A manutenção da Selic em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) é vista como um movimento esperado pelos gestores do mercado financeiro. Segundo pesquisa da XP com gestores multimercados, há consenso de que a taxa básica de juros permanecerá nesse patamar na reunião desta terça (4) e quarta-feira (5). A previsão é que o ciclo termine em 2026 com a Selic ainda alta, próxima de 12,2%.
Manutenção da Selic em 15% pelo Copom: entenda por que o “kit Brasil” virou prioridade dos gestores
Copom deve manter a Selic em 15%. Entenda por que o “kit Brasil” se destaca entre gestores e o que isso indica para 2026. Leia a análise.
A decisão reforça o interesse de investidores pelo chamado “kit Brasil” — uma cesta que combina Real, juros pré-fixados e Bolsa local. Continue a leitura para entender por que esse conjunto de ativos se tornou prioridade entre gestores e o que ele revela sobre o cenário econômico do país.
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Expectativa de estabilidade na Selic e valorização dos ativos locais

A pesquisa da XP mostra que 100% dos gestores consultados acreditam na manutenção da Selic em 15%, diante de um contexto global de queda de juros nos Estados Unidos e maior apetite internacional por risco.
Esse cenário tem fortalecido o “kit Brasil”, formado por 33% de Real, 33% de juros pré-fixados e 33% de Bolsa brasileira. A combinação apresentou desempenho superior ao CDI ao longo de 2025, sinalizando confiança na economia nacional.
Segundo o levantamento, “as estratégias que antes estavam defensivas migraram para um posicionamento mais direcional, refletindo um ambiente macro mais benigno e a percepção de que o ciclo de reprecificação global tende a favorecer os mercados emergentes, incluindo o Brasil”.
Inflação em trajetória de ancoragem
Outro ponto positivo destacado pelos gestores é o comportamento da inflação. No início de 2025, a expectativa era de 5,71%, mas caiu para 4,51%, segundo a pesquisa. Apesar de ainda distante do centro da meta de 3%, o dado indica uma trajetória de ancoragem — movimento visto como sinal de estabilidade de preços.
De acordo com a XP, essa melhora é explicada por fatores externos e internos, como:
- Desvalorização do dólar, reduzindo a pressão sobre os preços importados;
- Desaceleração global, que diminui a demanda e ajuda a conter a inflação;
- Expectativas ancoradas, reforçadas pela postura conservadora do Banco Central.
Esse contexto permite ao Copom manter a Selic em nível elevado sem comprometer o equilíbrio macroeconômico.
Câmbio: avanço das posições “compradas” em Real
O otimismo também é visível no mercado cambial. A pesquisa revela que 76% dos gestores estão “comprados” em Real, ante 33% em janeiro. Esse movimento reflete a percepção de corte de juros nos EUA e o fortalecimento das moedas emergentes.
A XP destaca que o “call de dólar fraco” segue como uma das principais apostas do mercado. Segundo o levantamento, “o movimento reflete tanto a expectativa de cortes nos EUA quanto a melhora marginal da perspectiva doméstica, com apenas 23% dos gestores mantendo visão negativa para a economia local, ante 84% em janeiro”.
Juros e renda fixa: foco nos títulos nominais
No segmento de juros, o destaque é a preferência crescente pelos títulos nominais. A proporção de gestores expostos a esses papéis passou de 17% em janeiro para 65% em novembro, indicando maior confiança em uma política monetária previsível e na estabilidade da Selic.
A renda fixa pré-fixada também se beneficia desse ambiente. Com a taxa de juros mantida em nível alto, investidores buscam capturar retornos acima do CDI sem abrir mão da segurança.
Multimercados e Bolsa: apetite crescente por risco local
Os fundos multimercados vêm apresentando melhor desempenho no curto prazo, superando o CDI e recuperando parte das perdas do início do ano. A pesquisa da XP aponta um aumento do apetite por risco entre gestores, com destaque para a Bolsa brasileira.
- O percentual de gestores “comprados” em ações locais subiu de 33% em janeiro para 46% em novembro.
- Em setembro, esse índice chegou a 64%, mas sofreu ajuste com a queda do petróleo e movimentos de correção natural.
- Já a exposição à Bolsa dos Estados Unidos caiu de 60% para 46%, sinalizando foco maior em ativos nacionais.
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Fora dos EUA, a postura permanece neutra, demonstrando cautela diante das incertezas internacionais.
O que explica a confiança no “kit Brasil
A valorização do Real, o controle gradual da inflação e a estabilidade da Selic têm criado um ambiente favorável para o retorno de capital estrangeiro. O “kit Brasil” representa uma estratégia equilibrada que combina ativos de diferentes naturezas — cambial, de renda fixa e variável —, aproveitando as oportunidades internas com menor exposição a riscos externos.
Esse movimento é reforçado pela percepção de que os mercados emergentes estão mais atrativos, especialmente diante de uma possível política monetária mais branda nos EUA. A tendência é que investidores globais continuem aumentando posições no Brasil, beneficiando setores estratégicos e impulsionando a liquidez do mercado doméstico.
Perspectivas até 2026

Para os próximos dois anos, o consenso entre os gestores é de queda gradual da Selic, encerrando 2026 em torno de 12,2%. A expectativa é que o Banco Central mantenha prudência, priorizando o equilíbrio fiscal e a estabilidade inflacionária antes de iniciar cortes mais expressivos.
Enquanto isso, o “kit Brasil” deve continuar atraindo investidores. A combinação de câmbio fortalecido, juros elevados e Bolsa com valuations atrativos consolida o país como um destino de destaque entre as economias emergentes.
A manutenção da Selic em 15% reforça o compromisso do Copom com a estabilidade econômica e confirma a confiança crescente dos investidores no Brasil. Mesmo com desafios fiscais e externos, o cenário de 2025 aponta para maior previsibilidade e otimismo moderado — um terreno fértil para quem aposta no “kit Brasil”.
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Com informações de: InfoMoney
