não haveria necessidade de adotar esse tom mais duro nos discursos recentes.
O que explica a possível alta da Selic?
Hiato do produto menor que o esperado
Um dos elementos centrais que explicam essa possível elevação da Selic é a revisão do chamado “hiato do produto” — que representa a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial.
O Banco Central entende que esse hiato é menor do que boa parte do mercado acredita, ou seja, há menos capacidade ociosa na economia. Isso significa que aumentos na demanda têm efeito mais direto sobre os preços, o que exige juros mais altos para conter a inflação.
Inflação resistente e demanda aquecida
Com a inflação ainda acima da meta e a economia aquecida, mesmo em um cenário de juros elevados, o BC se vê pressionado a tomar medidas adicionais. Para o Santander, o aumento da Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.) não representa uma mudança drástica, mas sim um ajuste necessário para reforçar a credibilidade da política monetária.
Gestão das expectativas do mercado
Além dos fundamentos econômicos, o movimento também tem caráter tático. Segundo Caruso, a sinalização do Copom busca evitar distorções na curva de juros futuros, sem necessariamente indicar o início de um novo ciclo de alta mais prolongado.
O que observar nos próximos meses
A trajetória futura dos juros dependerá, sobretudo, de três fatores:
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- Cenário fiscal: Incertezas sobre a trajetória das contas públicas também impactam a decisão monetária.
- Cenário externo: Taxas de juros nos Estados Unidos, dinâmica das commodities e eventuais choques globais seguem no radar.
Mercado financeiro reage com cautela

Impacto na Bolsa e no câmbio
A expectativa de juros mais altos pressiona o mercado acionário brasileiro. O Ibovespa tende a recuar diante do custo de capital mais elevado, enquanto o real pode se valorizar, impulsionado pela atratividade dos juros domésticos.
FAQ
Por que o Santander espera aumento da Selic?
O banco projeta alta devido à atividade econômica aquecida, mercado de trabalho forte e expectativas de inflação acima da meta.
O que significa Selic em 15%?
Significa juros mais altos para empréstimos, financiamentos e cartão de crédito, além de maior atratividade da renda fixa.
Considerações finais
O cenário traçado pelo Santander indica que o Banco Central está disposto a sacrificar parte do crescimento econômico no curto prazo para garantir o controle da inflação e preservar a credibilidade da política monetária. A decisão do Copom desta quarta-feira poderá marcar o início de uma fase prolongada de juros elevados no Brasil, em linha com os desafios persistentes na economia doméstica e no cenário global.
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