Dia 15 de junho, estreou no Brasil o WhatsApp Pay, serviço de pagamentos pelo WhatsApp. Com esse serviço, era possível enviar dinheiro para seus contatos e fazer pagamentos usando o aplicativo de mensagens. O Brasil foi o primeiro país a ter acesso ao WhatsApp Pay, mas o serviço foi suspenso na última terça-feira (23) a pedido do Banco Central (BC) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Afinal, por que foi solicitada a suspensão do WhatsApp Pay? Confira os prováveis motivos nessa matéria?

Saiba tudo sobre o WhatsApp Pay no Brasil (LIVE): https://www.youtube.com/watch?v=zkpangiuPd0

É provável que você também goste:

Quem é aprovado no auxílio emergencial agora recebe as 3 parcelas de uma só vez?

Justiça decreta penhora de metade do Auxílio Emergencial de homem para pagamento de pensão alimentícia

WhatsApp Pay: Bradesco, Itaú e Santander testaram, mas desistiram de aderir

O que era o WhatsApp Pay?

Conforme já explicamos aqui no site, o WhatsApp Pay era a nova modalidade para receber ou fazer pagamentos pelo WhatsApp. Assim, a partir desse recursos, os usuários poderiam receber e enviar dinheiro para amigos e familiares, além de efetuar pagamentos de produtos e serviços de empresas no WhatsApp Business. Tudo de forma extremamente simples. O serviço de transferências era realizado pelo Facebook Pay, mas era necessário configurar um cartão de débito ou crédito na plataforma para começar a fazer uso do serviço.

O recurso não cobrava taxas de serviços dos usuários, seja para transferências via cartão de débito ou para pagamentos via cartão de crédito/débito. Além disso, era possível consultar os pagamento a qualquer momento, indo na aba “Pagamentos” e em “Ajustes”, no menu de configurações do mensageiro.

Como funcionava o serviço de pagamentos pelo WhatsApp?

A princípio, as empresas parceiras do serviço eram o Banco do Brasil, o Nubank e o Sicredi. Sendo assim, eram aceitos somente cartões de crédito e de débito desses bancos, nas bandeiras Visa ou Mastercard. Outros grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Santander, chegaram a fazer testes para aderir ao WhatsApp Pay, mas acabaram desistindo. As operações do serviço seriam processadas pela Cielo.

A transferência de dinheiro entre pessoas era grátis, no entanto havia as seguintes restrições:

  • O limite por cada transação seria de R$ 1000;
  • Haveria um limite de recebimento diário de 20 transações;
  • Só poderia ser transferido, no máximo, um total de R$ 5000 durante o mês;
  • Por fim, apenas cartões de débito seriam aceitos.

Os empresários deveriam pagar uma taxa de 3,99% para receber pagamentos pelo WhatsApp Pay, sendo a taxa tanto para compras no débito quanto no crédito.

Afinal, por que o Banco Central suspendeu o serviço?

O Banco Central alegou que o WhatsApp Pay poderia afetar a eficiência, a competição e a privacidade dos dados dos usuários. Dessa forma, seria necessária análise e autorização prévias antes do início do funcionamento do serviço.

Para que um novo serviço de pagamento seja criado no Brasil, é necessário que seja criado um arranjo de pagamentos envolvendo todos os participantes. Esses participantes são: a bandeira, a instituição financeira emissora do cartão e a empresa de maquininhas de cartão. Sendo assim, para o BC não ficou claro qual seria a função do WhatsApp nesse arranjo.

Por que o Cade suspendeu o WhatsApp Pay?

O Cade alegou que o WhatsApp, a princípio, tem contrato apenas com a Cielo. Sendo assim, a concorrência seria injusta, pois a Cielo já é líder no mercado de maquininhas e contaria com a base de 120 milhões de usuários ativos do WhatsApp no Brasil.

Segundo o Cade, os concorrentes da Cielo dificilmente conseguiriam competir com ela, principalmente se houver um contrato de exclusividade.

Nota do WhatsApp sobre a suspensão

“Ficamos muito animados com a avaliação positiva das pessoas no Brasil com o lançamento de pagamentos no WhatsApp na semana passada. Fornecer opções simples e seguras para que as pessoas realizem transações financeiras é muito importante durante esse período crítico de pandemia e ajudará na recuperação de pequenos negócios. Nosso objetivo é fornecer pagamentos digitais para todos os usuários do WhatsApp no Brasil, com um modelo aberto e trabalhando com parceiros locais e o Banco Central. Além disso, apoiamos o projeto PIX do Banco Central, e junto com nossos parceiros estamos comprometidos em integrar o PIX aos nossos sistemas quando estiver disponível.”

Nota da Visa

“A Visa opera de acordo com a legislação aplicável e, após a mudança de hoje na regulamentação do Banco Central, vamos assegurar o cumprimento das novas disposições regulatórias.

Está no DNA da Visa criar opções de pagamento interoperáveis, abertas e seguras. Oferecemos pagamentos seguros há mais de 60 anos, por meio de nossas soluções avançadas de gerenciamento de risco, como o Visa Cloud Token, e esse compromisso permanece o mesmo para todas as novas formas de pagamento digital que estamos trazendo ao mercado.

Continuamos entusiasmados com o potencial de meios de pagamento inovadores e abertos. Manteremos nosso trabalho para criar soluções inovadoras que aceleram a adoção de pagamentos digitais, beneficiando indivíduos, empresas e economias em geral.”

Nota da Mastercard

“O Banco Central do Brasil emitiu uma nova regra relacionada ao ecossistema de pagamentos no país e exigiu a suspensão do serviço de pagamentos via WhatsApp. Atenderemos à solicitação do Banco Central e continuaremos focados no desenvolvimento de um ambiente de pagamentos mais inovador, inclusivo, seguro e competitivo para consumidores e empresas brasileiras.”

O que diz a Cielo?

Por fim, a Cielo suspendeu o serviço do WhatsApp Pay e informou que “a companhia manterá seus acionistas e o mercado informados sobre quaisquer atualizações relevantes relativas ao tema”.

Itaú e Bradesco não se manifestaram

Entramos em contato com a assessoria de imprensa dos bancos Itaú e Bradesco, que haviam desistido de aderir ao WhatsApp Pay. Entretanto, ambas as empresas disseram que não se manifestarão sobre o assunto.

Enfim, gostou da matéria?

Então, nos siga no canal do YouTube, em nossas redes sociais como o Facebook, Twitter e Instagram. Assim acompanhará tudo sobre bancos digitais, cartões de crédito digitais,  empréstimos e matérias relacionadas ao mundo de fintechs.

Imagem destacada: Jakraphong Photography / Shutterstock.com