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Starlink lança serviço para celular na América Latina; quais regiões serão cobertas?

Starlink estreia conexão D2C no Chile, levando internet via satélite direto ao celular e ampliando cobertura móvel em regiões remotas.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
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A chegada da tecnologia D2C (Direct to Cell) da Starlink ao Chile marca um dos avanços mais significativos da conectividade móvel no continente. Pela primeira vez na América Latina, usuários poderão se conectar diretamente aos satélites sem depender de antenas, torres ou equipamentos adicionais. O anúncio coloca o Chile ao lado de países como Estados Unidos, Canadá e Japão, que já operam o sistema e buscam ampliar suas redes em regiões remotas.

A operação simboliza mais do que uma simples atualização tecnológica. Representa um novo momento da comunicação digital na região, surgindo como resposta à histórica dificuldade de ampliar a cobertura em áreas montanhosas, desertos e localidades isoladas. O Chile, por sua geografia complexa, é praticamente um laboratório natural para esse tipo de inovação.

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Como funciona a conexão D2C da Starlink

A tecnologia Direct to Cell é baseada em uma arquitetura avançada de satélites de órbita baixa. Esses satélites são capazes de enviar sinais diretamente aos smartphones compatíveis, substituindo a infraestrutura tradicional de telecomunicações.

Eliminação da dependência de torres terrestres

Enquanto redes móveis convencionais dependem de torres instaladas estrategicamente, o D2C opera sem pontos fixos no solo. Isso permite que o alcance seja global e contínuo, cobrindo áreas antes impossíveis de atender. A promessa é garantir acesso a mensagens, chamadas e dados básicos mesmo em regiões completamente isoladas.

Essa inovação se torna ainda mais relevante no Chile, país cuja geografia combina montanhas íngremes, desertos extensos e ilhas distantes. O sistema satelital da Starlink chega como uma solução natural para suprir essa lacuna histórica.

A importância da visão direta para o céu

Para que o sinal seja recebido de maneira eficiente, o smartphone precisa ter visão direta para o céu. Obstáculos físicos, como estruturas metálicas, túneis e paredes muito espessas, podem afetar a recepção. Porém, em ambientes a céu aberto — especialmente em áreas remotas — a conexão tende a se manter estável.

Locais desafiadores, como o Deserto do Atacama e regiões montanhosas da Patagônia, entram no radar de cobertura total pela primeira vez. A promessa é que o usuário possa enviar uma mensagem, solicitar socorro ou acessar aplicativos básicos mesmo no meio de trilhas, estradas isoladas ou regiões sem qualquer infraestrutura.

Quem pode usar o serviço D2C no Chile

O serviço está sendo implementado inicialmente em parceria com a operadora Entel, uma das maiores do país. A adesão foi direcionada principalmente para usuários que possuem planos de grande volume de dados, como pacotes de 150 GB e 450 GB.

Preço e condições

A mensalidade inicial para acessar a tecnologia custa cerca de 12.990 pesos chilenos, valor que posiciona o serviço como uma alternativa relativamente acessível considerando o impacto da inovação. Para muitos moradores de áreas urbanas, esse preço pode parecer comum; porém, em zonas rurais, representa uma transformação profunda na forma de acessar serviços digitais.

Dispositivos compatíveis com o D2C

Um dos pontos que mais chamaram a atenção após o anúncio oficial foi a lista de smartphones compatíveis. Embora bastante ampla, a lista surpreendeu por incluir dezenas de modelos de fabricantes populares e, ao mesmo tempo, excluir uma das marcas mais vendidas do mundo.

Samsung lidera disparado

A Samsung domina a lista, com mais de 40 modelos liberados para operar com o Direct to Cell. Isso faz sentido, dado que a empresa tem forte atuação em tecnologias de comunicação e colabora com fabricantes de modems avançados.

Usuários de dispositivos das linhas Galaxy A, S e algumas versões da linha M estão entre os mais beneficiados.

