As stablecoins deixaram de ocupar um espaço secundário no mercado de criptomoedas brasileiro e passaram a liderar as negociações no país. Dados divulgados pela Receita Federal mostram que esses ativos digitais representam aproximadamente 80% do volume de criptoativos declarados pelos brasileiros, consolidando uma mudança significativa no perfil das operações realizadas nos últimos anos.
Stablecoins concentram 80% do volume de criptoativos no Brasil
Stablecoins já representam cerca de 80% das operações com criptomoedas declaradas no Brasil. Entenda o crescimento desses ativos e as novas regras da Receita Federal.
O crescimento ocorre em um momento de maior amadurecimento do mercado de ativos digitais e coincide com a entrada em vigor de novas regras de prestação de informações à Receita Federal. A expectativa do governo é aumentar a transparência das operações, alinhando o Brasil aos padrões internacionais de fiscalização do setor.
Para investidores, empresas e usuários de criptomoedas, entender o papel das stablecoins tornou-se essencial, já que esses ativos passaram a desempenhar funções que vão muito além do investimento especulativo.
O que são stablecoins?

Stablecoins são criptomoedas desenvolvidas para manter um valor relativamente estável.
Ao contrário do Bitcoin e de outros ativos digitais que apresentam grandes oscilações de preço, elas costumam ser lastreadas em ativos de referência, como:
- dólar americano;
- real brasileiro;
- euro;
- títulos públicos ou reservas financeiras.
O objetivo é reduzir a volatilidade, permitindo que sejam utilizadas como meio de pagamento, reserva temporária de valor e instrumento para movimentações financeiras dentro do mercado de criptoativos.
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Por que elas cresceram tanto?
Diversos fatores explicam essa expansão.
Menor volatilidade
Como acompanham moedas tradicionais, as stablecoins oferecem maior previsibilidade de valor.
Isso atrai investidores que desejam permanecer no mercado de criptomoedas sem ficar totalmente expostos às fortes oscilações de ativos como Bitcoin e Ethereum.
Facilidade nas negociações
Grande parte das operações entre diferentes criptomoedas utiliza stablecoins como ativo intermediário.
Isso torna as transações mais rápidas e reduz custos operacionais em diversas plataformas.
Uso internacional
Por serem amplamente aceitas em exchanges globais, essas moedas digitais também facilitam operações internacionais e transferências entre diferentes países.
O que mostram os dados da Receita Federal?
Segundo levantamento divulgado pela Receita Federal, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025 foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações envolvendo os principais criptoativos.
Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão correspondeu às stablecoins. Nos anos mais recentes, esses ativos passaram a representar aproximadamente 80% do volume mensal negociado, chegando a superar 90% em determinados períodos.
Os números demonstram que o crescimento foi acelerado principalmente a partir de 2020.
Qual stablecoin lidera o mercado?
A principal stablecoin utilizada pelos brasileiros é a USDT (Tether).
Segundo a Receita Federal, ela responde por cerca de 88,7% de todo o volume movimentado em stablecoins entre 2019 e 2025, equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão em operações declaradas.
Na sequência aparecem:
- USDC (USD Coin);
- BRZ, stablecoin brasileira lastreada em real.
Esses ativos também vêm ampliando sua participação, embora ainda estejam muito atrás da liderança da USDT.
O que muda com a nova fiscalização?
A partir de julho de 2026, entrou em vigor a DeCripto, sistema criado pela Receita Federal para ampliar a transparência nas operações com ativos digitais.
A iniciativa segue o padrão internacional Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Entre as principais mudanças estão:
Mais informações obrigatórias
Prestadoras de serviços com criptoativos, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendem brasileiros, passam a informar operações realizadas por seus clientes.
Combate à lavagem de dinheiro
O objetivo é facilitar a identificação de movimentações suspeitas e fortalecer a cooperação internacional entre administrações tributárias.
Maior transparência
A Receita Federal espera reduzir riscos de evasão fiscal e ampliar o controle sobre operações envolvendo ativos digitais.
Stablecoins são investimentos?
Nem sempre.
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+311 mil seguidores
Embora possam ser compradas e vendidas em exchanges, seu principal objetivo não é proporcionar valorização.
Na maioria dos casos, investidores utilizam stablecoins para:
- proteger recursos durante períodos de instabilidade;
- realizar transferências internacionais;
- negociar outras criptomoedas;
- manter liquidez dentro das plataformas de negociação.
Por isso, elas desempenham um papel diferente daquele exercido por ativos como Bitcoin e Ethereum.
Existem riscos?
Sim.
Mesmo apresentando menor volatilidade, stablecoins não são totalmente livres de riscos.
Entre os principais estão:
Reservas financeiras
É importante verificar se a emissora mantém reservas suficientes para garantir a paridade prometida.
Regulação
Mudanças regulatórias podem alterar regras de funcionamento e exigências para emissores e plataformas.
Segurança digital
Como qualquer ativo negociado online, existe risco relacionado a golpes, ataques cibernéticos e perda de acesso às carteiras digitais.
Especialistas recomendam utilizar apenas plataformas reconhecidas e manter boas práticas de segurança.
O que isso representa para o mercado brasileiro?
O crescimento das stablecoins demonstra o amadurecimento do ecossistema de ativos digitais no país.

Em vez de utilizarem criptomoedas apenas para especulação, muitos investidores passaram a recorrer às stablecoins como instrumento de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Ao mesmo tempo, a ampliação da fiscalização tende a aumentar a transparência do setor, fortalecendo a confiança de investidores e aproximando o mercado brasileiro dos padrões internacionais.
Conclusão
As stablecoins consolidaram sua posição como principal categoria de criptoativos utilizada pelos brasileiros. Os dados da Receita Federal mostram que esses ativos já representam cerca de 80% do volume declarado de operações com criptomoedas, impulsionados pela estabilidade de preço, facilidade nas negociações e ampla utilização em plataformas internacionais.
Com a entrada em vigor da DeCripto e a adoção de padrões internacionais de prestação de informações, o mercado tende a operar em um ambiente mais transparente e regulado. Para investidores, acompanhar essas mudanças será cada vez mais importante, tanto para cumprir as obrigações fiscais quanto para aproveitar as oportunidades oferecidas pela evolução do mercado de ativos digitais.
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