A possibilidade de os EUA aplicarem uma nova tarifa sobre produtos brasileiros voltou a preocupar a indústria nacional. Representantes do setor de calçados afirmam que a medida não prejudicaria apenas as fábricas brasileiras, mas também empresas norte-americanas que dependem da produção realizada no Brasil para abastecer lojas e desenvolver novas coleções.
Setor calçadista vê risco de perda de negócios com possível tarifa dos EUA
Indústria de calçados afirma que tarifa dos EUA pode prejudicar exportadores brasileiros e empresas americanas. Entenda os possíveis impactos.
A avaliação foi apresentada pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que participou de uma audiência pública promovida pelo governo dos Estados Unidos para discutir a possível criação de novas tarifas sobre produtos importados do Brasil. Segundo a entidade, a taxação reduziria a competitividade do calçado brasileiro e aumentaria os custos para importadores, varejistas e consumidores americanos.
Embora a decisão final dependa das autoridades norte-americanas, o tema já mobiliza exportadores brasileiros, que acompanham com preocupação os possíveis impactos sobre produção, empregos e investimentos.
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As tarifas fazem parte de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que avalia práticas comerciais atribuídas ao Brasil.
Entre as propostas analisadas estão uma tarifa adicional de 25% relacionada a supostas práticas comerciais consideradas desleais e outra de 12,5% vinculada a questões envolvendo restrições à importação de produtos produzidos com trabalho análogo à escravidão. A decisão pode afetar diversos segmentos exportadores brasileiros.
Por que o setor de calçados diz que os EUA também perderiam?
Segundo a Abicalçados, boa parte da produção brasileira destinada aos Estados Unidos é desenvolvida em parceria com importadores e marcas americanas.
O modelo de negócios permite que empresas dos EUA criem pequenas coleções no Brasil, testem a aceitação dos produtos no mercado norte-americano e, caso a demanda cresça, ampliem posteriormente a produção em outros países.
Com tarifas mais elevadas, esse processo se tornaria mais caro para os próprios compradores americanos, reduzindo a competitividade das empresas dos Estados Unidos e aumentando os custos de importação.
Quais impactos podem ocorrer no Brasil?
Caso a nova tarifa seja confirmada, a entidade afirma que o setor poderá enfrentar diferentes consequências.
Redução das exportações
Os Estados Unidos respondem por cerca de 20% das exportações brasileiras de calçados, tornando o mercado um dos principais destinos da produção nacional. Uma perda de competitividade pode reduzir embarques e receitas do setor.
Menor produção industrial
Com a queda nas encomendas internacionais, fábricas podem reduzir o ritmo de produção, principalmente em polos calçadistas dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará.
Risco para empregos
A associação alerta que empresas podem adiar investimentos, reduzir contratações e, em cenários mais severos, fechar unidades produtivas ou realizar demissões.
Mercado interno também preocupa
Além das incertezas nas exportações, o setor enfrenta dificuldades no mercado doméstico.
Segundo a Abicalçados, o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras limita o consumo de bens duráveis, incluindo calçados. Mesmo sendo um item essencial, o orçamento das famílias acaba priorizando despesas como alimentação e moradia antes da compra de novos produtos.
Existe possibilidade de reverter a medida?
O setor mantém expectativa de que os argumentos apresentados durante a audiência pública sejam considerados pelas autoridades americanas.
A entidade sustenta que o Brasil complementa a cadeia de suprimentos dos Estados Unidos, oferecendo produção de maior valor agregado, prazos menores e maior flexibilidade para atender marcas e varejistas americanos.
Na avaliação da associação, impor novas tarifas pode aumentar a concentração das compras em fornecedores asiáticos, indo na direção oposta ao objetivo de diversificar cadeias globais de fornecimento.
Conclusão
A possível criação de novas tarifas pelos Estados Unidos representa um dos principais desafios para a indústria calçadista brasileira em 2026. Embora a medida tenha como foco produtos brasileiros, representantes do setor argumentam que seus efeitos também seriam sentidos por importadores, varejistas e consumidores norte-americanos.
Enquanto a decisão oficial não é anunciada, empresas seguem monitorando o cenário e defendendo o fortalecimento do diálogo entre governos e entidades empresariais para preservar uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países.

Perguntas frequentes
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Por que os Estados Unidos estudam aplicar tarifas sobre produtos brasileiros?
As tarifas fazem parte de uma investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais relacionadas às importações de produtos brasileiros. A decisão ainda depende da conclusão do processo.
Como a tarifa pode afetar a indústria brasileira de calçados?
Se aprovada, a medida pode elevar o custo dos produtos brasileiros no mercado americano, reduzindo a competitividade das empresas nacionais e afetando exportações, produção e empregos.
Por que a associação afirma que empresas americanas também seriam prejudicadas?
Segundo a Abicalçados, muitas empresas dos Estados Unidos utilizam fabricantes brasileiros para desenvolver coleções e abastecer suas lojas. Com tarifas mais altas, os custos de importação aumentariam, reduzindo a competitividade dessas companhias.
Os consumidores americanos podem pagar mais caro pelos calçados?
Sim. Caso os importadores repassem o aumento dos custos provocado pelas tarifas, os preços dos calçados vendidos nos Estados Unidos poderão subir.
Os Estados Unidos são um mercado importante para o setor brasileiro?
Sim. Os EUA estão entre os principais destinos das exportações brasileiras de calçados e representam uma parcela significativa das vendas internacionais do setor.
A decisão sobre as tarifas já foi tomada?
Não. O tema ainda está sendo analisado pelas autoridades americanas, que realizam consultas públicas antes de definir se as novas tarifas serão implementadas.
O que as empresas brasileiras podem fazer diante desse cenário?
Além de acompanhar as negociações entre os governos, muitas empresas buscam diversificar mercados, ampliar clientes em outros países e investir em produtos de maior valor agregado para reduzir a dependência de um único destino de exportação.
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital
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