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Supermercados enfrentam escassez de empregados e mudam estratégias de contratação

Setor de supermercados enfrenta falta de mão de obra e aposta em parcerias com Exército e programas sociais para preencher 350 mil vagas.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Supermercados enfrentam escassez de empregados e mudam estratégias de contratação

O setor de supermercados, historicamente conhecido como porta de entrada no mercado formal de trabalho, especialmente para jovens em busca do primeiro emprego, atravessa um momento desafiador. Mesmo com cerca de 350 mil vagas disponíveis em todo o país, redes supermercadistas vêm enfrentando dificuldades para atrair e contratar novos profissionais. A escassez de mão de obra se agrava diante da redução da taxa de desemprego e da preferência de muitos brasileiros por formas mais flexíveis e informais de ocupação.

Em resposta ao cenário, empresas do setor estão adotando novas estratégias de recrutamento. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estabeleceu, recentemente, uma parceria com o Exército Brasileiro para facilitar a entrada de jovens recém-egressos do serviço militar no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, outras ações estão sendo conduzidas com o objetivo de capacitar e inserir pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas inscritas no Cadastro Único.

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Supermercadista
Imagem: Robert Kneschke / shutterstock.com

Segundo Márcio Milan, vice-presidente da Abras, a parceria com o Exército se mostra promissora. Jovens que concluem o serviço militar e participam de cursos de capacitação têm alta taxa de empregabilidade, chegando a 80% de inserção no mercado. “Hoje, a empresa precisa ir atrás do trabalhador”, afirma Milan, ressaltando que os métodos tradicionais de recrutamento não são mais suficientes.

As principais vagas em aberto são para cargos de repositor, cozinheiro, auxiliar de cozinha, operador de caixa, padeiro e açougueiro — áreas que demandam agilidade, disponibilidade e, em alguns casos, qualificação técnica. Contudo, muitas dessas funções são preteridas por jovens que buscam mais flexibilidade, seja para estudos, projetos próprios ou outras formas de renda.

Além da mudança de perfil dos trabalhadores, o setor enfrenta outro entrave: a escassez de programas de qualificação. “Sofremos com a falta de especialização. Precisamos multiplicar os processos de recrutamento, disponibilizar vagas, fazer feirões de empregabilidade”, completa Milan.

Benefícios como diferencial competitivo

Com o objetivo de tornar os cargos mais atrativos, diversas redes têm investido em benefícios adicionais, que vão além do salário base. Entre os atrativos estão alimentação no local, assistência odontológica, kit maternidade, seguro de vida, suporte jurídico e psicológico — com possibilidade de extensão aos familiares —, além do birthday off, um dia de folga no aniversário do colaborador.

Esses incentivos visam melhorar a percepção dos empregos oferecidos, transformando-os em oportunidades de crescimento e estabilidade. A estratégia reflete uma mudança no entendimento das necessidades do novo perfil de trabalhador, mais exigente em relação ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Cadastro Único e inclusão socioeconômica

Outra aposta para reduzir a ociosidade das vagas é a cooperação entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e grandes empresas, incluindo redes de supermercados. Por meio do programa Acredita no Primeiro Passo, o governo federal busca capacitar pessoas do Cadastro Único para atuação no mercado formal ou para o empreendedorismo.

De acordo com Luiz Carlos Everton, secretário de Inclusão Socioeconômica do MDS, o programa já apresenta resultados significativos. “Desde 2023, 94 mil pessoas do Cadastro Único foram contratadas”, destaca. Os dados mais recentes do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que 98% dos trabalhadores contratados em 2024 por meio dessas parcerias pertencem ao Cadastro Único.

Além disso, Everton aponta o efeito multiplicador da iniciativa: “À medida que fazemos parcerias com grandes empresas, estados e municípios começam a reproduzir isso com pequenas empresas locais”. O foco, segundo ele, é dar visibilidade a milhões de brasileiros qualificados que aguardam apenas uma chance. “São 2,6 milhões de pessoas com ensino superior no Cadastro Único”, completa.

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A transformação no modelo de recrutamento

Carne supermercados
Imagem: Leitenberger Photography / Shutterstock.com

A escassez de mão de obra no setor supermercadista está forçando empresas a revisarem suas estratégias de gestão de pessoas. A busca ativa por candidatos se tornou fundamental, seja por meio de feiras de emprego, presença em plataformas digitais, parcerias institucionais ou programas de formação. A antiga lógica de “esperar que o trabalhador bata à porta” já não é mais suficiente.

Além da modernização na captação de talentos, a retenção também se tornou prioridade. Para isso, o setor vem investindo em planos de carreira, treinamentos internos e no reconhecimento do desempenho dos funcionários. A valorização do colaborador, especialmente nos níveis operacionais, é apontada como fator-chave para a estabilidade e eficiência nas operações do varejo alimentar.

Perspectivas para o futuro

Ainda que o desafio da escassez de mão de obra seja persistente, as iniciativas em curso apontam para um novo ciclo no setor supermercadista. Com maior atenção às necessidades dos trabalhadores e parcerias voltadas à inclusão social, as empresas demonstram disposição para se adaptar ao novo cenário do mercado de trabalho brasileiro.

A continuidade e expansão desses projetos, especialmente com apoio governamental e articulação com entidades como a Abras, pode representar um divisor de águas para o setor. A expectativa é de que, com medidas integradas e investimento em qualificação, as mais de 350 mil vagas disponíveis sejam progressivamente preenchidas, contribuindo tanto para o crescimento do setor quanto para a redução das desigualdades sociais.

Imagem: Ricardo Moraes / Reuters

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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