Enquanto as atenções se voltam para a inteligência artificial e a automação, uma revolução silenciosa, porém impactante, está reformulando o funcionamento das finanças globais. Em 2025, as stablecoins movimentaram mais de US$ 28 trilhões em transações, superando juntas as redes da Visa e Mastercard, segundo dados recentes do mercado.
Com valor de mercado superior a US$ 263 bilhões, essas moedas digitais estáveis deixaram de ser uma curiosidade do universo cripto para se tornarem peças centrais da nova infraestrutura financeira global.
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Do experimento à infraestrutura essencial

O crescimento das stablecoins é vertiginoso. Só em 2025, o volume em circulação cresceu 59%, representando mais de 1% da base monetária M2 dos Estados Unidos. Cerca de 83% desses ativos digitais estão pareados ao dólar americano, reforçando o papel hegemônico da moeda mesmo em ambientes digitais descentralizados.
Esses ativos permitem transações globais rápidas, com liquidação instantânea e taxas reduzidas, suprimindo a necessidade de intermediários bancários tradicionais. Seu uso se estende de pagamentos internacionais e remessas até soluções de preservação de valor em economias instáveis.
USDT e USDC lideram com folga
A liderança no setor continua com a Tether (USDT), que detém cerca de US$ 155 bilhões em circulação, seguida pela Circle (USDC), com mais de US$ 60 bilhões. Juntas, controlam cerca de 89% do mercado de stablecoins. Ambas mantêm, juntas, mais de US$ 204 bilhões aplicados em títulos do Tesouro dos EUA – um valor superior às reservas internacionais de países como Brasil ou Noruega.
Outro destaque é o PayPal USD (PYUSD), que dobrou seu tamanho em 2025, alcançando US$ 775 milhões, evidenciando o crescente interesse das big techs nesse ecossistema financeiro.
Adoção institucional acelera
A institucionalização das stablecoins ocorre em velocidade inédita. Empresas como a Stripe ampliaram sua atuação global, oferecendo contas baseadas nesses ativos em mais de 100 países. Com isso, empresas e indivíduos podem realizar transações internacionais com mais agilidade e menor custo.
Gigantes de pagamentos como Visa e Mastercard já aceitam pagamentos com stablecoins em estabelecimentos físicos e virtuais. E mais: ambas desenvolvem produtos próprios voltados para a crescente demanda por esses ativos.
Empresas de tecnologia como Apple, Google, Meta e X (ex-Twitter) também exploram formas de integração com stablecoins para otimizar transações e reduzir custos operacionais, consolidando a moeda digital estável como o novo pilar dos serviços financeiros.
Benefícios concretos para indivíduos e empresas
O avanço das stablecoins não se dá apenas por especulação. Na prática, elas oferecem soluções eficientes e escaláveis para problemas reais:
- Liquidação instantânea internacional, eliminando intermediários e atrasos;
- Preservação de valor em economias voláteis, funcionando como proteção contra inflação;
- Inclusão financeira, ao permitir acesso a dólares digitais sem necessidade de conta bancária;
- Tokenização de ativos e automação de processos financeiros, com maior transparência e controle;
- Custos operacionais reduzidos, favorecendo especialmente fintechs e pequenas empresas.
A corrida regulatória está em curso

Com o avanço das stablecoins, o tema da regulamentação se tornou prioridade global. No Brasil, o Banco Central anunciou que publicará ainda em 2025 as diretrizes para regular esses ativos, buscando garantir segurança jurídica e prevenir fraudes.
O Projeto de Lei 4.308/2024, atualmente em discussão no Congresso Nacional, prevê que somente instituições autorizadas poderão emitir stablecoins lastreadas em moeda estrangeira. A proposta exige reservas integrais, auditorias frequentes e transparência nas informações de lastro.
A autoridade monetária brasileira também tem dialogado com o mercado para ajustar pontos controversos, como a questão da autocustódia. A expectativa é de um marco legal equilibrado e compatível com a inovação no setor.
Estados Unidos lideram o movimento legal
Nos EUA, o Genius Act é o primeiro marco regulatório federal específico para stablecoins. O projeto exige auditorias anuais e reserva total em ativos líquidos para emissores com mais de US$ 50 bilhões de capitalização. Com apoio bipartidário, a lei deve ser aprovada ainda no terceiro trimestre de 2025.
Analistas apontam que sua implementação pode impulsionar a emissão desses ativos, inclusive por bancos tradicionais.
Perspectivas futuras: trilhões em jogo
Atualmente, as stablecoins representam dois terços de todas as transações com criptoativos. Projeções do Citi e da Ark Invest estimam que o setor pode alcançar entre US$ 1,6 trilhão e US$ 3,7 trilhões até 2030, dependendo da velocidade de regulamentação e da adoção institucional.
A infraestrutura para isso já está em desenvolvimento. Na América Latina, empresas como a Lumx lideram a implementação de soluções regionais. Nos EUA, grandes bancos como JPMorgan, Wells Fargo e Citigroup avaliam a criação de uma stablecoin própria, utilizando redes como Zelle e The Clearing House.
Esse movimento representa uma virada estratégica: de resistência a investimentos em cripto por parte do sistema bancário tradicional.
Com informações de: CoinDesk, Deutsche Bank, FXStreet, Chainalysis, Circle, Tether, Banco Central do Brasil, Citi Institute, ARK Invest, Fortune, CNN, World Economic Forum, Forbes, PYMNTS, Liberty Street Economics via Exame
