A esperança de ver uma queda mais rápida na taxa básica de juros do Brasil, a Selic, ficou para trás. De acordo com o mais recente levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras já trabalham com a perspectiva de que o ciclo de cortes só começará no primeiro trimestre de 2026.
Adeus juros baixos? Selic só deve cair em 2026, apontam bancos — entenda o motivo
Bancos projetam início do corte da Selic apenas em 2026. Entenda as razões econômicas e os impactos esperados no crédito e no PIB.
O estudo, realizado entre 23 e 29 de setembro com 21 bancos, mostrou que o número de instituições que acreditam em cortes já no início do próximo ano subiu de 70% para 85,7%. A projeção é que a primeira redução seja de 0,25 ponto percentual na reunião de janeiro, seguida por duas quedas de 0,50 p.p., o que levaria a Selic para 13,75% até abril de 2026.
Leia Mais:
Feriados de 2026: descubra quando terá folga prolongada durante o ano
Um cenário de cautela: por que o corte dos juros deve demorar

Pressões inflacionárias persistem
Apesar de um certo controle dos preços nos últimos meses, as pressões inflacionárias globais e domésticas ainda pesam sobre as decisões do Banco Central. No Brasil, a inflação continua acima do centro da meta, o que dificulta movimentos de afrouxamento monetário.
Além disso, a volatilidade do câmbio e o aumento das commodities agrícolas — especialmente após tensões geopolíticas recentes — têm levado os analistas a adotar uma postura mais prudente nas projeções.
O papel dos Estados Unidos e do cenário externo
Outro fator determinante é o comportamento do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Segundo a pesquisa da Febraban, 85,7% dos analistas esperam dois cortes de 0,25 ponto percentual nos juros dos Estados Unidos ainda em 2025. A expectativa é que o mercado de trabalho americano em desaceleração abra espaço para essa flexibilização, o que poderia aliviar parte da pressão sobre moedas emergentes — inclusive o real.
Entretanto, enquanto o Fed não sinalizar de forma clara o início de um ciclo mais robusto de cortes, o Banco Central brasileiro tende a adotar uma política conservadora para evitar desequilíbrios financeiros.
Impactos no crédito e na economia real
Crédito desacelera e inadimplência preocupa
A pesquisa da Febraban também revelou uma mudança de humor entre os bancos quanto ao crescimento do crédito. Embora a expansão total da carteira de crédito tenha sido mantida em 8,7%, há diferenças relevantes entre os segmentos.
O crédito direcionado, impulsionado por programas do governo, deve crescer levemente de 9,6% para 9,8%. Já o crédito livre, mais sensível às condições de mercado, caiu de 8,1% para 8,0%, reflexo das condições financeiras apertadas e da alta inadimplência.
“As projeções consolidam a perspectiva de acomodação do crédito neste segundo semestre, fenômeno que já vem sendo observado nos últimos meses”, afirmou Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
A inadimplência continua sendo um ponto de atenção. A projeção para a carteira de recursos livres subiu de 5,0% para 5,1% em 2025 — ainda abaixo dos 5,4% atuais. Para 2026, espera-se uma melhora gradual, com o índice recuando para 4,9%.
PIB sob revisão: otimismo dá lugar à moderação

Mesmo com o crédito ainda em expansão, o PIB projetado para 2025 manteve-se em 2,2%, mas com aumento no número de instituições prevendo resultados mais fracos. O desaquecimento do consumo das famílias e o encarecimento do crédito são apontados como fatores que devem conter o ritmo da economia a partir do segundo semestre de 2025.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A retomada mais consistente só deve ocorrer a partir de 2026, impulsionada pela queda gradual da Selic, pela recuperação do investimento privado e pelo maior dinamismo do mercado de trabalho.
O que esperar de 2026: alívio gradual e otimismo moderado
Inflação sob controle e leve avanço do crédito
A pesquisa da Febraban mostra que, embora o cenário de curto prazo seja de cautela, o ano de 2026 tende a marcar o início de um ciclo de estabilização econômica. A inflação deve ficar próxima de 4,3%, dentro do intervalo da meta, e a expansão projetada do crédito deve subir de 7,8% para 7,9%.
Esse avanço, ainda que modesto, é visto como sinal de confiança na capacidade da economia brasileira de retomar o crescimento de forma sustentável.
Política fiscal ainda é incerteza
Apesar das perspectivas positivas, a política fiscal segue como fator de risco. A manutenção das contas públicas sob controle é considerada essencial para evitar uma alta do prêmio de risco e manter a credibilidade do país.
Economistas lembram que qualquer desequilíbrio nas metas fiscais pode adiar ainda mais o ciclo de cortes da Selic. O relacionamento entre o governo e o Banco Central também será determinante para definir o ritmo das futuras decisões de política monetária.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

