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Juros podem alcançar níveis recordes até março de 2026, dizem bancos

Selic deve continuar em 14,75% até o 1º trimestre de 2026, segundo o Morgan Stanley. Projeções indicam inflação alta e mercado resistente aos sinais do BC.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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O Banco Central do Brasil deve manter a taxa Selic em 14,75% ao ano até o fim do primeiro trimestre de 2026. Essa previsão, que contraria parte significativa do mercado financeiro, foi apresentada por Ana Madeira, economista-chefe do Morgan Stanley, em entrevista à agência Reuters.

De acordo com Madeira, as sinalizações mais recentes da autoridade monetária apontam para uma estratégia de juros altos sustentados, mesmo que o mercado insista em antecipar cortes antes do final de 2025. “O ponto em que eles estão ‘hawk’ é no ‘higher for longer’, mas o mercado não está querendo ler isso”, afirmou.

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A visão do Morgan Stanley sobre a postura do BC

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A economista destacou que o Banco Central teria dificuldade para convencer os investidores de sua postura sem uma nova elevação dos juros. Segundo ela, uma alta adicional de 25 pontos-base na Selic poderia servir como um “sinal de força”, mas essa alternativa não parece estar no radar da instituição.

“O BC precisaria dar mais uma alta de 25 pontos-base para o mercado começar a comprar a ideia de que ele vai manter a Selic alta por período prolongado mesmo, mas não acho que eles têm intenção de dar novo aumento”, completou.

Curva de juros reflete incertezas

O cenário atual é de estabilidade da Selic em 14,75%, conforme indica a curva de juros. Para dezembro deste ano, há divisão entre os analistas: parte acredita em manutenção, enquanto outra aposta em um pequeno corte. Já no início de 2026, o consenso entre economistas aponta para uma possível redução de 25 pontos-base na primeira reunião do ano.

Essa leitura é influenciada por declarações recentes de membros do Banco Central, em especial do presidente Gabriel Galípolo, que tem reforçado o tom cauteloso na condução da política monetária.

Gabriel Galípolo e a defesa da prudência

Na última sexta-feira (23), Galípolo afirmou que “a cautela quer dizer que, dado o estágio que nós estamos na política monetária e dada a incerteza, o Banco Central não deveria fazer movimentos bruscos”. A fala reforça a percepção de que a instituição busca ganhar tempo diante das variáveis econômicas ainda instáveis, especialmente a inflação.

Inflação segue como obstáculo ao corte de juros

Projeções de inflação acima da meta

Mesmo com uma expectativa de crescimento moderado do PIB, a inflação continua sendo o principal empecilho para a flexibilização monetária. O Morgan Stanley projeta alta de preços de 5,6% em 2025 e de 4,4% em 2026 — ambas acima do centro da meta inflacionária de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

A meta possui margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que coloca o teto em 4,5%. Assim, a estimativa para 2025 já excede esse limite, e a de 2026 se aproxima perigosamente.

Riscos de desancoragem das expectativas

Esse cenário gera temor de desancoragem das expectativas inflacionárias, algo que o Banco Central tenta evitar a todo custo. Juros elevados ajudam a conter o consumo e o crédito, reduzindo a pressão sobre os preços — mas também sacrificam o crescimento e encarecem o financiamento da dívida pública.

A persistência da inflação e os desafios do consumo

“Os dados do mercado de trabalho estão fortes, o desemprego está baixo. Então, quanto este consumo privado consegue desacelerar?”, questionou Ana Madeira.

A força do mercado de trabalho contribui para o aquecimento do consumo, o que por sua vez pressiona os índices de preços. Assim, o ciclo de cortes de juros precisaria ser adiado para que a política monetária continue combatendo essa pressão inflacionária.

Projeções econômicas para 2025 e 2026

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Imagem: Natanael Ginting / shutterstock.com

Crescimento do PIB e otimismo cauteloso

O Morgan Stanley prevê uma alta de 2,3% no Produto Interno Bruto brasileiro em 2025, número alinhado com o consenso de mercado. No entanto, a instituição acredita que há espaço para um crescimento ainda maior, sustentado por uma combinação de fatores positivos, como mercado de trabalho aquecido e estabilidade fiscal.

Expectativas do mercado financeiro

Apesar das estimativas otimistas para a atividade econômica, a resistência do mercado financeiro ao cenário de “juros altos por mais tempo” permanece. Muitos investidores ainda esperam cortes ao longo do segundo semestre de 2025, especialmente diante de qualquer sinal de desaceleração inflacionária.

Entretanto, a comunicação do Banco Central tem sido firme no sentido contrário: manter os juros em patamares elevados é essencial para garantir que a inflação convirja para a meta.

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Selic em perspectiva histórica

Comparação com outros ciclos de alta

A Selic em 14,75% representa um dos maiores patamares desde o início do regime de metas de inflação no Brasil. Essa taxa foi utilizada em outros momentos de crise, como em 2016, e sempre gerou impactos profundos sobre o crédito, o consumo e os investimentos.

Hoje, o contexto é diferente, com uma inflação mais resiliente, um mercado de trabalho robusto e uma dívida pública em patamar preocupante. Nesse ambiente, a margem de manobra para cortes rápidos nos juros é bastante limitada.

O impacto da Selic no dia a dia

Para os consumidores, uma Selic alta significa crédito mais caro, financiamentos mais difíceis e menor poder de compra. Para o governo, o custo da dívida pública sobe, pressionando o orçamento. Para os investidores, títulos do Tesouro Direto e outros produtos atrelados à Selic ganham atratividade, mas o mercado de ações tende a sofrer.

O que esperar para os próximos meses

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Imagem: Freepik e Canva

Decisões futuras do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central continuará sendo o centro das atenções. A cada reunião, novas pistas serão dadas sobre a disposição da instituição em manter sua política rígida. Declarações públicas, dados econômicos e tendências globais influenciarão diretamente as próximas decisões.

Fatores que podem mudar o cenário

O cenário pode ser alterado por mudanças em variáveis como:

  • Inflação corrente e expectativas futuras
  • Crescimento do PIB
  • Mercado de trabalho
  • Política fiscal e reformas
  • Ambiente internacional, especialmente nos EUA e China

Conclusão: entre o desejo do mercado e a cautela do BC

A perspectiva de uma Selic mantida em 14,75% até o primeiro trimestre de 2026 mostra que o Banco Central está disposto a manter sua política de combate à inflação com firmeza, mesmo sob críticas e pressões. Resta saber se o mercado, os consumidores e o governo estarão dispostos a suportar esse cenário por tanto tempo.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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