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SpaceX lança dois Falcon 9 em 38 minutos e estabelece nova marca em 2026

SpaceX lança dois Falcon 9 em 38 minutos, bate seu recorde e chega a 96 voos em 2026. Entenda como ocorreu a operação histórica.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··10 min de leitura
spacex

A SpaceX colocou dois foguetes Falcon 9 em voo orbital com apenas 38 minutos e 30 segundos de diferença na noite de 15 de agosto de 2026. Os lançamentos aconteceram em lados opostos dos Estados Unidos e atenderam clientes completamente diferentes: uma empresa comercial de telecomunicações e a Força Espacial norte-americana.

O primeiro foguete partiu da Flórida com oito satélites da Globalstar. Enquanto o estágio superior ainda seguia sua missão, outro Falcon 9 decolou da Califórnia com uma carga militar sigilosa.

A operação estabeleceu o menor intervalo já registrado entre dois lançamentos orbitais da própria SpaceX. Mais do que uma curiosidade, o feito mostra como a empresa transformou lançamentos de foguetes — antes tratados como acontecimentos espaçados e excepcionais — em uma atividade de alta frequência.

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Como aconteceram os dois lançamentos?

Imagem: Reprodução

O primeiro Falcon 9 decolou da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, às 21h12 no horário da costa leste dos Estados Unidos. No horário de Brasília, o lançamento ocorreu às 22h12 de 15 de agosto.

O foguete transportava oito satélites de reposição para a Globalstar, empresa norte-americana que mantém uma rede de telecomunicações em órbita baixa.

Exatamente 38 minutos e 30 segundos depois, às 21h50 no horário da costa leste — 22h50 em Brasília —, outro Falcon 9 deixou a Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

A segunda missão recebeu o nome USSF-366 e transportou uma carga confidencial para a Força Espacial dos Estados Unidos.

De acordo com o Spaceflight Now, o segundo lançamento ocorreu enquanto o estágio superior da missão Globalstar ainda cumpria a fase de voo antes da liberação dos satélites.

Por que o intervalo de 38 minutos é tão importante?

Lançar dois foguetes em pouco tempo não significa apenas apertar dois botões em sequência. Cada missão envolve equipes, radares, sistemas de comunicação, controle do espaço aéreo, acompanhamento meteorológico e autorização de autoridades reguladoras e militares.

Também é necessário monitorar a trajetória dos foguetes e garantir que nenhuma parte das operações crie risco para aviões, navios ou outros veículos espaciais.

No caso de 15 de agosto, a SpaceX precisou coordenar:

  • dois centros de lançamento;
  • dois foguetes Falcon 9;
  • equipes em costas opostas;
  • duas cargas com exigências diferentes;
  • dois sistemas de recuperação;
  • acompanhamento simultâneo dos estágios superiores;
  • comunicação com autoridades civis e militares.

As bases ficam separadas por milhares de quilômetros. Essa distância permite que as missões tenham estruturas e corredores de voo independentes, mas exige que a empresa mantenha equipes treinadas, equipamentos e sistemas de controle funcionando ao mesmo tempo em dois locais.

Qual era o recorde anterior da SpaceX?

A marca anterior era de 65 minutos entre dois lançamentos orbitais. Ela foi registrada em 31 de agosto de 2024, durante duas missões dedicadas à constelação Starlink.

Com os voos de agosto de 2026, a empresa reduziu seu próprio recorde em aproximadamente 27 minutos.

A diferença entre as duas marcas mostra a evolução operacional da companhia. Não houve uma mudança repentina no desempenho do Falcon 9, mas um amadurecimento progressivo da infraestrutura, da reutilização dos propulsores e da preparação das equipes.

É importante observar que o recorde se refere ao menor intervalo entre lançamentos orbitais da SpaceX. Não significa que um mesmo foguete tenha sido preparado e relançado em 38 minutos.

Foram utilizados veículos, plataformas e equipes diferentes.

O que a missão Globalstar levou ao espaço?

A primeira missão transportou oito satélites da Globalstar para a órbita baixa da Terra, conhecida pela sigla LEO.

