Em uma decisão unânime, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por meio de uma liminar, que benefícios sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) não podem ser aplicados em apostas online, as chamadas “bets”.
STF proíbe uso de Bolsa Família e BPC em apostas online e regulamenta publicidade para crianças
STF confirma decisão que impede o uso de benefícios sociais, como Bolsa Família e BPC, em apostas online e regulamenta publicidade voltada para menores.
Os 11 ministros votaram a favor da proibição, estendendo também a norma para proibir publicidade dessas plataformas de apostas que tenha como público-alvo crianças e adolescentes. Este artigo detalha as razões por trás da decisão, os impactos esperados, e as regulamentações sobre publicidade infantil relacionadas às apostas online.
Leia mais:
Entenda o contexto da decisão
Bolsa Família mais flexível: mudança pode permitir trabalhar e continuar recebendo benefício
Desde o surgimento das apostas online no Brasil, a preocupação com os gastos dos brasileiros em plataformas de “bets” tem crescido. Em setembro, um estudo do Banco Central revelou que, somente em agosto, beneficiários do Bolsa Família gastaram cerca de R$ 3 bilhões em apostas online, utilizando o Pix como meio de pagamento.
Esses dados alarmantes reforçaram a necessidade de uma regulamentação mais rígida sobre o uso de benefícios sociais em jogos de azar.

A preocupação central do STF foi evitar que famílias em situação de vulnerabilidade econômica comprometam parte do auxílio que recebem para custear necessidades básicas em apostas, que são notoriamente arriscadas e podem gerar endividamento. A decisão de proibir o uso de recursos de programas assistenciais para este fim busca proteger os beneficiários e reduzir o impacto negativo nos orçamentos familiares.
Publicidade de apostas e o público infantil
Desde julho, está em vigor uma portaria que regulamenta a publicidade voltada ao público jovem e infantil. Essa normativa visa prevenir que crianças e adolescentes sejam atraídos pelo universo das apostas online. As diretrizes proíbem o direcionamento de marketing das “bets” a menores de idade, com o intuito de impedir que esse público mais vulnerável seja exposto a práticas de jogo.
Embora a norma esteja em vigor desde o meio do ano, a portaria indica que as medidas de fiscalização, monitoramento e sanção para o descumprimento dessas diretrizes só devem começar em janeiro de 2025. Com essa decisão do STF, o que se espera é que as apostas online respeitem as diretrizes de publicidade e não utilizem menores de idade como alvo, e que a fiscalização seja reforçada para garantir a aplicação rigorosa dessa proibição.
Os argumentos dos ministros: Luiz Fux e Flávio Dino
Luiz Fux e o conceito de “Periculum in mora”
Ao deferir a liminar, o ministro Luiz Fux destacou a urgência da decisão, usando o termo jurídico “periculum in mora”, que se refere ao “perigo na demora”. Segundo Fux, o cenário atual de “proteção insuficiente” tem efeitos imediatos prejudiciais, especialmente para crianças, adolescentes e famílias de baixa renda, beneficiárias de programas sociais.
Esse entendimento ressalta que as apostas online podem piorar a condição financeira de famílias que já enfrentam desafios econômicos, e que a proteção desses indivíduos não pode ser adiada.
Flávio Dino e a responsabilidade pelo controle do jogo patológico
Outro ponto de debate na decisão foi levantado pelo ministro Flávio Dino, que fez uma ressalva sobre quem deve ser o responsável pela prevenção aos transtornos relacionados ao jogo. Dino criticou a previsão da Lei das Bets, que atribui ao Ministério da Fazenda a responsabilidade de regulamentar a “prevenção aos transtornos do jogo patológico”.
Para ele, essa é uma questão de saúde pública e deve ser gerida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que tem a estrutura adequada para lidar com questões psicológicas e de dependência.
Além disso, Dino também alertou sobre as aberturas para manipulação de resultados presentes na Lei das Bets. Ele sugeriu a proibição de apostas em ações específicas que dependem de um único indivíduo, como a cobrança de um pênalti ou a aplicação de um cartão amarelo, argumentando que isso aumenta a probabilidade de fraudes e manipulação.
Impacto das novas regulamentações no setor de apostas
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A decisão do STF coloca as apostas online no Brasil sob uma vigilância maior. Empresas do setor de apostas terão que ajustar suas estratégias de marketing e limitar o alcance de suas publicidades. Além disso, a medida também impacta os usuários, já que eles não poderão mais utilizar recursos de programas assistenciais para financiar apostas.

Para o setor de apostas, a decisão é um desafio, pois muitas plataformas já têm dependido de estratégias agressivas de marketing para alcançar novos usuários, especialmente entre jovens. Com as novas restrições, as empresas precisarão desenvolver campanhas mais responsáveis e éticas, enquanto a fiscalização e monitoramento ganharão relevância para garantir o cumprimento da decisão.
Como as novas regras impactam beneficiários do Bolsa Família e do BPC
Os programas sociais como Bolsa Família e BPC são destinados a garantir o sustento de milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade econômica. A decisão do STF protege esses beneficiários de potenciais perdas financeiras associadas ao vício em apostas. Para as famílias que dependem desse dinheiro para suas necessidades básicas, a proibição representa uma medida importante de proteção contra gastos impulsivos que poderiam comprometer a segurança alimentar e o bem-estar de todos os membros.
Fiscalização e penalidades para o descumprimento
Com a proibição já em vigor, os órgãos de fiscalização terão o desafio de implementar as medidas de controle e monitoramento sobre os recursos de benefícios sociais em contas de apostas. A partir de janeiro de 2025, será possível que o governo federal implemente sanções rigorosas para as empresas que não cumprirem a regulamentação.
É esperado que a publicidade voltada a menores de idade seja rigorosamente monitorada, e que casos de descumprimento sejam penalizados, criando um ambiente mais seguro para o público infantojuvenil.
Considerações finais
A decisão do STF representa um avanço significativo para a proteção dos beneficiários dos programas sociais no Brasil e para a proteção do público jovem. A proibição do uso de benefícios como Bolsa Família e BPC em apostas online traz segurança financeira para famílias em situação de vulnerabilidade e reduz a exposição de crianças e adolescentes a esse universo.
Para o setor de apostas, a nova regulamentação também representa um marco de responsabilidade e um convite a práticas mais éticas e transparentes. A expectativa é que a fiscalização contribua para minimizar os riscos associados ao jogo e que, com o tempo, o setor de apostas no Brasil se desenvolva de maneira a oferecer entretenimento responsável.
Pode ser do seu interesse:
