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Starlink ganha espaço no Brasil e mira conexão de celulares diretamente por satélite

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
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A Starlink obteve uma ampliação das autorizações de uso de frequências no Brasil, um avanço que abre novas possibilidades para a conexão de celulares diretamente aos satélites. A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), porém, não significa que a empresa de Elon Musk esteja pronta para disputar o mercado de telefonia móvel com operadoras como Vivo, Claro e TIM.

O principal obstáculo está na diferença entre oferecer conectividade via satélite e operar uma rede móvel com capacidade para atender milhões de consumidores. Para avançar no segundo modelo, a companhia poderá precisar de novas frequências terrestres, infraestrutura própria ou até mesmo da aquisição de uma empresa de telecomunicações.

A decisão também ocorre em um momento de expansão da estratégia global da SpaceX, controladora da Starlink, que busca aproximar os serviços de internet via satélite da experiência oferecida pelas redes celulares tradicionais.

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O que muda com a ampliação das licenças da Starlink no Brasil?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A Anatel aprovou, por quatro votos a um, a ampliação das licenças da Starlink relacionadas à chamada Banda S, utilizada em projetos de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis. Segundo informações publicadas pelo Brazil Journal em 14 de outubro de 2026, as autorizações têm validade até 2039.

A medida cria condições regulatórias para ampliar o desenvolvimento de serviços de conectividade via satélite, especialmente em regiões onde a cobertura das redes terrestres é limitada. O avanço, entretanto, não equivale à autorização irrestrita para a Starlink atuar como uma operadora convencional de telefonia móvel.

A diferença é relevante porque cada faixa de radiofrequência possui características técnicas e condições de utilização específicas. A autorização para empregar frequências em comunicações via satélite não substitui automaticamente as licenças necessárias para operar uma rede móvel terrestre.

Como funciona a tecnologia que conecta celulares diretamente aos satélites?

A tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D), ou conexão direta ao dispositivo, permite que satélites se comuniquem com aparelhos compatíveis sem depender exclusivamente de antenas instaladas em casas, empresas ou torres de telefonia.

Na prática, o objetivo é ampliar a conectividade em locais onde o sinal convencional não chega ou é insuficiente. Dependendo da tecnologia, das frequências autorizadas e dos equipamentos utilizados, o serviço pode viabilizar mensagens, comunicação de emergência e, em determinadas configurações, outros recursos de conectividade móvel.

O funcionamento depende de uma combinação de fatores: satélites capazes de estabelecer a conexão, espectro adequado, compatibilidade dos aparelhos, capacidade da rede e autorização regulatória para cada serviço.

Por que a Banda S ainda representa um desafio?

A Banda S é uma faixa do espectro de radiofrequências que pode ser utilizada em determinadas aplicações de comunicação via satélite. Sua utilização em serviços D2D depende de condições técnicas que permitam a comunicação entre os satélites e os dispositivos móveis.

Um dos entraves apontados para a expansão do projeto no Brasil é a compatibilidade dos smartphones. Segundo a reportagem do Brazil Journal, quase nenhum celular brasileiro é compatível com a Banda S nas condições consideradas para a iniciativa.

Isso significa que a ampliação das licenças, por si só, não garante que os consumidores possam começar a utilizar o serviço imediatamente. A disponibilidade comercial dependerá também dos aparelhos compatíveis, da implantação da infraestrutura necessária e das condições efetivas de operação.

Por que a Starlink ainda não pode competir diretamente com Vivo, Claro e TIM?

A Starlink já possui uma operação de internet via satélite no Brasil, mas esse negócio tem características diferentes das de uma operadora tradicional de telefonia móvel.

Na conexão via satélite convencional, o cliente utiliza um terminal específico, geralmente uma antena instalada em um imóvel ou em outro local de uso. Já o modelo D2D busca estabelecer uma comunicação diretamente com o celular, sem exigir uma antena dedicada para cada usuário.

Embora a segunda modalidade possa ampliar o alcance da empresa, transformar essa capacidade em um serviço móvel de grande escala exige mais do que acesso a frequências de satélite.

As operadoras tradicionais contam com redes terrestres, frequências destinadas à telefonia móvel, sistemas de gerenciamento de tráfego, acordos de interconexão e estruturas comerciais consolidadas. Reproduzir uma operação com alcance e capacidade semelhantes envolve investimentos, planejamento regulatório e disponibilidade de espectro adequado.

Além disso, a conexão direta entre satélites e celulares enfrenta limitações de capacidade e cobertura que dependem da geração tecnológica, da quantidade de satélites e das condições de propagação do sinal.

A Starlink pode comprar uma operadora de telefonia no Brasil?

Sim, uma aquisição é uma das possibilidades estratégicas discutidas para uma eventual expansão da Starlink no mercado móvel brasileiro. Isso não significa, contudo, que exista uma compra confirmada ou que a empresa tenha anunciado um plano concreto para adquirir uma operadora nacional.

Uma operação de fusões e aquisições, conhecida pela sigla M&A, do inglês mergers and acquisitions, poderia oferecer acesso a ativos importantes, como licenças de espectro terrestre, infraestrutura de rede, contratos e uma base de clientes.

A alternativa também poderia reduzir o tempo necessário para construir uma presença relevante no setor. Em contrapartida, uma transação desse porte exigiria análise financeira, avaliação dos ativos e cumprimento das exigências regulatórias aplicáveis.

A eventual transferência de controle ou aquisição de ativos de telecomunicações pode depender de aprovações dos órgãos competentes, conforme a estrutura do negócio. Portanto, comprar uma empresa não significaria obter autorização automática para qualquer modalidade de serviço.

