A japonesa SoftBank está no Brasil desde 2019 e tem, em sua cartela de investimentos, empresas como Nubank, Quinto Andar, Loft, Creditas, Gympass e Loggi, chamadas de unicórnios, por serem startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Sendo um nome tradicional no mundo das empresas jovens, o SoftBank conta com 91 empresas em seu portfólio.
SoftBank aponta erro do mercado com as startups
Incentivo ao crescimento de capital gerou demissões. Falha na estratégia é apontada por executivo responsável pela empresa na América Latina.
Porém, o mercado, que esteve em ascensão em 2020 e 2021, vem desde o ano passado sofrendo uma queda de capital, que gerou demissões. Diante desse cenário, os fundos de investimento ficaram mais cuidadosos e assumiram sua parcela de culpa nesse contexto.
A relação com as startups e o mercado difícil
O executivo Alex Szapiro, responsável pelo SoftBank na América Latina, concedeu entrevista para o Jornal O Estadão, em que revelou que os fundos de investimentos têm alguma culpa nas demissões geradas.
“Em 2020 e 2021, era um momento de crescimento rápido nas startups. Acho que de certa forma era até um pouco errado do nosso lado, da indústria de investimento incentivar o crescimento acelerado”, assume o investidor.
Com a nova realidade do mercado, os investidores puxaram o freio e atualmente estão analisando melhor as estratégias e também as startups. “Lógico que você pode continuar captando, mas os valores pagos pelos investidores mudaram. E há muitos empreendedores questionando se querem captar agora ou depois e como fazer para estender o caixa da startup por mais tempo. E aí logicamente vimos alguns ajustes no mercado”, avalia Szapiro.
Primeira grande crise do setor
Outro ponto levantado pelo empresário está no foco do negócio. Segundo ele, muitas empresas focaram inicialmente em expandir seus negócios e não na concentração de esforços de manter o que já tinham. “Em 2020 e 2021, vimos muitas discussões sobre expandir para vários países, vários projetos que não eram o centro do negócio da startup”.
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Atualmente, o executivo aponta que as empresas estão centradas em expandir para países mais viáveis, como Brasil, México e Colômbia. Nesse sentido, apesar da cautela tanto por parte dos investidores, quanto das próprias startups, Alex afirma que a “mortalidade de empresas” é inevitável, mas, para evitar esse ponto, muitas escolhem a fusão e aquisição, em ambos os lados.
“Muitas dessas empresas, que tinham um produto muito bom, acabaram com pouco caixa e sem capacidade de levantar capital novamente”, comenta o executivo.
Imagem: Sundry Photography / Shutterstock
