Conseguir um emprego pode significar ter passado por um longo processo seletivo. No entanto, perdê-lo pode ser muito mais rápido, dependendo somente de um clique. Isso acontece devido ao fenômeno de digitalização dos cortes que vem sendo adotado pelas empresas.
Para especialistas, os atuais métodos são lidos como desumanizados. Apesar disso, parece se tratar de uma tendência. Siga a leitura para saber mais sobre a situação.
Digitalização da perda de emprego
Recente reportagem do portal Extra chama a atenção para uma nova modalidade de demissão. No chamado “self-checkout”, o desligamento é feito pelo próprio funcionário, sem um telefonema da empresa ou reunião.
Por meio de convite na agenda para uma videochamada, o empregado aceita participar do que pode ser chamado pela empresa de “comunicado da companhia”. As reuniões virtuais em grupos e rápidas são, na verdade, de cortes coletivos. Ao sair da chamada, o funcionário já está desligado de seu emprego e sem seus acessos corporativos.
O exemplo apresentado não é de um caso isolado. As demissões sem explicações ou contato direto já são o padrão de funcionamento de grandes empresas, como a Meta.
Demissões no Brasil
Dados da plataforma LayOffs Brasil indicam que, até o último dia 9 de junho, pelo menos 106 empresas realizaram desligamentos no país. O número de funcionários que perderam seus empregos nessas condições de cortes em massa chegam a 8 mil.
Em meio à digitalização dos cortes, em que as demissões são feitas por meio de um e-mail, mensagem ou perda de acessos, são comuns os relatos no LinkedIn de trabalhadores chamando atenção para a abordagem das companhias.
Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Minas Gerais (ABRH-MG), Eliane Ramos, em entrevista para a matéria do Extra, os líderes precisam ser capacitados para realizar demissões. Ela explica:
“O ideal seriam reuniões presenciais. Se não for possível, que seja on-line, mas de forma individualizada. A primeira etapa é capacitar os líderes para essa demissão. E, quem tiver conduzido o desligamento, deve ouvir o que o colaborador tem a dizer, dar feedbacks, mencionar as conexões que o funcionário fez e orientá-lo, incluindo medidas como a extensão de auxílio médico e o apoio que a empresa possa dar para recolocação”.
No entanto, é importante lembrar que, apesar das impressões de desumanização nas demissões, o Brasil não conta com regulamentação específica para tratar sobre métodos de desligamentos de um funcionário de seu emprego.
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