Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Juros altos: os setores mais impactados e o que esperar

Juros elevados estão afetando setores cruciais da economia brasileira. Descubra como a construção, o varejo e a indústria estão lidando com o encarecimento do c

MarinaPor Marina5 min de leitura
Retorno da Petrobras na distribuição do gás de cozinha deve baixar valores ao consumidor

Juros elevados estão afetando setores cruciais da economia brasileira. Descubra como a construção, o varejo e a indústria estão lidando com o encarecimento do crédito e as consequências para o mercado.

Setores da economia mais impactados pelos juros elevados

Imagem de uma pessoa calculando. Sob o papel, a um símbolo de porcentagem
Imagem: Andrey_Popov / shutterstock.com

O aumento das taxas de juros tem um efeito direto e significativo sobre a economia, afetando diversos setores. Com a Selic atualmente em 10,5% ao ano, o encarecimento do crédito está impactando especialmente a construção, o varejo e a indústria. Este artigo explora como cada um desses setores está sendo afetado e quais são as perspectivas para o futuro.

Leia mais:

Dinheiro esquecido liberado no Banco Central; veja quem pode receber

Impacto dos juros elevados na construção civil

O desafio das taxas altas para a construção

O setor da construção é um dos mais sensíveis às mudanças na taxa de juros. Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), destaca que taxas de juros acima de 9% tornam as operações excessivamente onerosas. Com uma Selic de 10,5%, o impacto negativo é ainda mais profundo.

Correia observa que o setor da construção lida com investimentos de longo prazo, o que amplifica os efeitos de taxas de juros elevadas. “A construção é um setor que aplica muitos recursos, tanto na habitação, como na infraestrutura e na construção de obras industriais e corporativas por muito tempo. Então, taxas de juros elevadas no nosso setor são altamente prejudiciais”, afirma.

Consequências para o mercado imobiliário

Imagem de uma pessoa digitando e ilustração com gráficos e casas em miniatura, representando fundos imobiliários.
Imagem: Song_about_summer / shutterstock.com

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que uma redução de 1% na taxa de financiamento habitacional pode reduzir em 8% o valor da parcela de um imóvel de R$ 400 mil, possibilitando a moradia para cerca de 400 mil famílias. Há três anos, com uma Selic de 2% ao ano, as parcelas eram 27% menores, permitindo a inclusão de 1,4 milhão de famílias no mercado imobiliário.

Luiz França, presidente da Abrainc, destaca que a continuidade das taxas elevadas é prejudicial para a estabilidade e previsibilidade necessárias para o planejamento de investimentos de longo prazo. Juros altos inibem o lançamento de novos projetos, afetando toda a cadeia produtiva da construção civil.

O efeito dos juros elevados no varejo

Impactos da percepção de crédito mais caro

O setor de varejo é diretamente afetado pela percepção de crédito mais caro. Felipe Tavares, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), explica que a alta dos juros reduz a confiança do consumidor e, consequentemente, o consumo. “Os juros elevados tendem a impactar muito negativamente o setor de varejo, porque é um segmento muito cíclico. Qualquer variação na renda disponível ou na percepção de confiança dos consumidores tende a ter um efeito de redução do consumo”, afirma Tavares.

A alta dos juros reduz o poder de compra dos consumidores e, portanto, o faturamento do varejo. Tavares compara a situação a uma bola de neve: “Se isso se prolonga, você tem esse efeito acumulado a juros compostos. O consumidor vai ficando cada vez menos confiante para consumir, cada vez ele consome menos e isso vai virando uma bola de neve.”

Expectativas para a inflação e os juros

O aumento das expectativas de inflação também influencia o varejo. A última prévia da inflação, o IPCA-15, mostrou uma desaceleração para 0,19% em agosto. No entanto, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou que esse resultado ainda não é suficiente para conforto. A pesquisa Focus revelou que as previsões para a inflação de 2024 subiram para 4,26%, acima da meta oficial de 3%.

O impacto dos juros elevados na indústria

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O preço do crédito para a indústria

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) critica a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 10,5%. A alta taxa de juros reais no Brasil, de 7,36%, está entre as mais elevadas do mundo, o que afeta o custo financeiro das empresas.

Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca que a alta dos juros prejudica a atividade econômica e a competitividade. “Esperamos que a Selic volte a ser reduzida quanto antes. A retomada de cortes é fundamental para a redução do custo financeiro suportado pelas empresas e pelos consumidores”, afirma Alban.

Desafios para o crescimento industrial

Embora o PIB tenha crescido 1,4% no 2º trimestre e a indústria tenha apresentado alta de 1,8%, a perspectiva de manutenção das taxas elevadas levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) alerta que a taxa de investimento no Brasil é baixa em comparação com a média mundial, o que pode limitar o crescimento futuro.

A Firjan defende uma política fiscal mais ativa para melhorar a taxa de investimento e apoiar o crescimento econômico sustentável. “Políticas fiscais e monetárias alinhadas são cruciais para aumentar a taxa de investimento, assegurar o crescimento econômico sustentável, promovendo o emprego e a renda no longo prazo”, aponta a Firjan.

Conclusão

O aumento das taxas de juros tem um impacto profundo e abrangente sobre a economia brasileira. Setores como construção, varejo e indústria enfrentam desafios significativos devido ao encarecimento do crédito. A construção civil luta com a alta dos custos de financiamento, o varejo enfrenta uma redução no consumo e a indústria observa o encarecimento do crédito como um obstáculo ao crescimento.

As perspectivas para o futuro dependem de decisões políticas e econômicas que possam equilibrar a necessidade de controlar a inflação com o apoio ao crescimento econômico. Para os setores afetados, entender e adaptar-se a essas mudanças será crucial para navegar em um ambiente econômico desafiador.

Marina

Autor

Marina

Topicos relacionados