Microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes pelo Simples Nacional terão de se preparar para uma mudança importante na forma de apurar a receita mensal. A partir de 1º de janeiro de 2027, a sistemática do regime de caixa para essa finalidade será alterada no contexto da adaptação do Simples Nacional à Reforma Tributária do Consumo.
A mudança está relacionada à regulamentação promovida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) para adequar o regime às novas regras tributárias, incluindo a implementação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
O tema exige atenção principalmente de empresas que vendem produtos ou prestam serviços com pagamento futuro, porque o momento em que a receita é reconhecida passa a ter maior importância no planejamento financeiro e tributário.
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O que muda no Simples Nacional em 2027
Atualmente, empresas do Simples Nacional podem optar pelo regime de caixa para a apuração mensal, observadas as regras estabelecidas pelo CGSN. Nesse modelo, a tributação mensal considera, em determinadas condições, os valores efetivamente recebidos.
Com a mudança prevista para 2027, a referência para a apuração mensal passa a ser a receita bruta auferida, aproximando o reconhecimento da operação do regime de competência.
Isso significa que uma venda ou prestação de serviço realizada e faturada em determinado mês poderá integrar a receita daquele período mesmo que o cliente só faça o pagamento posteriormente.
A alteração faz parte da preparação do Simples Nacional para o novo sistema de tributação sobre o consumo. A Receita Federal destaca que a Reforma Tributária envolve a introdução da CBS e do IBS e exige adaptações também nos regimes simplificados.
Como funciona hoje o regime de caixa
No regime de caixa, o momento do recebimento tem papel central na apuração mensal. Uma empresa que venda um produto por R$ 10 mil e combine o pagamento para 60 dias, por exemplo, pode ter uma diferença entre o mês em que a operação é realizada e aquele em que o dinheiro efetivamente entra.
Isso pode ajudar o fluxo de caixa de negócios que trabalham com vendas a prazo, porque a tributação mensal acompanha determinadas entradas financeiras.
O sistema, entretanto, exige controles específicos. A própria Receita Federal esclareceu em 2026 regras relacionadas ao regime de caixa e ao registro de valores a receber no Simples Nacional.
Como ficará a apuração a partir de 2027
Com a nova sistemática, o ponto central será a receita auferida no mês, e não simplesmente o dinheiro que entrou na conta bancária.
Na prática, uma empresa que emita uma nota fiscal de R$ 20 mil em janeiro, mas combine o pagamento para março, terá de observar as regras de reconhecimento da receita para determinar em qual período a operação será considerada.
Esse aspecto pode exigir mudanças no planejamento financeiro. A empresa poderá ter uma obrigação tributária relacionada a uma venda cujo dinheiro ainda não foi recebido.
É justamente nesse ponto que o impacto pode ser maior para pequenos negócios que trabalham com prazos longos de pagamento.
Exemplo de impacto para uma pequena empresa
Imagine uma empresa de manutenção que realize R$ 30 mil em serviços durante janeiro e emita as respectivas notas fiscais. Os clientes, porém, só pagarão os contratos em fevereiro e março.
No regime baseado no recebimento, a entrada financeira poderia determinar o momento da consideração da receita para a apuração mensal, conforme as regras aplicáveis.
Com a mudança para a receita auferida, o empresário precisará considerar o momento correto de reconhecimento da operação. Assim, poderá existir imposto a recolher antes de o dinheiro correspondente estar disponível no caixa.
Por isso, empresas que trabalham com vendas parceladas, boletos com vencimentos futuros ou contratos com prazo de pagamento precisam revisar seus controles.
A mudança significa aumento automático de impostos?
Não necessariamente.
O fim ou a alteração da sistemática do regime de caixa não significa, por si só, que todas as empresas pagarão uma alíquota maior. O principal efeito está na forma e no momento de reconhecimento da receita para a apuração.
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O valor efetivamente devido dependerá do faturamento, da atividade, da faixa de receita e das demais regras aplicáveis ao Simples Nacional.
Além disso, a Reforma Tributária cria uma nova estrutura de tributação sobre o consumo, e o Simples Nacional continuará tendo tratamento próprio dentro desse sistema.
IBS e CBS também entram no planejamento
A mudança não deve ser analisada isoladamente. O Simples Nacional está passando por uma série de adaptações para a entrada do novo modelo tributário.
A Resolução CGSN nº 186/2026, por exemplo, estabeleceu regras e prazos relacionados à opção pelo Simples Nacional e à escolha sobre o recolhimento do IBS e da CBS para 2027. Segundo o CGSN, a opção pelo Simples Nacional para 2027 deverá ocorrer entre 1º e 30 de setembro de 2026.
A Receita Federal também informa que o novo sistema exige adaptações em documentos fiscais e sistemas utilizados pelas empresas.
Portanto, o empresário não deve esperar o início de 2027 para verificar se o sistema de emissão de notas, o software contábil e os controles financeiros estão preparados.
O que as empresas devem fazer antes de 2027

O primeiro passo é conversar com o contador para identificar como a mudança afetará a atividade e o fluxo de caixa da empresa. Negócios que trabalham com recebimentos futuros devem receber atenção especial.
Também é recomendável revisar contratos, prazos de pagamento, emissão de notas fiscais e controles de contas a receber. Separar claramente o faturamento realizado do dinheiro efetivamente recebido será ainda mais importante para evitar erros.
Outro cuidado é atualizar os sistemas de gestão. O empresário precisa garantir que o software utilizado consiga registrar corretamente as operações e fornecer ao contador as informações necessárias para a apuração.
A transição também reforça a importância de manter uma reserva financeira. Se os tributos forem calculados com base na receita auferida antes do recebimento, uma empresa que vende muito a prazo poderá ter de desembolsar recursos antes de receber dos clientes.
Imagem: Reprodução



