O Simples Nacional foi mantido pela Reforma Tributária e continuará válido para MEI, microempresas e pequenos empresários em todo o Brasil. Essa é uma das principais confirmações após a aprovação das novas regras de impostos que começarão a vigorar em 2027, com um período de transição iniciado já em 2026.
Mudanças na reforma: seu Simples Nacional está em risco se você não se preparar
Simples Nacional será mantido na Reforma Tributária. Veja o que muda para MEI, micro e pequenas empresas e como se preparar para 2026.
A manutenção do regime simplificado garante que milhões de empreendedores não sejam prejudicados pela reestruturação tributária, mantendo o modelo unificado de recolhimento que simplifica a vida de quem fatura até R$ 4,8 milhões por ano.
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Entenda a linha do tempo da Reforma Tributária

O novo sistema de impostos entra em fase de transição a partir de janeiro de 2026, quando o governo e as empresas farão testes com o modelo, mas sem cobrança efetiva dos novos tributos.
Somente em 2027 os contribuintes começarão a pagar o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — que substituirão ICMS, ISS, PIS e Cofins.
A transição completa se encerrará em 2033, quando todo o sistema atual será substituído.
O que é o Simples Nacional
O Simples Nacional é o regime tributário simplificado criado para facilitar a vida de microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). Ele unifica até oito tributos em uma única guia de pagamento — o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
Esse modelo também abrange o MEI (Microempreendedor Individual), que pode faturar até R$ 81 mil por ano e tem alíquotas fixas reduzidas, dependendo da atividade.
A principal vantagem é a unificação e simplificação: o empresário paga todos os impostos de uma vez só, sem precisar lidar com declarações e guias separadas.
O que muda com a Reforma Tributária
Com a Reforma Tributária, o Brasil terá dois novos impostos principais: o IBS, de competência compartilhada entre estados e municípios, e a CBS, de competência federal.
Esses tributos substituirão os atuais ICMS, ISS, PIS e Cofins.
Opções para quem está no Simples Nacional
As empresas enquadradas no Simples poderão optar entre dois regimes:
- Manter tudo dentro do Simples, como é hoje — pagando o DAS com todos os tributos embutidos.
- Ou recolher IBS e CBS por fora, separadamente, como fazem as empresas maiores.
Segundo o especialista em direito tributário Fabricio Tonegutti, essa escolha será estratégica.
“A forma como o imposto é calculado muda, e isso pode impactar o preço final para o cliente. É importante planejar bem qual modelo adotar”, afirma Tonegutti.
Quando as mudanças começam a valer
O ano de 2026 será apenas de adaptação e testes.
As empresas continuarão recolhendo o DAS normalmente, sem cobrança de novos impostos.
No entanto, os sistemas e notas fiscais já precisarão estar atualizados para o novo layout, incluindo campos para IBS e CBS.
A cobrança efetiva dos novos tributos começa em 2027, com a transição total prevista para 2033.
Vantagens da nova estrutura para os pequenos negócios
Mesmo com a criação de novos impostos, o Simples Nacional permanece simplificado.
O empresário continuará com o benefício da guia única, e o regime segue sendo o mais acessível para quem está começando ou fatura pouco.
Flexibilidade é a nova vantagem
Quem quiser poderá recolher IBS e CBS fora do Simples, o que traz benefícios principalmente para empresas B2B (que vendem para outras empresas).
Essas operações passam a permitir o aproveitamento de créditos tributários, o que pode reduzir o custo final do produto ou serviço.
“O novo sistema elimina o chamado imposto em cascata e torna os preços mais transparentes. Isso favorece a competitividade e a previsibilidade no longo prazo”, explica Tonegutti.
Desafios que vêm com as mudanças
Apesar dos avanços, o Simples pode ficar um pouco menos simples.
O empresário precisará decidir entre dois regimes tributários, e essa escolha exigirá planejamento e orientação contábil.
Principais desafios
- Empresas que optarem por recolher IBS e CBS por fora terão obrigações adicionais, como destaque do imposto em nota fiscal e envio de novas informações.
- Custos com sistemas e contabilidade podem aumentar.
- Há risco de aumento de carga tributária se o regime escolhido não for o mais adequado ao perfil da empresa.
Alíquotas e impacto na carga tributária