Essa região começa a algumas centenas de quilômetros de altitude e é utilizada por satélites de comunicação, observação terrestre e pesquisa. Por estarem relativamente próximos do planeta, os equipamentos podem oferecer comunicação com menor atraso do que satélites posicionados em órbitas muito mais distantes.

Os oito satélites começaram a ser liberados aproximadamente 56 minutos e 30 segundos depois da decolagem. A separação ocorreu ao longo de cerca de seis minutos, segundo informações divulgadas pela SpaceX e reunidas pelo Space.com.

Por que a Globalstar precisa de novos satélites?

Constelações orbitais não funcionam indefinidamente. Os equipamentos envelhecem, perdem capacidade ou chegam ao fim de sua vida útil.

Por isso, operadoras como a Globalstar realizam missões de reposição. Os novos satélites ajudam a preservar a cobertura e a confiabilidade dos serviços oferecidos aos clientes.

A Globalstar mantém serviços de voz, dados e rastreamento por satélite. Sua infraestrutura também possui aplicações em equipamentos conectados, operações remotas e comunicações em regiões sem cobertura convencional.

A missão estava originalmente prevista para maio de 2026, mas foi adiada para que a empresa tivesse mais tempo de preparação.

O que se sabe sobre a missão secreta USSF-366?

Muito pouco foi divulgado oficialmente sobre a carga da USSF-366.

A Força Espacial confirmou que a missão foi contratada por meio do programa National Security Space Launch, usado pelo governo norte-americano para colocar satélites estratégicos em órbita. A quantidade, o objetivo e o local exato de operação dos equipamentos não foram informados.

A transmissão da SpaceX também foi encerrada pouco depois do pouso do primeiro estágio. Esse procedimento é comum em lançamentos de segurança nacional, pois evita a divulgação de imagens ou dados que permitam calcular a órbita da carga.

A missão transportava satélites Starshield?

Observadores independentes consideram possível que a carga fosse formada por satélites militares baseados na plataforma Starshield. A hipótese surgiu da análise das áreas previstas para a queda de componentes do foguete, semelhantes às utilizadas em lançamentos anteriores.

Starshield é uma estrutura desenvolvida pela SpaceX a partir da experiência adquirida com a Starlink. A plataforma é destinada a missões governamentais, podendo oferecer comunicações protegidas, observação da Terra e transporte de sensores.

Até o momento, porém, essa associação não foi confirmada pela SpaceX nem pela Força Espacial. Portanto, deve ser tratada como uma hipótese técnica, e não como informação oficial.

Os dois propulsores voltaram à Terra

Os primeiros estágios dos dois Falcon 9 foram recuperados com sucesso. Essa é a parte inferior e mais cara do foguete, responsável pela maior parte do impulso durante os primeiros minutos de voo.

Na missão Globalstar, o propulsor B1090 retornou à Flórida e pousou em uma área terrestre próxima à plataforma de lançamento cerca de oito minutos após a decolagem.

Esse foi o 14º voo do B1090.

Na missão USSF-366, o propulsor B1088 pousou aproximadamente oito minutos e meio depois da partida na plataforma marítima autônoma “Of Course I Still Love You”, posicionada no Oceano Pacífico.

O B1088 completou seu 18º voo. Esse pouso também representou, segundo o Spaceflight Now, a 650ª recuperação bem-sucedida de um propulsor da família Falcon.

Como funciona a reutilização do Falcon 9?

O Falcon 9 possui dois estágios. O primeiro concentra nove motores Merlin e impulsiona o veículo durante a fase inicial do lançamento.

Depois de consumir parte do combustível, ele se separa do segundo estágio. Enquanto a parte superior continua levando a carga até a órbita, o propulsor inicia uma sequência de manobras para retornar.

O processo inclui:

  1. mudança de orientação;
  2. acionamento dos motores para reduzir a velocidade;
  3. entrada controlada na atmosfera;
  4. correção da trajetória;
  5. abertura das pernas de pouso;
  6. aterrissagem em solo ou plataforma marítima.

Depois de recuperado, o estágio passa por inspeções e preparação para outro voo. A reutilização diminui a necessidade de fabricar um foguete completo para cada missão.

Isso não torna o lançamento gratuito. Ainda existem gastos com combustível, manutenção, equipes, segundo estágio, carenagem e infraestrutura. Mesmo assim, recuperar a parte mais cara do veículo melhora a economia da operação e ajuda a elevar a frequência de voos.

