O governo central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional no Relatório do Tesouro Nacional (RTN). O resultado é o quarto maior da série histórica iniciada em 1997.
Governo começa 2026 com saldo positivo nas contas públicas
Tesouro divulga superávit de R$ 86,9 bi em janeiro de 2026; veja receitas, despesas e impacto fiscal.
Apesar do valor expressivo, houve queda real de 2,2% em relação a janeiro de 2025, descontada a inflação. O desempenho reflete crescimento moderado das receitas e avanço mais intenso das despesas, especialmente com Previdência e pessoal.
O resultado primário considera as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central do Brasil (BCB) e da Previdência Social (RGPS).
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Como se compõe o resultado primário
Em janeiro:
- Tesouro Nacional + Banco Central: superávit de R$ 107,5 bilhões
- Previdência Social (RGPS): déficit de R$ 20,6 bilhões
- Resultado consolidado: superávit de R$ 86,9 bilhões
O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública. É um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado, pelas agências de risco e pelo próprio Banco Central na condução da política monetária.
Receita cresce com IR e IOF em destaque
A receita líquida cresceu 1,2% em termos reais frente a janeiro de 2025, com aumento de R$ 3,3 bilhões.
Receitas administradas pela Receita Federal
As receitas administradas pela Receita Federal do Brasil avançaram 3,7% em termos reais.
Destaques:
- Imposto sobre a Renda (IR): alta de R$ 3,9 bilhões
- IOF: crescimento de R$ 2,7 bilhões
- Arrecadação previdenciária: aumento real de 6,9% (R$ 3,9 bilhões)
O crescimento do IOF está ligado às alterações promovidas pelo Decreto 12.499/2025, que ajustou alíquotas e bases de incidência.
Já o aumento da arrecadação previdenciária reflete:
- Expansão da massa salarial
- Reoneração da folha de pagamento em setores específicos
Queda nas receitas não administradas
Por outro lado, as receitas não administradas recuaram R$ 5,8 bilhões.
O principal fator foi a queda de R$ 5,1 bilhões na exploração de recursos naturais, influenciada por:
- Redução do preço internacional do petróleo
- Valorização do câmbio
A arrecadação com royalties e participações especiais é sensível à cotação do barril e à taxa de câmbio, variáveis que impactam diretamente as contas públicas.
Despesas sobem com Previdência e pessoal
As despesas totais cresceram 2,9% em termos reais, com aumento de R$ 5,3 bilhões.
Os principais vetores foram:
Benefícios previdenciários
Alta de R$ 4,0 bilhões, impulsionada pelo reajuste do salário-mínimo, que corrige aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais vinculados ao piso nacional.
O impacto do salário-mínimo nas contas públicas é estrutural, pois milhões de benefícios são indexados ao valor.
Gastos com pessoal
Aumento de R$ 3,3 bilhões, refletindo reajustes salariais e progressões de carreira no funcionalismo.
Esse movimento pressiona o resultado primário, especialmente em um contexto de meta fiscal mais rígida.
O que significa esse superávit para a economia
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Embora janeiro costume apresentar superávits elevados por causa da sazonalidade da arrecadação (como pagamento de tributos concentrados no início do ano), o resultado é relevante por três motivos:
- Sinaliza esforço de consolidação fiscal
- Contribui para estabilização da dívida pública
- Influencia expectativas de inflação e juros
O cumprimento das metas fiscais é acompanhado de perto pelo mercado financeiro e por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Se o governo mantém trajetória consistente de superávits primários ao longo do ano, reduz a necessidade de endividamento adicional para pagar juros da dívida.
Desafios para os próximos meses
Apesar do bom início de ano, o cenário fiscal ainda enfrenta desafios:
- Pressão estrutural da Previdência
- Crescimento das despesas obrigatórias
- Dependência de receitas sensíveis ao ciclo econômico
- Volatilidade do petróleo e do câmbio
A queda real do superávit em comparação com janeiro de 2025 mostra que o equilíbrio fiscal continua delicado.
Além disso, o resultado de um único mês não garante tendência para o restante do exercício.
Impacto no bolso do cidadão
O resultado fiscal afeta diretamente:
- Política de juros
- Confiança dos investidores
- Câmbio
- Custo do crédito
Um cenário fiscal mais equilibrado tende a favorecer queda estrutural dos juros no médio prazo, o que impacta financiamentos, crédito imobiliário e empréstimos pessoais.
Por outro lado, aumento de tributos ou cortes de gastos podem ter efeitos distributivos relevantes.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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