Apesar do feriado de 4 de julho nos EUA, a semana passada foi marcada por indicadores relevantes que mantiveram o mercado atento. No Brasil, o Caged mostrou resiliência no emprego, mas a produção industrial decepcionou. O IPCA-15 indicou alívio inflacionário, com pressão em energia elétrica. Já nos EUA, o payroll superou as expectativas, mesmo com salários desacelerando, reacendendo apostas de corte de juros em 2024.
Semana econômica: foco na atividade econômica e inflação no Brasil
Semana econômica é marcada por dados de inflação, atividade e juros no Brasil e nos EUA, com destaque para o IPCA, payroll e ata do FOMC.
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Mercado de trabalho resiliente
Os dados do Caged divulgados na semana passada indicaram que o mercado de trabalho formal segue firme. Foram criadas milhares de vagas com carteira assinada, número acima da expectativa de muitos analistas, o que reforça a tese de recuperação sustentada do emprego no Brasil.
Produção industrial abaixo do esperado
Apesar da boa notícia no mercado de trabalho, a produção industrial de maio veio abaixo do previsto, sinalizando uma desaceleração da atividade econômica. Esse dado coloca em dúvida o fôlego da recuperação no segundo trimestre e pressiona as projeções de crescimento do PIB.
IPCA-15 mostra alívio, mas energia preocupa
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, indicou uma desaceleração no ritmo de alta dos preços. Ainda assim, a energia elétrica apareceu como um ponto de pressão. Esse tipo de inflação localizada pode dificultar uma trajetória mais suave da política monetária, já que o Banco Central observa tais nuances com atenção.
Agenda da semana: inflação, atividade e política monetária
A semana que se inicia promete ser movimentada. Diversos indicadores serão divulgados e devem influenciar as expectativas do mercado, especialmente no que diz respeito à inflação, atividade econômica e os próximos passos da taxa Selic.
Segunda-feira (07/07)
IGP-DI de junho
Logo na abertura da semana, o IGP-DI de junho será divulgado pela FGV. A expectativa é de deflação, o que reforçaria a tendência de alívio nos preços ao produtor, algo importante para a formação dos preços ao consumidor no médio prazo.
Relatório Focus
O Banco Central divulga o Relatório Focus, trazendo as expectativas do mercado para inflação, PIB, câmbio e Selic. O documento será especialmente observado em razão da recente piora nas projeções para o IPCA e a taxa básica de juros.
Anfavea: dados do setor automotivo
A Anfavea publica os números de produção e vendas de veículos em junho. Esse dado serve como termômetro da atividade industrial e do consumo das famílias.
Vendas no varejo da zona do euro
No campo internacional, a Europa apresenta os dados de vendas no varejo referentes ao mês de maio. A divulgação ajuda a entender a dinâmica de consumo no continente.
Terça-feira (08/07)
IPC-S semanal
A FGV apresenta o IPC-S da primeira semana de julho. O indicador oferece uma visão antecipada do comportamento dos preços ao consumidor.
Pesquisa Mensal de Comércio
O IBGE divulga os dados de maio da Pesquisa Mensal de Comércio, que servem para medir o desempenho do setor varejista e seu peso no PIB.
Inflação da China
O mercado asiático volta ao radar com a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor) e do PPI (índice de preços ao produtor) da China. Os números serão fundamentais para avaliar a recuperação econômica do país e seu impacto no comércio global.
Crédito ao consumidor nos EUA
O Federal Reserve publica os dados de crédito ao consumidor em maio, úteis para avaliar o apetite das famílias americanas por consumo e endividamento.
Quarta-feira (09/07)
IGP-M (1ª prévia)
A primeira prévia de julho do IGP-M será conhecida, importante para contratos de aluguel e também como indicativo de pressão de preços.
IC-Br e fluxo cambial
O Banco Central divulga o Índice de Commodities do Brasil (IC-Br), essencial para entender o impacto dos preços internacionais nas exportações. Também será publicado o fluxo cambial semanal.
Ata do FOMC
A grande expectativa do dia recai sobre a ata da última reunião do FOMC, o comitê de política monetária do Federal Reserve. O documento trará detalhes sobre a visão do Fed a respeito da inflação, do mercado de trabalho e de possíveis cortes de juros ainda este ano.
Quinta-feira (10/07)
IPCA de junho
O dado mais aguardado da semana é o IPCA de junho, divulgado pelo IBGE. A estimativa gira em torno de 0,19% no mês, podendo calibrar expectativas para os juros. O Banco Central pode adotar uma postura mais cautelosa caso o número surpreenda negativamente.
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Produção agrícola
Outro dado relevante é o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, também do IBGE, que impacta diretamente a oferta de alimentos e os preços ao consumidor.
Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
Nos Estados Unidos, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego, dados que complementam o cenário do payroll divulgado na semana anterior.
Sexta-feira (11/07)
Serviços e indústria regional
O IBGE fecha a semana com duas pesquisas importantes: a Pesquisa Mensal de Serviços e a Produção Industrial Regional, ambas referentes ao mês de maio. Os dados permitem uma leitura mais granular da economia nacional.
Confiança do setor industrial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que sinaliza o otimismo ou pessimismo dos empresários em relação ao cenário econômico.
Inflação na Alemanha
A Alemanha divulga o índice final de preços ao consumidor de junho, relevante por ser a principal economia da zona do euro e por influenciar a política monetária do BCE.
Resultado fiscal nos EUA
Nos Estados Unidos, o resultado fiscal mensal será publicado, encerrando a semana com mais um dado relevante para o cenário macroeconômico.
Expectativas para a Selic e o Fed

A depender da leitura dos indicadores ao longo da semana, o mercado poderá ajustar suas projeções para os juros no Brasil e nos Estados Unidos. A possibilidade de cortes na Selic permanece no radar, mas depende da confirmação de uma trajetória mais suave da inflação.
Já nos EUA, a combinação de crescimento moderado e inflação controlada reforça o cenário de “pouso suave”, no qual o Fed poderia iniciar uma flexibilização monetária ainda em 2024.
Conclusão: atenção redobrada com inflação e atividade
Em resumo, a semana concentra dados decisivos sobre inflação e atividade econômica em várias frentes. A depender dos resultados, o humor do mercado pode mudar, influenciando decisões de investimento, projeções para os juros e estratégias fiscais e monetárias no Brasil e no exterior.
A volatilidade ainda é uma constante, e o investidor deve seguir atento aos desdobramentos, especialmente nas divulgações do IPCA, da ata do FOMC e da inflação chinesa, que podem redefinir o ritmo das economias nas próximas semanas.