SpaceX chegou a 96 lançamentos do Falcon 9 em 2026

A rodada dupla elevou para 96 o número de voos do Falcon 9 realizados desde o início de 2026. Aproximadamente 75% dessas missões foram destinadas à Starlink.

A concentração mostra que a SpaceX ocupa duas posições no mercado. Ela vende lançamentos para empresas e governos, mas também é uma das maiores clientes de seus próprios foguetes.

A Starlink exige lançamentos frequentes porque utiliza milhares de satélites em órbita baixa. Os equipamentos precisam ser adicionados e substituídos continuamente para ampliar a cobertura e manter a capacidade da rede.

Em agosto de 2026, a constelação se aproximava de 11 mil satélites em órbita. O número inclui equipamentos de diferentes gerações e condições operacionais.

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Por que outras empresas ainda não repetem essa frequência?

A SpaceX desenvolveu uma combinação difícil de replicar no curto prazo. Além do foguete reutilizável, a companhia possui várias plataformas de lançamento, centros próprios de controle e demanda constante gerada pela Starlink.

Outras operadoras podem realizar missões comercialmente bem-sucedidas, mas não possuem necessariamente cargas suficientes para manter dezenas de lançamentos durante o ano.

A alta frequência depende de quatro pilares:

  • foguetes disponíveis;
  • plataformas preparadas;
  • clientes ou cargas próprias;
  • autorização regulatória.

Se um desses elementos faltar, o veículo permanece em solo. A SpaceX consegue combinar todos eles em uma escala ainda incomum no setor.

A marca não elimina riscos e desafios

Uma cadência elevada exige atenção redobrada à segurança. Em fevereiro de 2026, os voos do Falcon 9 chegaram a ser suspensos temporariamente depois de um comportamento fora do previsto no segundo estágio de uma missão.

O episódio não impediu a entrega da carga, mas levou à interrupção dos lançamentos enquanto o problema era investigado. Isso mostra que o aumento da frequência não elimina a necessidade de revisões técnicas.

Há também debates sobre impactos ambientais, ruído, fechamento temporário de áreas costeiras e crescimento do número de objetos em órbita.

A expansão das constelações aumenta a necessidade de controle do tráfego espacial e retirada segura dos satélites ao fim de sua vida útil.

O que muda após o novo recorde?

O intervalo de 38 minutos e 30 segundos não muda imediatamente a vida do consumidor. A marca, porém, demonstra que uma empresa já consegue conduzir operações orbitais paralelas em escala industrial.

Para clientes comerciais e governamentais, isso significa maior disponibilidade de lançamentos e mais flexibilidade de agenda. Para a SpaceX, representa capacidade de expandir a Starlink sem abandonar contratos externos.

O recorde também pressiona concorrentes a investir em foguetes reutilizáveis, infraestrutura e redução do tempo de preparação.

A principal mensagem do feito não está apenas no relógio. Ela aparece na transformação do lançamento orbital em uma operação cada vez mais frequente, coordenada e repetível.

Perguntas frequentes

Imagem: Reprodução

Quantos minutos separaram os dois lançamentos da SpaceX?

O intervalo foi de aproximadamente 38 minutos e 30 segundos. O primeiro Falcon 9 decolou da Flórida, e o segundo partiu da Califórnia.

Os dois foguetes saíram da mesma base?

Não. Um foi lançado da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, e o outro da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

O que foi levado na missão Globalstar?

O Falcon 9 transportou oito satélites de reposição para a constelação de telecomunicações da Globalstar.

O que havia na missão USSF-366?

A carga permanece confidencial. Há especulações sobre satélites baseados na plataforma Starshield, mas essa informação não foi confirmada oficialmente.

Os foguetes foram recuperados?

Os primeiros estágios foram recuperados. Um pousou em terra na Flórida e o outro aterrissou em uma plataforma marítima no Oceano Pacífico.

Quantos lançamentos do Falcon 9 ocorreram em 2026?

Com a rodada dupla de 15 de agosto, a SpaceX chegou a 96 lançamentos do Falcon 9 em 2026.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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