A taxa Selic, principal ferramenta de política monetária do Banco Central, deve continuar sua trajetória de alta nos próximos meses, com a expectativa de que atinja 12,25% ao ano no início de 2025, de acordo com a pesquisa pré-Copom realizada pelo BTG Pactual. Com o cenário de inflação persistente e a necessidade de controle fiscal, o mercado financeiro está ajustando suas projeções para a economia brasileira, prevendo ajustes graduais na Selic até meados de 2025, com a possibilidade de estabilização nos próximos anos.
Juros subindo: Selic deve ultrapassar 12% e permanecer alta, alerta BTG
Pesquisa realizada pelo BTG Pactual aponta que a Selic deve subir nas próximas reuniões, ficando acima de 12% até o final de 2025.
O que diz a pesquisa do BTG Pactual?

A pesquisa foi realizada com gestores, traders e economistas e aponta um cenário claro de aumento da taxa de juros nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) previstas para os próximos meses. De acordo com o levantamento, a grande maioria dos participantes acredita que a Selic será elevada em 0,50 ponto percentual já na reunião de novembro deste ano. Esse aumento é visto como necessário para combater a inflação e estabilizar a economia, mas a continuidade dos ajustes também será determinante para a trajetória dos juros.
Expectativa de alta nas reuniões de novembro, dezembro e janeiro
Cerca de 94% dos participantes da pesquisa acreditam que o Copom decidirá por um aumento de meio ponto percentual na reunião desta quarta-feira (6 de novembro), elevando a Selic de 10,75% para 11,25% ao ano. A maioria (77%) também espera que o aumento seja repetido nas reuniões seguintes, em dezembro e janeiro, levando a taxa básica de juros a 12,25% ao ano até o começo de 2025.
Essa expectativa reflete a visão dos especialistas sobre as pressões inflacionárias que continuam no Brasil, em grande parte devido a gastos públicos elevados e uma inflação estrutural acima do teto da meta estabelecido pelo Banco Central. A Selic em 12,25% seria um patamar mais alto do que o atual, o que sinaliza que o processo de austeridade monetária continuará até que os preços e a economia se estabilizem.
A comunicação do Copom: O que o mercado espera?
Com a expectativa quase unânime de aumento de 0,50 ponto percentual, a principal dúvida do mercado recai sobre o comunicado que acompanhará a decisão do Copom. Segundo a pesquisa do BTG Pactual, cerca de 49% dos entrevistados acreditam que o comunicado indicará que o ritmo atual de ajustes é compatível com o controle inflacionário, mas sem dar pistas claras sobre futuros aumentos. Outros 39% acham que o comunicado não trará qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária.
Há, no entanto, uma parcela de 20% dos participantes que espera uma comunicação mais aberta à possibilidade de aceleração na política de ajustes monetários. Isso pode ser um reflexo da incerteza quanto ao impacto de fatores externos, como as taxas de juros nos EUA e o comportamento dos mercados internacionais, que podem influenciar o ritmo da inflação no Brasil.
A Selic deve continuar acima de 12% em 2025?
De acordo com as projeções, a taxa de juros não deve voltar a patamares baixos tão cedo. A maioria dos participantes da pesquisa (44%) acredita que a Selic permanecerá acima de 12% ao ano até o final de 2025. Essa previsão é reforçada pela percepção de que a inflação continuará pressionando a política monetária até pelo menos o segundo semestre de 2025.
Já 21% dos entrevistados projetam uma Selic entre 10,75% e 11,25% ao final de 2025, enquanto 21% acreditam que a taxa ficará entre 11,50% e 12,00%. Essa distribuição de expectativas indica que, embora a maioria espere uma taxa de juros elevada, há uma parcela considerável do mercado que projeta uma leve queda, à medida que o controle inflacionário for sendo alcançado.
O cenário para cortes na Selic
Outro dado relevante da pesquisa é que 86% dos participantes acreditam que a chance de cortes na taxa de juros antes do segundo semestre de 2025 é muito baixa. Isso indica que, mesmo com a projeção de estabilização da inflação, o Banco Central provavelmente manterá a Selic elevada por um período prolongado para garantir que a economia se ajuste adequadamente.
O impacto fiscal e a inflação
Além da política monetária, a pesquisa também trouxe reflexões sobre o quadro fiscal do Brasil. Um ponto de preocupação é o impacto das medidas de contenção de despesas do governo. A pesquisa indicou que 36% dos respondentes acreditam que o impacto será entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, enquanto outros 28% projetam uma redução entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.
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Essas medidas de contenção, embora necessárias, ainda não são vistas como suficientes para resolver o quadro fiscal do Brasil. A inflação, que já ultrapassa o teto da meta de 4,5% para 2024, é uma das grandes preocupações. 55% dos participantes acreditam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ultrapassará os 4,5% em 2024, o que obrigará o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo.
Expectativas sobre o câmbio e o FED

Além das projeções para a Selic e a inflação, a pesquisa do BTG Pactual também incluiu análises sobre a taxa de juros nos EUA (FED) e o câmbio. A maioria dos participantes (59%) acredita que a taxa de juros do FED em dezembro de 2025 ficará entre 3,25% e 3,75%, enquanto uma parte significativa (38%) projeta um Fed Funds entre 4,0% e 4,5%.
Em relação ao câmbio, 35% dos entrevistados veem o real oscilando entre R$ 5,35 e R$ 5,55 por dólar nos próximos 12 meses. Outra 36% projeta uma desvalorização da moeda brasileira para o intervalo entre R$ 5,55 e R$ 5,75.
Essas expectativas estão alinhadas com a visão de que o mercado financeiro seguirá cauteloso, diante do cenário fiscal desafiador e da necessidade de ajustes contínuos nas taxas de juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Conclusão
A pesquisa do BTG Pactual revela um cenário de alta persistente da Selic, com o mercado antecipando um aumento de juros nas próximas reuniões do Copom, seguido por ajustes adicionais até meados de 2025. Esse ciclo de aumento, associado a uma inflação acima do teto e a um cenário fiscal delicado, deverá manter os juros elevados por um período prolongado, possivelmente até o final de 2025.
Com isso, o Brasil enfrentará um ano desafiador em termos de política monetária, mas com uma expectativa de estabilidade a partir de 2025, quando a Selic deve começar a se estabilizar após esse ciclo de ajustes.
