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Leandro Karnal afirma: “Sua saúde mental vale mais do que qualquer salário”

Leandro Karnal defende que saúde mental vale mais que salário e critica liderança tóxica nas empresas.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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Em tempos de avanços tecnológicos e transformações nas relações de trabalho, preservar a saúde mental se tornou uma urgência incontornável. O historiador Leandro Karnal foi direto: “Sua saúde mental vale mais do que qualquer salário”.

Em entrevista recente, ele abordou os limites da liderança tóxica, o papel da escuta e o impacto da inteligência artificial nas organizações, destacando a importância de ambientes profissionais mais humanos e conscientes.

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O peso invisível da liderança tóxica

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Imagem: PUCRS / Reprodução

Embora muitas empresas tenham ampliado discussões sobre saúde mental, Leandro Karnal alerta que o problema das lideranças abusivas persiste, e, por vezes, ainda é romantizado. “Ainda existe espaço para admirar o chefe autoritário e tóxico, infelizmente. Especialmente quando ele entrega resultados”, afirmou, durante o evento “Transformation Talks”, promovido pela Robert Half e pela It’sSeg, em São Paulo.

Segundo o historiador, esses líderes são comparáveis ao uso de anabolizantes: oferecem resultados imediatos, mas a um alto custo. “O medo funciona, sim, mas não é sustentável. Gera sabotagem, raiva e colapso.” Ou seja, o impacto vai além dos números: afeta a cultura organizacional e a saúde emocional dos colaboradores.

Saúde mental e o dilema de sair ou resistir

Para quem sofre sob a pressão de ambientes nocivos, Karnal não idealiza a saída imediata. Ele reconhece que há contextos de necessidade financeira que prendem o profissional a ambientes hostis. Ainda assim, reforça: “Às vezes, a pressão pelos boletos faz com que a pessoa aceite o inaceitável. Mas a vida é um valor absoluto. Sua saúde mental vale mais do que qualquer salário”.

Relembrando sua própria trajetória, Karnal revelou que, por vezes, manteve-se em instituições que não condiziam com seus valores. Hoje, aconselharia seu eu mais jovem: “Corte despesas, invente outra função, procure outra empresa.”

Novas regras, novas esperanças

A recente atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que passou a exigir medidas para a promoção da saúde mental nos ambientes de trabalho, foi vista por Karnal como um avanço significativo. Ele avalia que, embora não resolva todos os problemas, a norma pode abrir espaço para mais sensibilidade nas lideranças.

“Ela pode ajudar a sensibilizar lideranças e gerar ambientes mais equilibrados, onde o melhor das pessoas venha à tona”, pontua.

O mais importante, segundo ele, é entender que saúde mental não deve ser tratada apenas como responsabilidade do RH. “É uma necessidade da presidência, dos gestores, de todos os setores”, afirma.

Práticas éticas: além do papel e dos códigos

Empresas com práticas éticas reais se destacam, segundo Karnal, por ações, e não por discursos. “Toda empresa envolvida em escândalo tinha um código de ética. A diferença está em aplicar a ética na prática. Como exemplo, rejeitar fornecedores que não respeitam direitos humanos, meio ambiente ou diversidade, mesmo que isso custe mais,” declarou.

Esse tipo de posicionamento, apesar de parecer custoso no curto prazo, fortalece a cultura corporativa e contribui para a atração e retenção de talentos.

A inteligência artificial e o novo papel das empresas

Questionado sobre o impacto da inteligência artificial no mundo corporativo, Karnal foi categórico: “Estamos colocando no centro da arena uma habilidade que ninguém tem”.

Para ele, o avanço da IA exige uma transformação profunda na forma como as empresas encaram a formação dos colaboradores. “A empresa precisa se transformar em uma escola, não por caridade, mas por sobrevivência. Assim como muitas escolas já funcionam como empresas”, comparou.

A necessidade de capacitação contínua e acessível será o diferencial competitivo dos próximos anos.

Redefinindo sucesso: do salário ao propósito

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O conceito de sucesso também está mudando, segundo o historiador. O modelo tradicional, baseado apenas em estabilidade e renda, perdeu força entre os mais jovens.

“A tendência mundial é job, não emprego. Um contrato por projeto, não um projeto de vida. O desafio é criar estabilidade em um mundo instável”, analisa.

Nesse contexto, oferecer altos salários não basta. É preciso proporcionar propósito, escuta ativa e oportunidades de crescimento real. “A nova geração quer propósito, escuta e oportunidades de crescimento real”, afirma Karnal.

O papel da escuta na liderança moderna

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Imagem: Freepik

Para fechar sua análise, Leandro Karnal destacou a importância da escuta como ferramenta de liderança eficaz. “Um general perde a guerra quando fica no quartel-general e não vai às trincheiras. Ouvir seus funcionários, fazer pesquisas, entender que até uma crítica injusta diz algo sobre o ambiente… isso é liderança moderna.”

Em um mundo cada vez mais instável, ouvir deixou de ser apenas uma habilidade desejável, tornou-se uma necessidade estratégica.

Conclusão: o equilíbrio como prioridade

A fala de Leandro Karnal ressoa como um chamado à responsabilidade: tanto dos líderes quanto dos próprios profissionais, que precisam valorizar sua saúde emocional acima de resultados imediatos.

Seja diante da pressão corporativa, da promessa de altos salários ou da tentação de normalizar ambientes tóxicos, a reflexão é clara: saúde mental não é luxo, é base de qualquer relação de trabalho sustentável.

Com informações de: Exame

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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