Xiaomi, Motorola, Vivo e Honor também entram

A compatibilidade se estende para diversas outras marcas extremamente populares na América Latina:

– Xiaomi
– Honor
– Vivo
– Motorola

Esses aparelhos já possuem hardware adequado ou atualizações de software necessárias para se conectar diretamente aos satélites da Starlink. Isso facilita a adoção em massa da tecnologia, especialmente entre usuários que já possuem esses modelos e não precisam trocar de smartphone.

A ausência dos iPhones

A maior surpresa do anúncio foi a inexistência de iPhones na lista. Nenhum modelo atual da Apple — incluindo iPhone 13, 14 ou 15 — aparece como compatível.

Há algumas hipóteses para explicar essa ausência:

– limitações técnicas dos modems usados pela Apple
– falta de acordos comerciais entre Apple e Starlink ou Entel
– necessidade de atualizações específicas que ainda não foram liberadas
– mudança de foco da Apple, que utiliza sistema próprio de SOS via satélite

Especialistas acreditam que a Apple pode adotar o D2C em futuras gerações, especialmente devido ao avanço global da conectividade satelital. No entanto, até o momento, usuários de iPhone ficarão de fora da fase inicial da tecnologia.

O impacto da tecnologia D2C no Chile e na América Latina

A introdução da conexão satelital direta ao celular no Chile abre portas para uma transformação mais ampla. A América Latina, historicamente marcada por regiões de difícil acesso, pode estar diante de um novo ciclo de integração digital.

Inclusão digital nas áreas mais remotas

Comunidades isoladas na Patagônia, pequenas vilas no Atacama, povoados próximos à Cordilheira dos Andes e zonas agrícolas distantes podem finalmente integrar-se aos serviços digitais essenciais.

Com o D2C, atividades simples — como enviar uma mensagem, solicitar um transporte, fazer uma compra online ou receber assistência médica remota — tornam-se possíveis.

Segurança em situações de risco

O Chile é um dos países mais suscetíveis a desastres naturais do mundo, incluindo:

– terremotos
– erupções vulcânicas
– enchentes
– deslizamentos
– ondas de calor extremas

A comunicação é frequentemente interrompida nessas situações, colocando vidas em risco. A tecnologia D2C reduz significativamente esse risco ao oferecer uma camada de comunicação independente da infraestrutura terrestre, garantindo acesso contínuo a serviços de emergência.

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Avanço econômico e modernização de setores fundamentais

Vários setores devem se beneficiar diretamente:

Agricultura: monitoramento remoto, previsão do tempo, rastreamento de máquinas.
Mineração: comunicação em locais isolados e maior segurança operacional.
Turismo: trilhas, parques naturais e áreas protegidas ganham segurança e conectividade.
Comércio local: acesso a meios de pagamento digitais e plataformas de venda.

O D2C não é apenas uma inovação tecnológica: é uma ferramenta econômica.

Impulso para inovação e competitividade regional

Com o Chile à frente, espera-se que outros países latino-americanos acelerem estudos, regulamentações e testes. Brasil, Argentina, Peru e Colômbia já demonstraram interesse em tecnologias satelitais mais acessíveis.

A popularização do D2C pode desencadear uma corrida por modernização nas telecomunicações, impulsionando o desenvolvimento de novas redes híbridas entre satélites e antenas terrestres.

O futuro do Direct to Cell

Embora o serviço esteja em fase inicial, o potencial do D2C é ainda maior. A Starlink planeja expandir e aprimorar as funcionalidades nos próximos anos.

Evolução esperada da tecnologia

Entre os avanços previstos estão:

  • melhoria da velocidade de dados
  • expansão da cobertura global contínua
  • roaming internacional via satélite
  • chamadas de voz totalmente integradas
  • banda larga diretamente do satélite para o celular

Essa evolução pode transformar o D2C em uma alternativa de conectividade principal, não apenas suplementar.

Desafios a superar

Apesar do avanço, alguns desafios permanecem:

  • compatibilidade limitada de aparelhos
  • custo que ainda pode ser alto para populações vulneráveis
  • necessidade de regulamentações específicas em cada país
  • gestão de tráfego de dados conforme a adesão crescer

Ainda assim, o Chile já se posiciona como referência e vitrine da nova fase da comunicação móvel na América Latina.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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