De acordo com o texto da Reforma, a soma das alíquotas de IBS e CBS deve ficar entre 27% e 28% — valor médio aplicável apenas às empresas fora do Simples.
Para quem permanecer dentro do Simples Nacional, as tabelas e alíquotas atuais continuam valendo em 2026.
Apenas haverá redistribuição interna entre IBS e CBS, sem aumento de carga tributária.
Somente quem optar por pagar os novos tributos “por fora” poderá notar variação nos valores pagos.
Como o pequeno empresário pode se preparar para 2026
O ano de 2026 será crucial para planejar e se adaptar. Veja os principais passos recomendados por especialistas:
- Atualizar o sistema de emissão de notas fiscais com os novos campos para IBS e CBS.
- Revisar o cadastro de produtos e serviços, conferindo os códigos NCM/NBS.
- Mapear o perfil de clientes, avaliando se o foco é consumidor final ou outras empresas.
- Treinar a equipe e buscar capacitação, especialmente com o apoio do Sebrae e da Receita Federal.
- Planejar o fluxo de caixa, considerando que impostos poderão ser recolhidos automaticamente em operações com cartão e Pix.
Expectativas sobre o novo modelo tributário
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Para o setor empresarial, a Reforma é vista como um avanço em direção à transparência e simplificação.
O Simples Nacional foi preservado, o que garante estabilidade para milhões de empreendedores.
Contudo, especialistas alertam que a eficiência dependerá da implementação.
Se o governo e as empresas investirem em tecnologia e comunicação, a simplificação prometida poderá ser alcançada.
O que ainda precisa melhorar
Apesar das conquistas, há pontos a serem aperfeiçoados.
O limite de faturamento do Simples (R$ 4,8 milhões) e do MEI (R$ 81 mil) estão defasados e deveriam ser corrigidos pela inflação.
Isso permitiria que mais empreendedores permanecessem no regime simplificado à medida que crescem.
Outra sugestão seria a criação de simuladores oficiais que mostrem, de forma clara, o impacto de cada regime — “por dentro” ou “por fora” — ajudando o empresário a tomar decisões embasadas.
Haverá aumento de impostos?
A promessa do governo é de neutralidade tributária, ou seja, sem aumento na carga total para quem continuar no Simples.
Entretanto, o resultado final vai depender das escolhas de cada empresário.
Quem fizer a migração para o modelo “por fora” sem estrutura adequada pode acabar pagando mais.
Por outro lado, quem planejar com cuidado pode até economizar e aproveitar melhor os créditos tributários.
O que muda para o MEI
O MEI (Microempreendedor Individual) continua existindo e com as mesmas facilidades atuais.
A principal novidade é que, a partir de 2027, todos os MEIs terão de emitir nota fiscal, inclusive para pessoas físicas.
O valor fixo pago mensalmente também será reduzido gradualmente até 2033, quando o custo de ISS e ICMS chegará a R$ 3 — um incentivo à formalização e ao crescimento sustentável do microempreendedor.
O que o pequeno empresário precisa saber agora

O Simples Nacional não acabou — ele foi mantido e modernizado.
O ano de 2026 será o período ideal para se preparar, revisar sistemas e buscar informação.
Com planejamento, os pequenos negócios podem atravessar a Reforma Tributária com segurança e aproveitar novas oportunidades de crescimento.
Conclusão
O Simples Nacional continua sendo um dos regimes tributários mais importantes para micro e pequenas empresas no Brasil. Ao unificar impostos e simplificar obrigações fiscais, ele reduz a burocracia e incentiva o empreendedorismo. Apesar dos desafios com limites de faturamento e enquadramento, o modelo segue como uma ferramenta essencial para a formalização e o crescimento dos negócios. Em um cenário econômico em constante transformação, o Simples Nacional permanece fundamental para fortalecer o setor produtivo, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento sustentável do país.
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