Durante plenária virtual, o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou, em 7 a 0, uma lei estadual que proibia o uso de linguagem neutra nas escolas, seja na grade curricular ou em materiais didáticos. Além disso, a norma vetava a utilização dessa linguagem em provas de concurso público na região.
STF libera uso de linguagem neutra nas escolas
Saiba como ocorreu a votação do STF e em qual estado brasileiro foi vetada a proibição da linguagem neutra.
A votação teve início na última quinta-feira (9) e finalizou nesta sexta-feira (10). O objetivo da audiência foi revogar uma lei do estado de Rondônia (RO) que havia sido sancionada pelo governador Marcos Rocha (União Brasil), no ano de 2021.
Participaram da ação o relator da pauta, ministro Edson Fachin, que esteve acompanhado dos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Nunes Marques.
Lei inconstitucional
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) sugeriu a proposta. Segundo a organização, é dever da União legislar questões referentes ao sistema educacional.
Além disso, a entidade alegou que a norma era contra a diversidade, apresentava intolerâncias e ainda continha “caráter partidário e ideológico”.
De acordo com Fachin, a lei em questão violava a competência legislativa da União, que visa “estabelecer regras minimamente homogêneas em todo território nacional”. Ou seja, segundo o relator, não é papel dos governos estaduais aplicar leis referentes à Educação.
Aliás, Fachin declarou que a linguagem neutra tem o papel de “combater preconceitos linguísticos, retirando vieses que usualmente subordinam um gênero em relação a outro”. Ela ainda afirmou que diversos países e organizações internacionais têm utilizado esse tipo de linguagem nos órgãos públicos.
Nunes Marques apresentou ressalvas
Em observação ao parecer do relator, o ministro Nunes Marques disse que não apenas a proibição do uso da linguagem neutra, mas a imposição da mesma fere a constituição. Nesse sentido, ele afirmou que “seria igualmente inconstitucional, norma estadual ou municipal que impusesse o ensino”.
No entanto, Nunes alegou que a língua passa por transformações ao longo dos séculos e que essa característica marca a cultura de um povo.
Porém, foi dito pelo ministro que “qualquer tentativa de se impor mudanças ao idioma por meio de lei, como se a língua pudesse ser moldada por um decreto, será ineficaz”.
O que é linguagem neutra
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A linguagem neutra, também conhecida como “não-binária” ou dialeto neutro, refere-se à substituição dos artigos feminino e masculino por um artigo que apresenta neutralidade, nesse caso, é representado pela letra “e”.
A título de exemplo, palavras como “todas(os)”, “bonita(a)” e “menino(a) podem ser escritos da seguinte forma:
- todes;
- bonite;
- menine.
Ademais, há quem use a letra “x” ou o símbolo “@” para dar o mesmo sentido aos vocábulos. O intuito dessa linguagem é tornar a língua portuguesa mais inclusiva às pessoas intersexo e não-binárias – aquelas que não se identificam com o gênero masculino ou feminino.
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil
