Em meio a um cenário já devastador por conta de uma guerra civil em curso, o Sudão enfrenta um surto alarmante de cólera que já ceifou a vida de 172 pessoas em apenas sete dias. Com mais de 2.700 infecções confirmadas, a maior parte dos casos se concentra na capital, Cartum, que sofre com a interrupção de serviços básicos como água e energia elétrica.
Surto de Cólera afeta país: o que esperar?
Sudão enfrenta surto de cólera com 172 mortes em uma semana, agravando a crise provocada pela guerra civil.
O agravamento dessa situação sanitária escancara as consequências diretas do conflito armado entre o Exército e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF), que teve início em abril de 2023.
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Escalada da cólera em meio ao colapso dos serviços básicos

O Ministério da Saúde do Sudão divulgou um comunicado alarmante nesta terça-feira (27), confirmando que 90% dos casos de cólera registrados recentemente se concentram em Cartum. A cidade enfrenta um colapso quase total de sua infraestrutura devido a ataques com drones, que atingiram inclusive centrais elétricas.
A falta de energia provocou também a falha no abastecimento de água potável, obrigando a população a recorrer a fontes inseguras. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), a deterioração das condições sanitárias levou a um aumento significativo da exposição à bactéria Vibrio cholerae, responsável pela doença.
Cólera: uma ameaça evitável, mas letal sem estrutura
Apesar de ser uma enfermidade tratável, a cólera pode levar à morte em poucas horas quando não há acesso a atendimento médico ou hidratação adequada. Transmitida por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, a doença é endêmica no Sudão, mas sua recorrência vem se intensificando com a degradação das estruturas de saúde e saneamento.
A MSF reforça que a prevenção é simples: acesso a água limpa, saneamento básico e uma resposta médica eficaz. No entanto, em um país devastado pela guerra, esses elementos tornaram-se escassos ou inacessíveis para a maior parte da população.
Guerra prolongada agrava crise sanitária
Desde abril de 2023, o Sudão está mergulhado em uma guerra civil entre o general Abdel Fatah al-Burhan, comandante das Forças Armadas, e seu ex-vice, Mohamed Hamdan Daglo, líder das RSF. O confronto entre esses grupos militares tem resultado em milhares de mortes, o deslocamento forçado de cerca de 13 milhões de pessoas e a destruição sistemática da já frágil infraestrutura nacional.
Nos últimos meses, os paramilitares intensificaram ataques com drones sobre Cartum, atingindo diretamente a rede elétrica e prejudicando ainda mais o fornecimento de água potável. Esse cenário propicia o ambiente perfeito para a proliferação da cólera.
Médicos Sem Fronteiras denuncia colapso sanitário

A Médicos Sem Fronteiras alertou que os bombardeios recentes em Cartum forçaram a população a utilizar água contaminada, um fator determinante na expansão do surto de cólera. A organização internacional vem atuando no país para oferecer assistência médica emergencial, mas denuncia que a insegurança e a ausência de recursos dificultam o alcance a todas as regiões afetadas.
“Os bombardeios derrubaram a rede elétrica e, no processo, a rede de água, forçando a população a consumir água não segura”, destacou a MSF.
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Impacto nas demais regiões e risco de propagação
Além da capital, infecções foram registradas nas regiões sul, centro e norte do país. Isso indica uma possível disseminação nacional do surto, o que poderia gerar uma crise ainda mais ampla em termos de saúde pública. Com hospitais fechados ou destruídos, e profissionais de saúde deslocados ou mortos, o sistema médico sudanês está à beira do colapso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido alertas anteriores sobre o risco crescente de surtos de doenças infecciosas no Sudão, incluindo a cólera, devido à degradação ambiental e humanitária provocada pela guerra.
Um país entre a guerra e a epidemia
O surto de cólera é mais um capítulo trágico na crise humanitária do Sudão. A guerra não só provoca mortes diretamente pelos confrontos, mas também expõe milhões de sudaneses a doenças evitáveis por meio da destruição de serviços básicos.
Com 172 mortes em apenas uma semana, o avanço da cólera coloca em risco toda a população, especialmente crianças, idosos e pessoas já debilitadas pela fome e pela escassez de cuidados médicos.
Com informações de AFP via Jovem Pan