Comprar frequências em leilões é outra alternativa

A aquisição de uma operadora não é o único caminho possível. A Starlink também poderia buscar frequências terrestres em futuras oportunidades de licitação promovidas pela Anatel, desde que atendesse às regras aplicáveis.

Esse caminho permitiria ampliar gradualmente o conjunto de recursos necessários à operação móvel. A faixa de 850 MHz é apontada por analistas como uma possibilidade relevante para a estratégia, devido às suas características de propagação e ao potencial de cobertura.

Frequências mais baixas tendem a alcançar distâncias maiores e apresentar melhor penetração em ambientes fechados do que faixas mais elevadas, embora o desempenho real dependa da rede, das antenas, da potência e das condições locais.

Até que existam autorizações e recursos suficientes para sustentar a operação pretendida, a obtenção de licenças de satélite deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla, e não como prova de uma entrada iminente no mercado de telefonia convencional.

O que aconteceu nos Estados Unidos e por que o Brasil é diferente?

Nos Estados Unidos, a SpaceX avançou em uma estratégia que combina conectividade via satélite com a aquisição de frequências terrestres.

Em outubro de 2026, a empresa anunciou a compra de um portfólio de licenças de espectro na faixa de 800 MHz, em uma operação estimada em aproximadamente US$ 8 bilhões. O negócio foi divulgado como um passo para ampliar a capacidade da Starlink Mobile e aproximar a companhia do modelo de uma operadora móvel tradicional.

A operação ainda depende das aprovações regulatórias pertinentes, e a posse de frequências não elimina a necessidade de desenvolver a rede e os serviços correspondentes.

No Brasil, a situação é diferente porque a ampliação recente se concentra em frequências associadas à comunicação via satélite, e não em uma aquisição equivalente de espectro terrestre de baixa frequência.

A comparação mostra que a estratégia internacional da SpaceX não pode ser reproduzida automaticamente em todos os países. As regras de telecomunicações, a disponibilidade de frequências e a estrutura de cada mercado influenciam o caminho necessário para oferecer serviços móveis.

Quais são os impactos para os consumidores brasileiros?

Para os consumidores, o principal benefício potencial é a ampliação da conectividade em áreas rurais, estradas, regiões remotas e localidades com cobertura terrestre insuficiente.

Se a tecnologia evoluir e estiver disponível comercialmente em condições adequadas, a conexão direta entre celulares e satélites poderá complementar as redes existentes. Isso não significa, necessariamente, substituir as operadoras tradicionais ou oferecer a mesma velocidade e capacidade em todas as situações.

A experiência do usuário dependerá da compatibilidade do aparelho, da cobertura por satélite, das condições ambientais, do tipo de serviço contratado e da capacidade disponível na região.

Também não há base para concluir, apenas a partir da ampliação das licenças, que os brasileiros terão acesso imediato a um novo plano de telefonia da Starlink ou que os preços dos serviços móveis cairão no curto prazo.

Quais são os próximos passos para a Starlink no Brasil?

A evolução do projeto dependerá de decisões regulatórias, avanços tecnológicos e investimentos comerciais. Entre os principais pontos a acompanhar estão:

  • Compatibilidade dos celulares: disponibilidade de aparelhos capazes de operar nas frequências e nos padrões técnicos utilizados.
  • Expansão da infraestrutura espacial: lançamento e operação de satélites suficientes para atender à demanda prevista.
  • Acesso a espectro terrestre: participação em eventuais leilões ou obtenção de frequências por meio de operações permitidas pela legislação.
  • Estratégia comercial: definição de serviços, preços, cobertura e possíveis acordos com empresas locais.
  • Autorizações regulatórias: cumprimento das exigências necessárias para cada modalidade de prestação de serviço.

O desenvolvimento desses elementos ajudará a determinar se a Starlink permanecerá concentrada na conectividade via satélite e em serviços complementares ou se avançará para uma operação móvel mais próxima da estrutura das grandes operadoras.

Starlink vai virar uma operadora de celular no Brasil?

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Imagem: Canva

A ampliação das licenças representa um avanço para a estratégia de conectividade da empresa, mas não confirma uma entrada imediata no mercado de telefonia móvel convencional.

A companhia ainda enfrenta desafios relacionados à compatibilidade dos aparelhos, ao acesso a frequências terrestres, à capacidade da rede e à estrutura necessária para atender consumidores em escala. Uma aquisição de empresa ou de ativos de telecomunicações é uma possibilidade, mas não deve ser tratada como uma decisão já tomada.

Para o consumidor brasileiro, a consequência mais concreta, neste momento, é a perspectiva de novas alternativas de conexão em áreas mal atendidas pelas redes tradicionais. A transformação da Starlink em uma concorrente direta de Vivo, Claro e TIM dependerá de etapas adicionais que ainda precisam ser concretizadas.

Conclusão

A ampliação das licenças da Starlink no Brasil representa um avanço na expansão da conectividade via satélite, mas ainda não coloca a empresa em condições de competir diretamente com as grandes operadoras de telefonia móvel. Para isso, será necessário superar desafios relacionados ao espectro terrestre, à compatibilidade dos celulares e à infraestrutura de rede.

Uma eventual aquisição de ativos ou de uma operadora pode acelerar esse processo, mas, até que novas medidas sejam confirmadas, a entrada da empresa no mercado móvel brasileiro permanece uma possibilidade. O avanço da estratégia dependerá das decisões regulatórias e dos investimentos necessários para transformar a conexão via satélite em uma alternativa mais ampla para os consumidores brasileiros.

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