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Serasa está cobrando para proteger dados de usuários? Entenda a situação

E-mails da Serasa alertando sobre vazamento de dados e oferecendo o serviço Premium geram polêmica. Entenda os desdobramentos e implicações legais.

Bruna MachadoPor Bruna Machado4 min de leitura
Serasa

A Serasa Experian está no centro de uma polêmica envolvendo proteção de dados pessoais. Consumidores têm relatado o recebimento de e-mails alertando sobre o suposto vazamento de seus dados em listas de terceiros. Como solução, a empresa oferece o Serasa Premium, um serviço pago de monitoramento de informações.

A prática tem levantado questionamentos éticos e legais, especialmente no contexto da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Muitos consumidores sentem-se coagidos a pagar por uma proteção que, na visão de especialistas, deveria ser uma obrigação básica da empresa.

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O Que Diz a Serasa?

Imagem: Freepik / Edit: Seu Crédito Digital

Em nota, a Serasa esclareceu que não é responsável por vazamentos e que o serviço Serasa Premium não substitui suas obrigações legais de proteção de dados. Segundo a empresa, o serviço oferece monitoramento em tempo real para ajudar os consumidores a identificar eventuais usos indevidos de suas informações.

“A Serasa cumpre rigorosamente a legislação brasileira e mantém o mais alto padrão de segurança da informação. Não somos a fonte de vazamentos relatados”, afirmou a companhia em resposta às críticas.

Consumidores Se Sentem Coagidos

Entre os consumidores, a reação aos e-mails da Serasa foi predominantemente negativa. Um cliente, que preferiu não se identificar, relatou:

“Ao ler o e-mail, senti como se meus dados estivessem sequestrados e que eu tivesse que pagar para protegê-los. É como usar o vazamento para lucrar.”

Essa percepção reflete uma crítica frequente: a criação de um sentimento de urgência e medo como estratégia para vender o serviço.

Aspectos Legais da Prática

LGPD e Obrigações das Empresas

De acordo com a LGPD, toda empresa que trata dados pessoais é obrigada a protegê-los de forma adequada. Cobrar por serviços de proteção, como o monitoramento de dados vazados, pode ser interpretado como uma prática abusiva, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“Cobrar por proteção de dados é ilegal, pois trata-se de uma obrigação básica da empresa. Serviços adicionais, como monitoramento, não substituem essa responsabilidade”, declarou o órgão.

Código de Defesa do Consumidor

O CDC também condena práticas que exploram a vulnerabilidade do consumidor. Pedro Carvalho Goularte, advogado e professor universitário, criticou a abordagem da Serasa:

“O uso de linguagem alarmista para vender o serviço pode ser considerado abusivo, pois aproveita-se do medo do consumidor diante de uma situação delicada.”

Ação Civil Pública contra a Serasa

A situação tornou-se ainda mais complexa com a ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Sigilo contra a Serasa. A ação alega que a empresa comercializou dados pessoais de 223 milhões de brasileiros, violando a LGPD e o CDC.

Indenizações Requeridas

O MPF solicita:

  • Indenização de R$ 30 mil para cada pessoa afetada;
  • Multa de R$ 200 milhões para a Serasa;
  • Suspensão da comercialização de dados pessoais.

A Serasa apresentou defesa, alegando que não houve invasão em seus sistemas e que os vazamentos não se originaram em suas bases de dados.

Especialistas Avaliam a Situação

Ética na Oferta de Serviços

Marcelle Santos, advogada e especialista em LGPD, questiona a prática da Serasa:

“O uso de dados para práticas comerciais exploratórias vai contra os princípios da boa-fé e da finalidade previstos na LGPD. O foco deveria ser proteger o consumidor, e não criar oportunidades comerciais.”

Crimes Virtuais e Responsabilidade

Eduardo Pinheiro, especialista em crimes virtuais, reforça que proteger dados pessoais é uma obrigação legal:

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“Nenhuma empresa pode cobrar para proteger os dados que processa. Se não é capaz de garantir essa proteção, não deveria armazenar essas informações.”

Como se Proteger e Agir

Para consumidores que receberam e-mails da Serasa ou têm dúvidas sobre proteção de dados, aqui estão algumas dicas:

1. Não Clique em Links Desconhecidos

Verifique a autenticidade do e-mail antes de clicar em links ou fornecer informações adicionais.

2. Registre Reclamações

Utilize o portal consumidor.gov.br para formalizar queixas sobre práticas abusivas.

3. Entenda Seus Direitos

A LGPD garante a você o direito de solicitar informações sobre o uso de seus dados e exigir medidas adequadas de proteção.

4. Consulte Especialistas

Em casos de dúvidas ou suspeitas, busque orientação de advogados especializados em proteção de dados.

Considerações finais

A polêmica envolvendo o serviço Serasa Premium levanta questões importantes sobre ética, transparência e a aplicação da LGPD. Enquanto a Serasa defende a legitimidade do serviço, especialistas apontam que cobrar por proteção de dados pode violar os direitos dos consumidores.

Para os clientes, o mais importante é conhecer seus direitos e exigir que empresas tratem seus dados com responsabilidade e segurança. O caso ainda está em andamento, e seu desfecho pode estabelecer precedentes importantes para a proteção de dados no Brasil.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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