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Fim do saque-aniversário pode gerar desgaste entre trabalhadores, dizem 90%

Pesquisa mostra que 9 em cada 10 que anteciparam o saque-aniversário do FGTS são contra novas restrições. Entenda regras e impactos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
fgts saque-aniversário

A antecipação do saque-aniversário do FGTS segue como uma das linhas de crédito mais utilizadas pelos brasileiros que buscam liquidez rápida. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) em parceria com a Zetta, que representa grandes fintechs do país, revela que nove em cada dez trabalhadores que já anteciparam valores são contrários ao fim ou à restrição da modalidade.

O levantamento foi conduzido pela AtlasIntel e ouviu brasileiros que conhecem a modalidade, avaliando a percepção sobre mudanças implementadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS) em outubro de 2025.

Segundo o estudo, sete em cada dez cadastrados no saque-aniversário já anteciparam o benefício ao menos uma vez. O universo total de brasileiros que recorreram à antecipação chega a 28 milhões.

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O que é a antecipação do saque-aniversário do FGTS

O saque-aniversário é uma modalidade vinculada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que permite ao trabalhador retirar, anualmente, uma parte do saldo da conta no mês de seu aniversário.

A antecipação funciona como um empréstimo: o trabalhador recebe, de uma só vez, parcelas futuras do saque-aniversário. O pagamento é garantido pelo saldo do FGTS, o que reduz o risco para as instituições financeiras e, em geral, resulta em taxas de juros menores que outras modalidades de crédito pessoal.

Para que os brasileiros usam a antecipação

De acordo com a pesquisa:

  • 59% utilizaram o crédito para pagar dívidas urgentes;
  • 19% destinaram os recursos a despesas de saúde e medicamentos;
  • Outros citaram despesas emergenciais e organização financeira.

Na prática, a antecipação tem sido vista como alternativa para quem não tem acesso ao crédito consignado tradicional ou enfrenta restrições no mercado.

Um dado relevante: dos 28 milhões que anteciparam o saque, cerca de 10 milhões estavam desempregados no momento da contratação. Ou seja, não poderiam contratar empréstimo consignado privado.

Quais foram as novas regras impostas em 2025

Em outubro de 2025, o CCFGTS aprovou mudanças que restringiram a modalidade. As principais alterações foram:

  • Limite máximo de cinco parcelas anuais antecipadas (reduzido para três a partir de novembro de 2026);
  • Apenas uma operação de antecipação por trabalhador;
  • Valor mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 500 por parcela;
  • Carência de 90 dias para contratar após optar pelo saque-aniversário.

As regras entraram em vigor em novembro de 2025.

Reação negativa dos trabalhadores

A percepção dos usuários é majoritariamente contrária às mudanças:

  • 87% dos que já anteciparam são contra as novas medidas;
  • 8 em cada 10 discordam da limitação a apenas uma operação;
  • 8 em cada 10 afirmam que os limites não ajudam a controlar o uso do saldo;
  • 50% discordam da carência de 90 dias como forma de evitar uso impulsivo.

Segundo Ricardo Barboza, economista-chefe da Zetta, a antecipação cumpre papel de “socorro financeiro” em momentos de aperto.

Ele destaca que o universo de 28 milhões de usuários torna o tema central no debate econômico e político, especialmente quando comparado a outras pautas de grande impacto social.

Uso foi moderado, aponta levantamento

Um dos argumentos utilizados para justificar as restrições era o risco de uso excessivo da modalidade. No entanto, os dados indicam comportamento relativamente cauteloso:

  • 38,6% anteciparam apenas uma ou duas vezes;
  • Mais de 60% utilizaram a linha até quatro vezes em seis anos.

Para Alex Gonçalves, diretor de Crédito Consignado da ABBC, o receio de uso desenfreado não se confirma nos números.

Segundo ele, no primeiro mês após a implementação das novas regras, houve queda de 80% no volume emprestado pelos bancos. A projeção é de retração de até 96% até dezembro de 2027, o que pode praticamente inviabilizar a linha.

Impacto no acesso ao crédito

A restrição ao saque-aniversário ocorre em um cenário de crédito mais seletivo no Brasil, com juros ainda elevados em diversas modalidades.

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Especialistas apontam que, ao reduzir o acesso a uma linha com garantia e risco controlado, o trabalhador pode acabar migrando para:

Essas alternativas costumam ter custo significativamente maior, o que pode ampliar o endividamento.

Vale a pena antecipar o saque-aniversário?

A decisão depende do perfil financeiro do trabalhador.

Pode ser vantajoso quando:

  • Há dívida com juros mais altos;
  • Existe emergência médica ou despesa inadiável;
  • O trabalhador não tem acesso a crédito mais barato.

Pode não ser indicado quando:

  • Não há necessidade urgente;
  • O trabalhador pode perder o direito ao saque-rescisão integral em caso de demissão sem justa causa (já que quem opta pelo saque-aniversário não recebe o saldo total do FGTS, apenas a multa rescisória).

A recomendação é comparar taxas e avaliar o impacto no planejamento financeiro.

O debate deve continuar

A discussão sobre o futuro do saque-aniversário envolve política econômica, acesso ao crédito e proteção ao trabalhador. Com 28 milhões de brasileiros já tendo utilizado a antecipação, qualquer alteração gera repercussão relevante.

O tema deve permanecer em pauta nos próximos anos, especialmente diante do impacto direto na renda das famílias e no mercado de crédito.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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