Profissionais de marketing criando soluções técnicas, equipes de recursos humanos revisando documentos jurídicos e atendentes produzindo relatórios financeiros. Situações que antes dependiam de especialistas de diferentes departamentos estão se tornando cada vez mais comuns dentro das empresas graças ao avanço da inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI.
É o que revela o estudo “Trabalho na fronteira: como a IA está ampliando o que as pessoas fazem no trabalho”, divulgado pela OpenAI. A pesquisa analisou mais de 800 mil conversas relacionadas ao trabalho realizadas por usuários do ChatGPT nos Estados Unidos e identificou um fenômeno chamado pelos pesquisadores de “cruzamento de tarefas” (task crossover).
Segundo o levantamento, 43,5% das interações ligadas a atividades profissionais envolvem tarefas tradicionalmente associadas a outra área de atuação. O dado sugere que a inteligência artificial está mudando a forma como as responsabilidades são distribuídas dentro das empresas, muitas vezes antes mesmo de essas transformações aparecerem nas descrições oficiais dos cargos.
Ao longo deste artigo, você entenderá como esse fenômeno funciona, quais setores já são mais impactados e o que isso pode representar para o futuro do trabalho.
Leia mais:
IR 2026: veja quando estudantes precisam declarar e quais despesas deduzir
O que é o cruzamento de tarefas identificado pela OpenAI

O conceito de task crossover descreve situações em que um profissional utiliza ferramentas de inteligência artificial para executar atividades que normalmente seriam realizadas por especialistas de outro departamento.
Na prática, a tecnologia reduz barreiras entre diferentes áreas de conhecimento e permite que trabalhadores assumam demandas mais amplas sem depender, necessariamente, de outras equipes.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode usar o ChatGPT para solucionar um problema básico em um site sem precisar acionar a equipe de tecnologia. Da mesma forma, funcionários de diferentes setores conseguem elaborar relatórios financeiros, revisar contratos ou produzir materiais de comunicação utilizando inteligência artificial como apoio.
Segundo os pesquisadores, a mudança ocorre porque a IA funciona como uma camada intermediária capaz de traduzir conhecimentos técnicos em tarefas mais acessíveis.
Quais profissões mais utilizam tarefas de outras áreas
O estudo mostra que algumas categorias profissionais já incorporaram o cruzamento de tarefas em grande escala.
Entre os setores analisados, os percentuais mais elevados foram:
- experiência do cliente: 77%;
- design: 75%;
- recursos humanos: 69%;
- área jurídica: 56%;
- marketing: 53%.
Os números indicam que profissionais dessas áreas recorrem frequentemente à inteligência artificial para desempenhar atividades que antes exigiam conhecimentos especializados externos.
No caso das equipes de atendimento ao cliente, por exemplo, a IA pode auxiliar na criação de materiais de marketing, na elaboração de documentos internos e até na análise de dados operacionais.
Já profissionais de recursos humanos passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial para redigir contratos, revisar textos jurídicos e estruturar relatórios corporativos.
Engenharia e marketing estão entre as áreas que mais “emprestam” tarefas
A pesquisa também identificou que algumas profissões fornecem competências para diversos outros setores.
Atividades relacionadas à engenharia e ao marketing aparecem com frequência entre as tarefas executadas por trabalhadores de áreas distintas.
Entre os exemplos citados pelos pesquisadores estão:
- resolução de problemas técnicos;
- criação de campanhas publicitárias;
- produção de conteúdos;
- análise de dados;
- desenvolvimento de apresentações;
- elaboração de materiais institucionais.
Isso não significa que profissionais de outras áreas estejam substituindo engenheiros ou especialistas em marketing. O levantamento aponta, na verdade, que a inteligência artificial está ampliando a capacidade operacional de diferentes equipes.
Pequenas empresas dependem mais da inteligência artificial
Outro dado importante do estudo envolve o porte das empresas.
Segundo a OpenAI, organizações menores apresentam maior incidência de cruzamento de tarefas.
Nas empresas que possuem entre duas e cinco licenças do ChatGPT, 18,9% das atividades analisadas envolvem funções fora da área original do profissional.
Já nas companhias com mais de 100 licenças, esse índice cai para 16,3%.
Os pesquisadores apontam uma possível explicação: pequenas empresas costumam ter estruturas mais enxutas e menos departamentos especializados. Como consequência, os funcionários recorrem à inteligência artificial para assumir responsabilidades que, em grandes organizações, seriam distribuídas entre equipes específicas.
Uma startup com poucos colaboradores, por exemplo, pode utilizar IA para executar atividades jurídicas, financeiras e de comunicação sem precisar contratar especialistas para cada função.
A inteligência artificial vai substituir profissionais?
Apesar dos números, a OpenAI afirma que os resultados não indicam, necessariamente, substituição de trabalhadores.
O relatório ressalta que a pesquisa analisa apenas como as pessoas estão utilizando ferramentas de inteligência artificial em suas rotinas profissionais, sem concluir que haverá impactos diretos sobre empregos ou extinção de carreiras.
Os pesquisadores destacam que o conhecimento especializado continua sendo indispensável para atividades como:
- validação de informações;
- avaliação de riscos;
- tomada de decisões estratégicas;
- análise jurídica;
- interpretação financeira;
- supervisão técnica.
Em muitos casos, a inteligência artificial atua como uma ferramenta de apoio, capaz de aumentar a produtividade e expandir as possibilidades de atuação dos profissionais, mas sem eliminar a necessidade de conhecimento humano.
Como a IA pode transformar a divisão de responsabilidades nas empresas

O estudo sugere que o mercado de trabalho pode passar por uma transformação gradual nos próximos anos.
Em vez de criar novas profissões imediatamente, a inteligência artificial tende a ampliar o conjunto de tarefas que cada trabalhador consegue executar.
Esse movimento pode levar empresas a repensarem estruturas organizacionais, redefinirem cargos e exigirem profissionais com competências mais diversificadas.
Ao mesmo tempo, cresce a importância de habilidades humanas difíceis de automatizar, como pensamento crítico, criatividade, capacidade de negociação e tomada de decisões complexas.
A tendência observada pela OpenAI indica que o futuro do trabalho poderá ser marcado menos pela substituição de profissões e mais pela combinação entre conhecimento especializado e ferramentas de inteligência artificial.
Conclusão
A pesquisa da OpenAI mostra que a inteligência artificial está ampliando as fronteiras entre diferentes profissões e permitindo que trabalhadores assumam tarefas antes restritas a áreas especializadas. Embora a tecnologia transforme a rotina das empresas e aumente a produtividade, o conhecimento técnico e a capacidade humana de análise continuam sendo fundamentais. Mais do que substituir profissionais, a IA tende a redefinir funções e a tornar o mercado de trabalho cada vez mais multidisciplinar.
