A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) voltou a defender publicamente uma mudança estrutural no funcionamento do Bolsa Família, programa social que atende milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade. Em entrevista à imprensa, Buzetti reafirmou seu apoio ao programa, mas fez críticas ao que chamou de “cultura do benefício” — um cenário em que famílias evitam se registrar no mercado formal para não perder o auxílio.
Senadora propõe reforma no Bolsa Família e critica ‘cultura do benefício’
Senadora Margareth Buzetti propõe mudança no Bolsa Família para permitir que beneficiários trabalhem com carteira assinada sem perder o auxílio.
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Crítica recai sobre as regras e não sobre o programa

Em suas declarações, a senadora foi enfática ao dizer que sua crítica não é contra o Bolsa Família em si, mas contra as barreiras que impedem a inserção de beneficiários no trabalho formal. “O que eu critiquei foi a pessoa não poder trabalhar registrada, porque senão ela perde o auxílio”, afirmou.
Segundo ela, o atual modelo do programa, apesar de garantir o mínimo necessário para a subsistência, contribui para a manutenção de um ciclo de dependência e informalidade. Ao não permitir que trabalhadores formais mantenham o benefício durante um período de transição, o sistema atual desestimula o crescimento individual e a qualificação profissional.
O problema da informalidade no Brasil
Dados evidenciam o dilema
Estatísticas recentes do IBGE revelam que cerca de 38 milhões de brasileiros trabalham na informalidade — sem carteira assinada, sem recolhimento de INSS e sem direitos trabalhistas garantidos. Muitos deles vivem em lares que recebem o Bolsa Família.
Esse cenário é preocupante não apenas do ponto de vista econômico, mas também social. A informalidade limita o acesso a direitos básicos como aposentadoria, auxílio-doença e licença-maternidade. Além disso, reduz a arrecadação da previdência e dificulta o planejamento fiscal do país.
Benefício pode se tornar armadilha
Para Buzetti, esse modelo cria um paradoxo: o Bolsa Família, ao proteger os mais pobres, também pode estar limitando sua mobilidade social. “A pessoa poderia contribuir com a previdência, gerar mais renda para si e para a economia”, disse.
A proposta da senadora é que o programa seja reformulado para incluir uma faixa de transição, em que o beneficiário possa continuar recebendo o auxílio por determinado período mesmo após conseguir um emprego com carteira assinada.
Modelo já é aplicado em outros países
Casos internacionais inspiram debate
Experiências semelhantes já foram adotadas em países como o Canadá e o Reino Unido, que oferecem uma espécie de “rampa de saída” para beneficiários de programas sociais. Nestes países, a retirada dos benefícios ocorre de forma gradual, conforme a renda familiar vai aumentando.
O objetivo é evitar o chamado “desincentivo ao trabalho”, quando o medo de perder benefícios supera os ganhos de um emprego formal. Esse tipo de abordagem busca conciliar proteção social com incentivos à produtividade e à autonomia financeira.
O exemplo brasileiro do Benefício Variável
No Brasil, iniciativas pontuais já tentaram abordar essa questão. Um exemplo é o Benefício Variável por Composição Familiar, que permitia o acúmulo temporário de benefícios durante a formalização. No entanto, medidas como essa foram interrompidas ou remodeladas ao longo dos anos, sem estabelecer uma política consistente de transição.
Os desafios para mudar o Bolsa Família

Resistência política e orçamentária
Embora a proposta de Buzetti encontre eco em especialistas e parte da opinião pública, ela esbarra em obstáculos políticos e financeiros. Mudanças no Bolsa Família exigem alterações legislativas e podem impactar diretamente o orçamento da União.
Atualmente, o programa tem um custo anual superior a R$ 170 bilhões, e qualquer expansão ou flexibilização deve ser analisada com cautela pela equipe econômica do governo. Há também o risco de que a proposta seja interpretada como um enfraquecimento do pilar social do programa, o que pode gerar desgaste político.
Necessidade de um debate mais amplo
Especialistas em políticas públicas alertam que qualquer mudança no Bolsa Família deve ser acompanhada de estudos técnicos e diálogo com a sociedade civil. O risco de distorções ou de exclusão involuntária de famílias vulneráveis é real.
Ainda assim, há consenso entre analistas de que é preciso encontrar mecanismos que conciliem proteção social com inclusão produtiva. Programas de qualificação profissional, incentivos à formalização e apoio à geração de renda podem ser ferramentas complementares nesse processo.
Impactos esperados com a proposta de Margareth Buzetti
Potencial de formalização da economia
Caso a ideia da senadora avance no Congresso, o Brasil pode ver uma redução significativa da informalidade. Com mais trabalhadores formalizados, o Estado arrecada mais, os trabalhadores têm mais direitos, e a economia tende a ganhar dinamismo.
Além disso, permitir que beneficiários do Bolsa Família mantenham temporariamente o benefício após se registrarem no mercado formal pode encorajar milhões de brasileiros a buscar empregos formais e contribuir com a previdência social.
Quebra de ciclo de pobreza
Outro impacto importante seria a quebra do ciclo de pobreza que atinge muitas famílias. A formalização traz estabilidade, acesso ao crédito, melhores condições de trabalho e oportunidades de ascensão social.
Segundo Buzetti, esse é o objetivo central de sua proposta: transformar o Bolsa Família em uma ponte para o futuro, e não em um ponto de chegada permanente.
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O que dizem os especialistas?
Avaliação positiva, mas com ressalvas
Economistas e sociólogos ouvidos por veículos de imprensa consideram a proposta viável e necessária, mas alertam para a complexidade de sua implementação. Para eles, é fundamental criar critérios claros para a manutenção do benefício, definir prazos e garantir que não haja sobreposição com outras políticas públicas.
Além disso, recomendam que o governo promova campanhas de informação e orientação para os beneficiários, explicando como funcionaria o novo modelo.
Importância de garantir segurança jurídica
Outro ponto citado é a necessidade de segurança jurídica, para que o trabalhador saiba exatamente por quanto tempo manterá o benefício e quais são seus direitos ao entrar no mercado formal.
Sem essas garantias, o receio de perder o auxílio pode continuar sendo um freio à formalização, ainda que a legislação permita essa transição.
Próximos passos

Projeto pode ser formalizado no Senado
Margareth Buzetti já indicou que pretende levar a proposta para o Senado nas próximas semanas. A expectativa é que ela colha assinaturas e articule o apoio de colegas parlamentares para formalizar um projeto de lei.
A discussão pode se intensificar no segundo semestre, à medida que o governo federal também sinaliza com revisões no cadastro do Bolsa Família e medidas para aprimorar os mecanismos de controle e inclusão produtiva.
Participação da sociedade será essencial
A proposta deverá passar por audiências públicas, debates em comissões e articulações com representantes do Executivo. A participação da sociedade civil organizada, de instituições de pesquisa e de movimentos sociais será fundamental para garantir que as mudanças preservem os direitos dos mais pobres.
Considerações finais
A proposta da senadora Margareth Buzetti toca em um ponto sensível, mas necessário: a necessidade de modernizar o Bolsa Família para que ele continue sendo uma rede de proteção eficaz, sem se tornar um entrave à ascensão social.
Ao propor que trabalhadores possam manter o benefício mesmo com carteira assinada, Buzetti não apenas combate a informalidade, mas oferece uma visão mais dinâmica e realista de combate à pobreza. O debate está lançado — e promete gerar reflexões profundas sobre o futuro das políticas sociais no Brasil.
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