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Economia resiliente muda expectativa para a Selic, diz banco

A expectativa de uma queda mais rápida da Selic sofreu um novo revés. O banco francês BNP Paribas revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a trabalhar com um cenário de juros mais elevados por mais tempo, refletindo uma atividade econômica mais forte do que o esperado e uma inflação que continua resistente. […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 6 min de leitura
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A expectativa de uma queda mais rápida da Selic sofreu um novo revés. O banco francês BNP Paribas revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a trabalhar com um cenário de juros mais elevados por mais tempo, refletindo uma atividade econômica mais forte do que o esperado e uma inflação que continua resistente.

A instituição aumentou suas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), elevou as previsões para a inflação e revisou para cima a taxa básica de juros ao final de 2026. O movimento reforça uma percepção que tem ganhado força entre economistas: o Banco Central terá menos espaço para reduzir a Selic nos próximos meses.

Para consumidores, investidores e empresas, a mudança nas projeções ajuda a entender por que financiamentos continuam caros, por que a renda fixa segue atraente e por que a inflação ainda preocupa.

Leia mais:

Afinal, de que forma a Selic influencia as taxas de juros?

O que mudou nas projeções para a Selic?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O BNP Paribas elevou sua expectativa para a Selic ao final de 2026.

A previsão passou de 13,5% para 14% ao ano.

Embora a instituição ainda espere um corte de 0,25 ponto percentual em uma das próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), os economistas acreditam que o ciclo de redução dos juros deve ser interrompido logo em seguida.

Na prática, isso significa que a Selic poderá permanecer em níveis elevados durante boa parte de 2026.

Por que a Selic continua pressionada?

A principal razão está na combinação entre crescimento econômico mais forte e inflação acima do desejado.

Quando a economia cresce em ritmo acelerado, o consumo aumenta. Isso tende a impulsionar a demanda por produtos e serviços, o que pode gerar novas pressões sobre os preços.

Como a principal função da Selic é ajudar a controlar a inflação, o Banco Central costuma agir com cautela diante desse cenário.

Economia surpreende positivamente

Os dados mais recentes mostraram que a atividade econômica continua aquecida.

O PIB brasileiro cresceu no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias.

Segundo os economistas do BNP Paribas, a economia brasileira tem demonstrado uma resiliência superior à prevista anteriormente.

O mercado de trabalho segue gerando empregos, enquanto a renda dos trabalhadores continua avançando, ainda que em ritmo mais moderado.

Medidas do governo ajudam a impulsionar o consumo

Outro fator citado pelo banco é o impacto das políticas de estímulo adotadas pelo governo federal.

Diversas medidas anunciadas recentemente devem aumentar a renda disponível das famílias e facilitar o acesso ao crédito.

Entre elas estão:

  • Ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda;
  • Programas habitacionais;
  • Linhas de crédito para reforma de imóveis;
  • Renegociação de dívidas;
  • Financiamentos para empresas.

Segundo os cálculos da instituição, o conjunto dessas iniciativas representa um estímulo equivalente a cerca de 1,3% do PIB.

Consumo das famílias deve crescer mais

Diante desse cenário, o BNP Paribas elevou sua projeção para o consumo das famílias em 2026.

A expectativa passou de 1,3% para 2,1%.

Esse aumento do consumo ajuda a sustentar o crescimento econômico, mas também dificulta uma desaceleração mais rápida da inflação.

Inflação continua acima do esperado

Se a atividade econômica traz boas notícias para o crescimento do país, o mesmo não pode ser dito da inflação.

Os economistas apontam que os índices de preços continuam surpreendendo negativamente.

Entre os principais fatores estão:

Alimentos mais caros

Os preços dos alimentos seguem pressionados por fatores climáticos e por custos globais maiores.

Além disso, as tensões geopolíticas internacionais e a volatilidade das commodities contribuem para elevar despesas relacionadas à produção agrícola.

O BNP Paribas revisou sua projeção para a inflação dos alimentos consumidos em casa para 8,5% em 2026.

Serviços seguem pressionados

O mercado de trabalho aquecido também mantém a inflação de serviços em patamares elevados.

Com mais pessoas empregadas e renda maior circulando na economia, setores como alimentação fora do lar, transporte e serviços pessoais tendem a registrar reajustes frequentes.

El Niño pode aumentar pressão sobre os preços

Outro fator de preocupação citado pelo banco é o risco climático.

Os modelos meteorológicos passaram a indicar uma probabilidade maior de ocorrência de um fenômeno El Niño forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

Caso o cenário se confirme, algumas das principais regiões produtoras do país podem enfrentar:

  • Secas prolongadas;
  • Mudanças no regime de chuvas;
  • Queda na produtividade agrícola;
  • Pressão adicional sobre os alimentos.

Regiões podem ser diretamente afetadas

As projeções indicam possíveis impactos em áreas importantes para a produção agrícola brasileira, incluindo:

  • MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia);
  • Região Norte;
  • Estados do Sul do Brasil.

Essas alterações climáticas podem afetar a oferta de alimentos e contribuir para manter a inflação elevada.

Qual é a nova projeção para o IPCA?

O banco também revisou para cima suas estimativas para a inflação oficial do país.

As novas projeções indicam:

  • IPCA de 5,6% em 2026;
  • IPCA de 4,6% em 2027.

Os números permanecem acima da meta perseguida pelo Banco Central, o que ajuda a justificar uma política monetária mais conservadora.

Como a Selic afeta a vida dos brasileiros?

A Selic influencia praticamente todos os aspectos da economia.

Crédito e financiamentos

Quando os juros permanecem elevados:

  • Financiamentos imobiliários ficam mais caros;
  • Empréstimos pessoais custam mais;
  • Parcelamentos têm juros maiores;
  • Empresas enfrentam crédito mais caro.

Investimentos

Por outro lado, aplicações de renda fixa tendem a se beneficiar.

Produtos como:

  • Tesouro Selic;
  • CDBs;
  • LCIs;
  • LCAs;
  • Fundos DI;

costumam oferecer rentabilidades mais atrativas em cenários de juros elevados.

O que esperar das próximas decisões do Copom?

BC Faixada do Banco Central do Brasil - taxa selic mercado copom
Imagem: Jo Galvao / Shutterstock.com

A palavra-chave para os próximos meses é cautela.

Embora ainda exista expectativa de algum ajuste pontual na Selic, o cenário desenhado por grandes instituições financeiras indica que o Banco Central deverá agir com prudência para evitar uma desancoragem das expectativas de inflação.

A combinação de crescimento econômico resiliente, mercado de trabalho aquecido, estímulos fiscais e riscos climáticos reduz significativamente o espaço para cortes agressivos dos juros.

Para consumidores e investidores, isso significa que a Selic deve continuar sendo uma das protagonistas da economia brasileira ao longo de 2026, influenciando desde o custo do crédito até o rendimento das aplicações financeiras.

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