Segundo um levantamento recente, os brasileiros milionários, em 2021, pagaram menos Imposto de Renda do que servidores públicos e outros profissionais de renda média e alta. Este fenômeno ocorre devido à exploração de brechas legislativas que transformam rendas pessoais em rendimentos empresariais.
Servidores públicos pagam mais Imposto de Renda do que milionários? Entenda a polêmica
Milionários brasileiros pagam menos Imposto de Renda do que servidores públicos? Entenda mais sobre essa situação.
Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), que conduziu este estudo inédito, essa disparidade fica clara nos dados do Imposto de Renda Pessoa Física 2022 (ano-base 2021).
Os dados revelam que os contribuintes que declararam ganhos totais acima de 160 salários mínimos pagaram, em média, apenas 5,43% de alíquota efetiva do IR. Este grupo, composto por 89.168 pessoas, representa apenas 0,25% do total de contribuintes do Imposto de Renda Pessoa Física.
Comparação com outras profissões

Quando comparamos a alíquota efetiva deste grupo com profissionais de outras categorias, a distorção fica evidente. Médicos, por exemplo, pagaram, em média, uma alíquota de 9,42%. Professores do ensino médio (8,94%), PMs (8,87%) e enfermeiros (8,77%) também contribuíram com uma alíquota maior.
Entre os servidores públicos, a alíquota média aumenta mesmo para órgãos com remuneração maior. Para carreiras da administração pública direta, a alíquota correspondia a 9,54%.
Em contrapartida, membros do Poder Executivo, servidores do Poder Judiciário, carreiras de gestão governamental e servidores do Poder Legislativo pagaram alíquotas superiores. Ademais, servidores do Banco Central, carreiras de auditoria-fiscal e advocacia do serviço público também contribuíram com alíquotas mais elevadas, chegando a atingir até 15,66%.
Disparidade no pagamento do Imposto de Renda
Nesse contexto, o Sindifisco Nacional explica que um fator fundamental para a menor alíquota efetiva se deve a indivíduos cuja renda significativa é composta por lucros e dividendos de empresas, uma vez que esse rendimento é isento no Brasil desde 1996.
Além disso, aponta-se que a falta de correção da tabela do Imposto de Renda e a inflação, que afeta de maneira menos significativa as rendas dos mais ricos, também contribuem como razões para a desigualdade.
Os impactos dessa discrepância
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Assim, essa situação exerce um impacto direto na arrecadação federal. Segundo Isac Falcão, o presidente do Sindifisco Nacional, a participação relativa dos rendimentos isentos e não tributáveis, como lucros e dividendos, na renda total declarada, aumentou de 32% para 36%.
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Dessa forma, fica evidente a necessidade de revisões no sistema tributário brasileiro, de modo que possa ser mais equilibrado e justo para todos os contribuintes, independentemente de sua faixa de renda.
Imagem: Vergani Fotografia / shutterstock.com
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