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Sua próxima conta de luz pode vir menor, ANEEL revela a tecnologia que vai cortar seus gastos!”

Aneel propõe tarifa de energia por horário de consumo; veja como funciona, quem será impactado e quando começa.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Conta de luz aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prepara uma mudança significativa no modelo tarifário brasileiro para consumidores de baixa tensão — como residências e pequenos comércios. A proposta, ainda em fase de consulta técnica, prevê a criação de tarifas diferentes conforme o horário de consumo da energia elétrica, com a promessa de gerar mais eficiência no uso do sistema, redução no valor da conta de luz e modernização da relação entre consumidor e concessionária.

Segundo o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, o modelo atual é considerado ineficiente e ultrapassado, pois não reflete os reais custos de geração ao longo do dia. A nova proposta aproveita os avanços tecnológicos, como medidores inteligentes, para criar um sistema mais justo, sustentável e alinhado ao perfil mais dinâmico dos consumidores.

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Por que o modelo atual é considerado ultrapassado?

Falta de “sinal de preço” prejudica eficiência do sistema

Hoje, o Brasil adota um modelo tarifário com cobrança uniforme para clientes residenciais, ou seja, o consumidor paga o mesmo valor por kWh independentemente do horário de uso. Para a Aneel, isso distorce o custo real da energia, já que a geração nos horários de pico é muito mais cara.

“A tarifa atual não traz sinais de preço, não reconhece o custo da energia elétrica ao longo do dia e do ano. É uma formatação ineficiente”, afirma Sandoval Feitosa.

Esse modelo vinha sendo aceito devido à limitação tecnológica: não havia ferramentas acessíveis para registrar o consumo hora a hora de cada residência. Mas, com a digitalização do setor e a popularização dos medidores inteligentes, esse obstáculo está superado.

O que muda com a nova proposta tarifária da Aneel?

Divisão por faixas horárias: pico, intermediário e fora de pico

A proposta prevê a criação de três faixas de horário, cada uma com um valor de tarifa distinto:

  • Horário de pico: energia mais cara, concentrado geralmente no início da noite, quando o consumo doméstico e comercial atinge seu ápice.
  • Horário intermediário: valores médios, correspondente às horas próximas ao pico.
  • Fora de pico: energia mais barata, incluindo madrugada, fins de semana e feriados.

Segundo estudos da Aneel, a diferença de preços pode ser significativa. Em algumas regiões, a tarifa fora de pico pode ser até 50% menor que a de pico, e até 15% inferior à tarifa convencional atual.

Vantagens do novo modelo tarifário

Estímulo à mudança de hábitos e eficiência energética

A lógica por trás da proposta é educar o consumidor a deslocar seu consumo para horários mais baratos, contribuindo para o equilíbrio do sistema elétrico nacional. Entre os benefícios esperados estão:

  • Redução no valor da conta de luz para consumidores que ajustarem seus hábitos.
  • Alívio na demanda nos horários de pico, reduzindo a necessidade de acionar usinas térmicas mais caras e poluentes.
  • Uso mais eficiente da infraestrutura elétrica, com menor risco de sobrecargas e apagões.

“A ideia é indicar a hora certa de consumir”, explica um técnico da Aneel.

Quem será impactado primeiro?

Implementação em fases a partir de 2026

A Aneel prevê uma implementação gradual, começando pelos consumidores de maior consumo. O cronograma proposto é:

Fase 1 (2026):

  • Consumidores com uso acima de 1.000 kWh/mês
  • Cerca de 2,5 milhões de unidades consumidoras
  • Representam 25% do consumo de baixa tensão no país

Fase 2 (2027):

  • Consumidores com uso acima de 600 kWh/mês
  • Mais 2,5 milhões de unidades incluídas

A transição será acompanhada de campanhas de conscientização e período de adaptação, podendo incluir a possibilidade de retorno ao modelo atual para quem não se adaptar.

O papel da tecnologia: medidores inteligentes e digitalização

Barateamento da tecnologia viabilizou o novo modelo

Feitosa reconhece que a implementação desse tipo de tarifa só é viável hoje graças ao avanço tecnológico:

“A inovação tecnológica barateou bastante o preço dos medidores, além das tecnologias de digitalização e maior interconectividade da sociedade.”

Os medidores inteligentes, que registram o consumo em tempo real e transmitem os dados automaticamente, são essenciais para aplicar tarifas por faixa horária. Eles também permitem:

  • Monitoramento de consumo pelo próprio usuário via aplicativo
  • Alertas de consumo excessivo
  • Relatórios detalhados com histórico de consumo

A Aneel já incentiva as distribuidoras a substituir os medidores analógicos por modelos inteligentes, o que deve se acelerar com a adoção do novo modelo.

O desafio de lidar com um novo perfil de consumidor

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Dinamismo no consumo exige flexibilidade no fornecimento

O setor elétrico brasileiro foi historicamente moldado por uma matriz hidrotérmica, em que a energia hidrelétrica era predominante, e as térmicas só eram acionadas em horários de pico.

Hoje, com o crescimento de fontes intermitentes como a energia solar e eólica, o sistema precisa de flexibilidade na carga, ou seja, o consumo também precisa ser mais adaptável.

“Hoje temos variabilidade na geração e precisamos responder a ela com variabilidade na carga. A forma mais adequada de fazer isso é com sinal de preço”, explicou Feitosa.

Críticas, dúvidas e próximos passos

Modelo pode beneficiar grandes consumidores, mas penalizar os pequenos?

Apesar das vantagens apontadas pela Aneel, especialistas alertam que a adaptação pode ser mais difícil para consumidores de baixa renda, que não têm flexibilidade para deslocar o uso de eletrodomésticos.

Além disso, ainda há dúvidas sobre a forma como os horários serão definidos por região, e como será feito o monitoramento dos medidores inteligentes em áreas com infraestrutura precária.

Próximos passos: consulta pública e aprovação final

A proposta foi apresentada como uma nota técnica, que será submetida à consulta pública. Só depois disso poderá ser votada pela diretoria da Aneel. O debate deve envolver:

  • Participação de especialistas, entidades de defesa do consumidor e representantes do setor
  • Discussão sobre faixas horárias específicas por região
  • Análise da possibilidade de retorno ao modelo convencional após a adesão

Como o consumidor pode se preparar?

Adotar hábitos conscientes desde já pode gerar economia futura

Mesmo antes da mudança se tornar obrigatória, adotar práticas de consumo consciente já pode fazer diferença. Veja algumas dicas:

  • Utilize eletrodomésticos em horários alternativos, como de madrugada ou durante fins de semana
  • Invista em equipamentos mais eficientes, com selo Procel A
  • Acompanhe sua conta de luz e monitore seu consumo mensal
  • Esteja atento à possível substituição do medidor pela distribuidora
  • Participe das consultas públicas da Aneel para entender e opinar sobre o novo modelo

Imagem: DIvulgação / Aneel

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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