A confiança do setor industrial brasileiro voltou a recuar em fevereiro de 2026, reforçando um cenário de cautela prolongada entre os empresários. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 0,3 ponto no mês, passando de 48,5 para 48,2 pontos.
Com Selic em 15%, confiança da indústria segue em queda, diz CNI
Com Selic em 15%, Índice de Confiança do Empresário Industrial cai pelo 14º mês seguido. Entenda impactos no crédito e na economia.
Com esse resultado, o indicador completa 14 meses consecutivos abaixo da marca de 50 pontos, nível que separa confiança de falta de confiança. Na prática, isso significa que a maioria dos industriais segue avaliando o ambiente econômico de forma negativa, mesmo após uma leve recuperação registrada em janeiro.
Selic em 15% pressiona crédito e decisões de investimento
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O novo recuo do Icei ocorre em um contexto de política monetária restritiva. A taxa básica de juros, a Selic, foi fixada em 15% ao ano pelo Banco Central, patamar que mantém o Brasil entre os países com os maiores juros reais do mundo.
Esse nível elevado de juros afeta diretamente o custo do crédito no país. Linhas de financiamento para capital de giro, aquisição de máquinas e expansão da produção tornam-se mais caras, o que desestimula novos investimentos industriais. O impacto também alcança o consumo, já que famílias enfrentam juros mais altos em empréstimos e financiamentos, reduzindo a demanda por bens industriais.
Crédito caro afeta empresas e consumidores
Segundo avaliação da CNI, o encarecimento do crédito é um dos principais canais pelos quais os juros elevados desaceleram a atividade econômica. Empresas encontram maior dificuldade para financiar suas operações, enquanto consumidores adiam compras de maior valor, como veículos, eletrodomésticos e imóveis.
Esse efeito duplo cria um ambiente de menor circulação de recursos, afetando diretamente a produção industrial. Setores mais dependentes de crédito, como bens de capital e bens duráveis, tendem a sentir o impacto de forma mais intensa.
Expectativas mais cautelosas para os próximos meses
Além de afetar o presente, a política monetária restritiva influencia as projeções dos empresários para o futuro. Com juros altos por um período prolongado, cresce a percepção de que a economia pode perder fôlego nos próximos meses.
Esse cenário leva as empresas a reverem planos de contratação, expansão e investimento. Mesmo aquelas que mantêm operação estável passam a adotar estratégias mais conservadoras, priorizando controle de custos e preservação de caixa.
Condições atuais seguem avaliadas de forma negativa
O Índice de Condições Atuais, um dos componentes do Icei, recuou 0,2 ponto em fevereiro, atingindo 43,8 pontos. Esse nível indica que os industriais avaliam que tanto a economia brasileira quanto os próprios negócios estão em situação pior do que há seis meses.
A queda foi puxada principalmente por uma percepção mais negativa sobre a situação das próprias empresas. Apesar disso, houve leve melhora na avaliação do cenário econômico geral, o que sugere alguma expectativa de estabilização macroeconômica, ainda insuficiente para reverter o pessimismo no ambiente empresarial.
Expectativas ainda positivas, mas em desaceleração
Embora permaneça acima da linha de 50 pontos, indicando perspectivas positivas para os próximos seis meses, o recuo mostra perda de fôlego nas projeções dos empresários.
A deterioração está concentrada nas expectativas sobre o desempenho das próprias empresas, mesmo com uma visão um pouco mais favorável em relação à economia como um todo. Isso indica que, apesar de sinais macroeconômicos ligeiramente melhores, os desafios práticos do dia a dia empresarial seguem pesando mais nas decisões.
Perfil das empresas ouvidas pela CNI
A pesquisa da CNI ouviu 1.103 empresas industriais entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026. Do total, 454 são pequenas empresas, 400 médias e 249 grandes indústrias. Essa diversidade de porte reforça que a queda de confiança não está restrita a um segmento específico, mas reflete uma percepção generalizada no setor industrial.
Pequenas e médias empresas, em especial, tendem a sentir mais fortemente o impacto dos juros elevados, já que possuem menor acesso a crédito com condições diferenciadas e menos margem financeira para absorver custos mais altos.
O que o recuo indica?
A manutenção da confiança industrial em níveis baixos sinaliza um ritmo mais lento de crescimento econômico no curto e médio prazo. A indústria tem papel central na geração de empregos, no investimento produtivo e na cadeia de fornecimento de diversos setores.
Quando o empresariado industrial se mostra cauteloso, os reflexos costumam aparecer na redução de investimentos, na postergação de projetos e na menor criação de vagas formais. Por isso, o Icei é acompanhado de perto por analistas, investidores e formuladores de política econômica.
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FAQ
O que é o Icei?
O Icei é um indicador calculado pela CNI que mede a percepção dos empresários industriais sobre a situação atual da economia e das próprias empresas, além das expectativas para os próximos seis meses.
Juros altos afetam apenas grandes indústrias?
Não. Pequenas e médias empresas costumam sentir ainda mais os efeitos dos juros elevados, pois têm menos acesso a crédito com condições favoráveis e menor capacidade de absorver custos financeiros altos.
A queda da confiança industrial pode afetar o emprego?
Sim. Quando a confiança está baixa, as empresas tendem a adiar investimentos e contratações, o que pode resultar em menor geração de empregos formais e desaceleração do mercado de trabalho.
Considerações finais
O recuo do Índice de Confiança do Empresário Industrial em fevereiro reforça os desafios enfrentados pela indústria brasileira em um ambiente de juros elevados. Com a Selic em 15% ao ano, o crédito segue caro, as expectativas se tornam mais cautelosas e o setor completa mais de um ano abaixo do nível de confiança.
Enquanto a política monetária permanecer restritiva, a tendência é de que empresários mantenham decisões mais conservadoras, aguardando sinais mais claros de retomada do crescimento econômico e de redução sustentável das taxas de juros.
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