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Super MEI: governo quer dobrar limite de faturamento para microempreendedores

Governo propõe criação do Super MEI com teto de R$ 144 mil anuais e contratação de até dois funcionários. Projeto tramita no Congresso.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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O Brasil pode assistir a uma das maiores mudanças no regime do Microempreendedor Individual (MEI) desde sua criação em 2008. Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 60/2025, que propõe a criação do chamado Super MEI, uma categoria intermediária que promete ampliar o limite de faturamento e permitir a contratação de mais funcionários.

Se aprovado, o novo modelo dobrará o teto anual de faturamento de R$ 81 mil para R$ 144 mil e autorizará a contratação de até dois colaboradores, o que representa um salto significativo na formalização de pequenos negócios. Atualmente, a proposta aguarda a designação de relator na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

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O que muda com a criação do Super MEI

MEI faturamento
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

Faturamento ampliado

O ponto central da proposta é o aumento do limite de faturamento anual. Hoje, milhares de microempreendedores enfrentam dificuldades por ultrapassarem levemente os R$ 81 mil permitidos. Ao criar a categoria do Super MEI, o governo busca dar fôlego a pequenos negócios em expansão, evitando que precisem migrar prematuramente para o Simples Nacional, regime que impõe uma carga tributária mais elevada e obrigações burocráticas adicionais.

Com a nova regra, empreendedores poderão atingir até R$ 144 mil anuais sem comprometer sua permanência no modelo simplificado. Esse alívio tributário é visto como um estímulo à regularização e ao crescimento sustentável.

Contratação de funcionários

Outro avanço esperado é a permissão para contratar até dois empregados. No modelo atual, o MEI pode contar com apenas um colaborador. A ampliação dobrará a capacidade de mão de obra formalizada, algo essencial para pequenos negócios que necessitam de mais apoio operacional, como bares, oficinas, salões de beleza e pequenos comércios.

Especialistas avaliam que a medida pode aumentar a produtividade e competitividade dessas empresas, garantindo mais eficiência e melhor atendimento ao público.


Impactos esperados no mercado

Estímulo à formalização

Um dos objetivos centrais do projeto é reduzir a informalidade no mercado de trabalho. Muitos trabalhadores que hoje ultrapassam o limite de faturamento do MEI acabam atuando de forma irregular para não arcar com a burocracia e os custos do Simples Nacional. O Super MEI busca ser um meio-termo, capaz de atrair esse grupo para dentro da legalidade.

Segundo dados do Sebrae, o Brasil tem mais de 15 milhões de microempreendedores individuais, representando cerca de 70% das empresas registradas no país. A expectativa é que, com a aprovação do Super MEI, milhares de novos negócios ingressem no regime.

Geração de empregos

A possibilidade de contratar dois funcionários pode resultar em impacto positivo no mercado de trabalho formal. Se apenas 10% dos atuais MEIs utilizarem essa prerrogativa, o país poderia gerar mais de 3 milhões de novos postos com carteira assinada, fortalecendo a economia e garantindo direitos trabalhistas.

Crescimento sustentável

A medida também oferece mais tempo para que pequenos negócios amadureçam antes de se tornarem microempresas. Dessa forma, o Super MEI funcionaria como uma etapa de transição, evitando que empreendedores que ainda não possuem estrutura robusta enfrentem custos e obrigações acima de sua capacidade.


Debates no Congresso e desafios

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Posição do governo e do setor produtivo

O governo federal defende a criação da nova categoria como uma ferramenta para estimular a economia, ampliar a arrecadação e fomentar o empreendedorismo. Por outro lado, setores mais conservadores avaliam que a medida pode gerar perda de arrecadação tributária no curto prazo, ainda que traga ganhos em médio e longo prazos com a formalização.

Associações ligadas ao setor produtivo, como o Sebrae e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), manifestaram apoio à proposta. Elas argumentam que o Super MEI moderniza o ambiente de negócios e responde às demandas de milhares de empreendedores que já não se encaixam no modelo atual.

Trâmite legislativo

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O PLP 60/2025 ainda está em fase inicial. Após passar pela Comissão de Assuntos Sociais, seguirá para outras comissões e, posteriormente, para votação no plenário do Senado. Caso seja aprovado, seguirá para análise da Câmara dos Deputados antes de ir à sanção presidencial.

Especialistas acreditam que, por se tratar de uma medida com amplo impacto social e econômico, o projeto tende a ganhar celeridade, mas o calendário político pode influenciar no ritmo da tramitação.


Expectativas dos empreendedores

Entre os microempreendedores, a expectativa é alta. Muitos veem na proposta a chance de crescer de forma regularizada, sem ter que lidar com a complexidade tributária do Simples Nacional.

Para Carlos Henrique, dono de uma pequena oficina mecânica em Goiânia, a mudança seria essencial:

“Hoje eu já passo um pouco do limite, mas se migrar para o Simples, as obrigações são muito maiores. O Super MEI seria um respiro para o meu negócio, além de me permitir contratar mais gente.”

Essa visão é compartilhada por pequenos comerciantes e prestadores de serviço que enfrentam situação semelhante em todo o país.


Um novo capítulo para o empreendedorismo brasileiro

O Super MEI representa uma resposta às demandas de empreendedores que se encontram em uma zona de transição: não são pequenos demais para permanecer no MEI tradicional, mas também não têm porte suficiente para se manter no Simples Nacional sem dificuldades.

Caso aprovado, o projeto poderá estimular a formalização, gerar empregos e fortalecer a base da economia brasileira, que depende fortemente de micro e pequenos negócios. O futuro do Super MEI, no entanto, depende das negociações políticas e da capacidade de consenso no Congresso Nacional.

Enquanto isso, empreendedores seguem acompanhando de perto cada etapa da tramitação, na esperança de que a medida se torne realidade e marque uma nova era para o setor.

Imagem: Freepik e Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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