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Sul leva vantagem em exportação de carne bovina para Japão e gera tensão

As recentes negociações para a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira têm gerado um cenário de tensão entre os principais produtores nacionais. O foco atual das discussões privilegia os estados do Sul do Brasil — Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina — para habilitação de fornecedores, excluindo, pelo menos inicialmente, grandes […]

Avatar de Bianca Borges Bianca Borges · · 6 min de leitura
carne

As recentes negociações para a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira têm gerado um cenário de tensão entre os principais produtores nacionais.

O foco atual das discussões privilegia os estados do Sul do Brasil — Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina — para habilitação de fornecedores, excluindo, pelo menos inicialmente, grandes players das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Norte, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pará.

Este movimento causa desconforto em frigoríficos e exportadores que, apesar de responderem pela maior parte do volume exportado, ficam fora das tratativas iniciais.

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Contexto histórico e importância do mercado japonês

carne eua exportações
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Brasil e o sonho do acesso ao Japão

O Brasil é hoje o maior exportador mundial de carne bovina, com um mercado externo altamente diversificado. Contudo, a entrada no Japão — um dos maiores consumidores globais — tem sido uma meta perseguida há mais de 20 anos sem sucesso concreto até o momento.

A abertura desse mercado não só ampliaria as possibilidades comerciais brasileiras, mas também ofereceria ao Japão uma alternativa aos seus fornecedores tradicionais, como Estados Unidos e Austrália, em um momento em que barreiras tarifárias e políticas comerciais estão remodelando o cenário global.

Visita de Lula impulsiona as negociações

As tratativas ganharam força após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, em março de 2025, ocasião na qual foram reforçados os laços diplomáticos e comerciais entre os dois países.

A expectativa é que a autorização para exportar carne bovina brasileira, sobretudo dos estados do Sul, gere uma nova dinâmica no comércio bilateral.

Por que o Sul está no centro das negociações?

Status sanitário privilegiado

Um fator determinante para o foco nas negociações com os estados do Sul do Brasil é a questão sanitária.

Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina foram os primeiros a serem declarados livres da febre aftosa, uma doença viral altamente contagiosa em bovinos. Essa condição facilita a liberação para exportação.

Reconhecimento internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)

Em maio de 2025, o Brasil obteve o status nacional de país livre de febre aftosa sem vacinação pela OIE, mas o Japão ainda realiza avaliações regionais mais rigorosas.

Por isso, o Ministério da Agricultura japonês tem priorizado a análise do Sul, que historicamente tem condições sanitárias mais favoráveis e pode servir como porta de entrada para o mercado nipônico.

Reação dos grandes produtores e frigoríficos

Descontentamento e pressão por inclusão

Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pará, que juntos são responsáveis por quase 60% das exportações brasileiras de carne bovina (1,72 milhão de toneladas em 2024), manifestam preocupação com a exclusão temporária das negociações.

O receio é que o foco restrito no Sul limite o acesso ao mercado e gere um desequilíbrio competitivo.

Pronunciamento do setor produtivo

Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo — associação que representa grandes frigoríficos como a Marfrig e diversos exportadores — declarou à Reuters que a exclusividade dos três estados do Sul nas negociações é uma surpresa.

Ele afirmou que o setor espera que a abertura seja estendida para outros estados o quanto antes.

Aspectos técnicos e comerciais do acordo em negociação

Memorando governamental e questionário técnico

Após uma visita técnica de autoridades japonesas ao Brasil, em junho de 2025, um memorando do governo brasileiro revelou que, na resposta a questionário japonês, foram indicados apenas os três estados do Sul para a exportação.

Isso indica um processo gradual, onde o país tenta construir confiança e garantir as condições sanitárias e regulatórias necessárias para o mercado japonês.

Avaliação de risco sanitário do Japão

O Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão comunicou que está realizando uma avaliação de risco conforme seus procedimentos para analisar a possibilidade de permitir exportações. Esta etapa é fundamental para o avanço do processo, considerando o rigor dos controles sanitários japoneses.

O impacto econômico da abertura do mercado japonês para o Sul do Brasil

Valorização da produção regional

Se confirmada a exclusividade inicial do Sul, o setor pecuário da região tende a se valorizar, com aumento da demanda por produtos premium e maior investimento em infraestrutura para exportação.

Potencial aumento das receitas e geração de empregos

O mercado japonês é altamente lucrativo, e a inclusão oficial da carne bovina do Sul abriria portas para aumento das receitas dos frigoríficos, expansão das cadeias produtivas locais e geração de empregos diretos e indiretos.

O que está em jogo para o agronegócio brasileiro?

Equilíbrio regional e competição interna

A restrição inicial à região Sul pode trazer impactos no equilíbrio da competitividade interna, gerando disputas entre estados e pressionando o governo a acelerar a inclusão de outras regiões.

Perspectivas para Mato Grosso, Pará e demais grandes produtores

Os estados excluídos nesta primeira etapa dependem de negociações futuras para acessar o mercado japonês, o que pode significar investimentos em melhorias sanitárias e protocolos para atender aos requisitos internacionais.

Próximos passos das negociações Brasil-Japão

Boi Gordo
Imagem: stockking – freepik

Expectativa de ampliação gradual

Fontes governamentais indicam que o processo deverá ser gradual, com possibilidade de inclusão de outros estados conforme avanços nos controles sanitários e negociações diplomáticas.

Acompanhamento do setor privado

Exportadores e frigoríficos acompanham com atenção as etapas, buscando diálogo com o governo para garantir que o mercado japonês seja aberto de forma ampla e transparente.

Conclusão: um passo importante com desafios pela frente

A abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade estratégica para o Brasil consolidar sua posição de liderança global.

Contudo, a concentração das negociações na região Sul, apesar de seus méritos sanitários, provoca tensões legítimas no setor, evidenciando a necessidade de equilíbrio e inclusão para fortalecer a competitividade nacional.

O desafio será conciliar interesses regionais, manter a excelência sanitária e avançar rapidamente para permitir que toda a cadeia produtiva brasileira se beneficie desse mercado altamente rentável.

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