A guerra na Ucrânia impôs desafios sem precedentes à infraestrutura de telecomunicações do país. Em resposta, a Starlink, em parceria com a operadora Kyivstar, apresentou uma solução capaz de manter a conectividade mesmo diante de bombardeios e apagões: o Starlink Direct to Cell.
Starlink desenvolve sistema à prova de falhas para conexão na Ucrânia
Descubra como a Starlink e a Kyivstar garantem internet mesmo sob bombardeios na Ucrânia. Veja como funciona.
A nova tecnologia permite que smartphones se comuniquem diretamente com satélites, eliminando a dependência de torres e cabos.
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Conexão sob fogo: tecnologia que resiste à guerra

O Ministério da Transformação Digital da Ucrânia anunciou que a tecnologia foi testada com sucesso, garantindo sinal estável em regiões onde a infraestrutura terrestre foi destruída ou danificada.
A inovação funciona sem a necessidade de antenas adicionais ou roteadores: basta um cartão SIM da Kyivstar compatível com 4G. Isso representa um avanço crucial para áreas isoladas, vilarejos destruídos e zonas de combate.
“Apesar de todos os desafios da guerra, continuamos a desenvolver soluções inovadoras, pois uma comunicação confiável é prioridade”, afirmou Mykhailo Fedorov, Ministro da Transformação Digital.
Primeiro teste de campo no Leste Europeu
Local e participantes
O projeto piloto foi realizado na região de Zhytomyr. Durante o teste, o CEO da Kyivstar, Oleksandr Komarov, e o ministro Fedorov trocaram mensagens via satélite com sucesso.
Fase inicial
O programa será lançado oficialmente no segundo semestre de 2025, começando com mensagens de texto e dados básicos, enquanto o serviço de vídeo e chamadas por aplicativos de mensagens ainda está em desenvolvimento.
Como funciona o Starlink Direct to Cell
O Starlink Direct to Cell integra satélites de baixa órbita com redes móveis terrestres, permitindo que smartphones comuns enviem e recebam dados diretamente de um satélite.
Vantagens principais
- Cobertura total: mesmo em regiões sem torres de celular.
- Sem necessidade de equipamento extra: apenas SIM 4G da Kyivstar.
- Resistência a falhas: operando mesmo durante quedas de energia e ataques cibernéticos.
- Flexibilidade geográfica: funcional em montanhas, desertos, áreas inundadas e regiões minadas.
Parceria estratégica entre Starlink e Kyivstar
A colaboração foi formalizada em dezembro de 2024, após um ataque cibernético que custou US$ 100 milhões à Kyivstar. O acordo prevê a integração total das redes terrestres com a constelação de satélites da Starlink. Segundo Kaan Terzioglu, CEO do Grupo VEON, a meta é clara:
“Nada deve interferir na conectividade de nossos clientes – nem quedas de energia, nem desastres naturais, nem conflitos armados.”
Impacto social e militar da tecnologia
Para a população civil
- Garantia de comunicação para famílias separadas.
- Acesso a informações de segurança e rotas de evacuação.
- Continuidade de atividades econômicas remotas.
Para as forças armadas e resgate
- Coordenação de operações em áreas críticas.
- Transmissão de dados estratégicos em tempo real.
- Maior segurança em missões de busca e salvamento.
Testes e próximos passos
Engenheiros da Kyivstar continuarão testando a velocidade de transmissão, a compatibilidade com diferentes modelos de smartphones e a estabilidade em condições extremas. No futuro, a rede deve incluir:
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- Chamadas de voz via satélite.
- Transmissão de vídeo em tempo real.
- Integração com redes 5G.
Expansão internacional e listagem na Nasdaq
Com 23 milhões de clientes, a Kyivstar se prepara para se tornar a primeira empresa ucraniana listada na Nasdaq, com expectativa de captar US$ 200 milhões. Parte do capital será destinada à expansão do projeto Direct to Cell e à modernização das redes de telecomunicações.
Desafios e limitações
Apesar da promessa de cobertura total, a tecnologia ainda enfrenta desafios:
- Latência: mesmo baixa, pode afetar chamadas em tempo real.
- Custo: valores de assinatura ainda não divulgados.
- Compatibilidade: nem todos os smartphones suportarão o recurso de imediato.
O que esperar para os próximos anos

A parceria entre Starlink e Kyivstar é vista como um marco para comunicações seguras em zonas de conflito. Especialistas acreditam que, nos próximos anos, sistemas semelhantes serão adotados em regiões propensas a desastres naturais e países com infraestrutura limitada.
Se bem-sucedida, a Ucrânia poderá se tornar referência mundial em integração de redes móveis e satélites para segurança e resiliência digital.
Conclusão
A guerra acelerou o desenvolvimento de tecnologias que antes pareciam distantes. O Starlink Direct to Cell é um exemplo de como a inovação pode surgir da necessidade extrema, garantindo que a conexão não seja mais vítima das circunstâncias.
Com a primeira fase prevista ainda para 2025, a Ucrânia dá um passo histórico rumo à independência de infraestrutura terrestre, estabelecendo um modelo que poderá inspirar outras nações.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
