O governo federal avalia medidas para reduzir ou zerar a tarifa de ônibus no Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo, divulgado recentemente pelo jornal Valor Econômico, sugere que a implementação do transporte urbano gratuito em todo o país pode gerar custos significativos, estimados em até R$ 57 bilhões por ano, dependendo do modelo adotado.
Tarifa grátis de ônibus pode custar R$ 57 bi ao ano, estima XP
Estudo da XP estima que tarifa gratuita de ônibus no Brasil pode custar até R$ 57 bilhões por ano. Saiba mais detalhes!
Estudo da XP e cenários de isenção

Técnicos do governo federal analisam a viabilidade de isenção total ou parcial da tarifa de ônibus, com base em proposta apresentada em 2012 pelo atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O economista Tiago Sbardelotto, da XP, detalha duas possibilidades principais: a isenção total, que abrangeria todos os dias da semana, ou isenção parcial, limitada a fins de semana ou apenas domingos, quando a demanda é menor.
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Custos estimados para cinco capitais
O estudo da XP analisou cinco cidades com maior fluxo de passageiros urbanos: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. Juntas, essas cidades transportam cerca de 300 milhões de passageiros por mês, representando aproximadamente 25% do total nacional em 2024, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
O levantamento considerou o custo por quilômetro rodado e o total de quilômetros percorridos, metodologia que permite estimar o valor necessário para a operação do transporte independentemente do número de passageiros.
Comparativo de custos por cidade
| Cidade | Todos os dias (R$ bilhões) | Sábados e domingos (R$ bilhões) | Apenas domingos (R$ bilhões) |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 7,98 | 1,67 | 0,82 |
| Rio de Janeiro | 2,35 | 0,55 | 0,23 |
| Belo Horizonte | 1,37 | 0,29 | 0,14 |
| Curitiba | 1,21 | 0,18 | 0,07 |
| Brasília | 1,25 | 0,26 | 0,13 |
| Total | 14,16 | 2,95 | 1,38 |
Extrapolando os valores para o restante do país, a isenção total custaria aproximadamente R$ 57 bilhões por ano, enquanto a gratuidade limitada aos fins de semana geraria gasto de R$ 11,8 bilhões, e apenas aos domingos R$ 5,5 bilhões.
Impacto fiscal e limitações orçamentárias
Sbardelotto observa que o governo federal possui espaço fiscal limitado. O orçamento de 2026 já projeta maiores gastos com previdência social e assistência, além de novos programas como Pé-de-Meia e vales-gás. Mesmo com possíveis novas fontes de receita, como aumento de impostos sobre combustíveis, o teto de gastos restringiria a capacidade de financiamento da medida.
Subsídios municipais existentes
Os municípios já subsidiam parte significativa dos custos do transporte urbano, com média de 32% em 2024. Capitais como Brasília (75%), Goiânia (66%), Manaus (60%) e São Paulo (58%) possuem os maiores subsídios. Caso o governo federal financie o transporte gratuito, ainda não está definido se o valor substituiria os subsídios existentes ou se seria adicional.
Diferença entre isenção total e parcial
O estudo destaca que os custos do transporte urbano dependem principalmente dos quilômetros rodados e não do número de passageiros. Por isso, a isenção da tarifa em dias de menor demanda — como fins de semana ou domingos — reduz significativamente o custo, mas aumenta o valor por passageiro pagante nos períodos de menor movimento.
Custo por passageiro
Nos fins de semana, cada passageiro “gratuito” representaria custo mais elevado devido à menor ocupação dos ônibus, enquanto durante a semana, com maior demanda, a média de custo por passageiro é menor. Essa análise é essencial para o planejamento de políticas públicas que busquem equilíbrio fiscal e acesso ao transporte urbano.
Benefícios e desafios do transporte gratuito

A proposta de tarifa zero tem potencial para ampliar o acesso da população aos serviços de transporte, principalmente para pessoas de baixa renda. Entre os possíveis benefícios, destacam-se:
- Redução da desigualdade no acesso à mobilidade urbana.
- Estímulo ao uso do transporte coletivo, com potencial diminuição do trânsito e da poluição.
- Maior integração social e econômica em áreas metropolitanas.
No entanto, os desafios incluem o impacto fiscal, a necessidade de reorganização dos sistemas municipais e a definição de fontes de financiamento sem comprometer outros setores prioritários.
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Cenários possíveis de implementação
- Isenção total: Gratuidade todos os dias, maior custo e maior impacto fiscal.
- Isenção parcial (fins de semana): Redução significativa de custos, mas limitada à menor demanda.
- Isenção apenas aos domingos: Menor impacto fiscal, atingindo parcela reduzida de passageiros.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quanto custaria a tarifa gratuita de ônibus no Brasil?
Segundo estudo da XP, a isenção total pode chegar a R$ 57 bilhões por ano, enquanto a gratuidade limitada aos fins de semana custaria R$ 11,8 bilhões e apenas aos domingos R$ 5,5 bilhões.
2. Quais cidades foram analisadas no estudo?
Foram consideradas São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília, que juntas representam cerca de 25% do transporte urbano nacional.
3. A tarifa gratuita substituiria os subsídios municipais existentes?
Ainda não está definido. O governo federal pode complementar os subsídios atuais ou substituí-los, dependendo da forma de implementação.
4. Quais são os principais desafios da medida?
O principal desafio é o impacto fiscal, além da reorganização dos sistemas de transporte urbano e da definição de fontes de financiamento sustentáveis.
5. Quais seriam os benefícios do transporte gratuito?
Entre os benefícios estão a redução da desigualdade no acesso à mobilidade, estímulo ao transporte coletivo e maior integração social e econômica.
Considerações finais
O estudo da XP indica que a tarifa grátis de ônibus no Brasil representa uma medida de grande impacto fiscal, com custos anuais que podem chegar a R$ 57 bilhões em um cenário de isenção total. A decisão final dependerá de análise detalhada do governo federal, capacidade de repasse aos municípios e avaliação de alternativas que equilibrem inclusão social e sustentabilidade financeira.
