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Tarifa grátis de ônibus pode custar R$ 57 bi ao ano, estima XP

Estudo da XP estima que tarifa gratuita de ônibus no Brasil pode custar até R$ 57 bilhões por ano. Saiba mais detalhes!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
passageira subindo em ônibus tarifa

O governo federal avalia medidas para reduzir ou zerar a tarifa de ônibus no Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo, divulgado recentemente pelo jornal Valor Econômico, sugere que a implementação do transporte urbano gratuito em todo o país pode gerar custos significativos, estimados em até R$ 57 bilhões por ano, dependendo do modelo adotado.

Estudo da XP e cenários de isenção

tarifa
Imagem: Joa Souza/ Shutterstock

Técnicos do governo federal analisam a viabilidade de isenção total ou parcial da tarifa de ônibus, com base em proposta apresentada em 2012 pelo atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O economista Tiago Sbardelotto, da XP, detalha duas possibilidades principais: a isenção total, que abrangeria todos os dias da semana, ou isenção parcial, limitada a fins de semana ou apenas domingos, quando a demanda é menor.

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Custos estimados para cinco capitais

O estudo da XP analisou cinco cidades com maior fluxo de passageiros urbanos: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. Juntas, essas cidades transportam cerca de 300 milhões de passageiros por mês, representando aproximadamente 25% do total nacional em 2024, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

O levantamento considerou o custo por quilômetro rodado e o total de quilômetros percorridos, metodologia que permite estimar o valor necessário para a operação do transporte independentemente do número de passageiros.

Comparativo de custos por cidade

CidadeTodos os dias (R$ bilhões)Sábados e domingos (R$ bilhões)Apenas domingos (R$ bilhões)
São Paulo7,981,670,82
Rio de Janeiro2,350,550,23
Belo Horizonte1,370,290,14
Curitiba1,210,180,07
Brasília1,250,260,13
Total14,162,951,38

Extrapolando os valores para o restante do país, a isenção total custaria aproximadamente R$ 57 bilhões por ano, enquanto a gratuidade limitada aos fins de semana geraria gasto de R$ 11,8 bilhões, e apenas aos domingos R$ 5,5 bilhões.

Impacto fiscal e limitações orçamentárias

Sbardelotto observa que o governo federal possui espaço fiscal limitado. O orçamento de 2026 já projeta maiores gastos com previdência social e assistência, além de novos programas como Pé-de-Meia e vales-gás. Mesmo com possíveis novas fontes de receita, como aumento de impostos sobre combustíveis, o teto de gastos restringiria a capacidade de financiamento da medida.

Subsídios municipais existentes

Os municípios já subsidiam parte significativa dos custos do transporte urbano, com média de 32% em 2024. Capitais como Brasília (75%), Goiânia (66%), Manaus (60%) e São Paulo (58%) possuem os maiores subsídios. Caso o governo federal financie o transporte gratuito, ainda não está definido se o valor substituiria os subsídios existentes ou se seria adicional.

Diferença entre isenção total e parcial

O estudo destaca que os custos do transporte urbano dependem principalmente dos quilômetros rodados e não do número de passageiros. Por isso, a isenção da tarifa em dias de menor demanda — como fins de semana ou domingos — reduz significativamente o custo, mas aumenta o valor por passageiro pagante nos períodos de menor movimento.

Custo por passageiro

Nos fins de semana, cada passageiro “gratuito” representaria custo mais elevado devido à menor ocupação dos ônibus, enquanto durante a semana, com maior demanda, a média de custo por passageiro é menor. Essa análise é essencial para o planejamento de políticas públicas que busquem equilíbrio fiscal e acesso ao transporte urbano.

Benefícios e desafios do transporte gratuito

Um ônibus circulando pelas ruas do Rio de Janeiro
Imagem: Andre_MA / Shutterstock.com

A proposta de tarifa zero tem potencial para ampliar o acesso da população aos serviços de transporte, principalmente para pessoas de baixa renda. Entre os possíveis benefícios, destacam-se:

  • Redução da desigualdade no acesso à mobilidade urbana.
  • Estímulo ao uso do transporte coletivo, com potencial diminuição do trânsito e da poluição.
  • Maior integração social e econômica em áreas metropolitanas.

No entanto, os desafios incluem o impacto fiscal, a necessidade de reorganização dos sistemas municipais e a definição de fontes de financiamento sem comprometer outros setores prioritários.

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Cenários possíveis de implementação

  1. Isenção total: Gratuidade todos os dias, maior custo e maior impacto fiscal.
  2. Isenção parcial (fins de semana): Redução significativa de custos, mas limitada à menor demanda.
  3. Isenção apenas aos domingos: Menor impacto fiscal, atingindo parcela reduzida de passageiros.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Quanto custaria a tarifa gratuita de ônibus no Brasil?
Segundo estudo da XP, a isenção total pode chegar a R$ 57 bilhões por ano, enquanto a gratuidade limitada aos fins de semana custaria R$ 11,8 bilhões e apenas aos domingos R$ 5,5 bilhões.

2. Quais cidades foram analisadas no estudo?
Foram consideradas São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília, que juntas representam cerca de 25% do transporte urbano nacional.

3. A tarifa gratuita substituiria os subsídios municipais existentes?
Ainda não está definido. O governo federal pode complementar os subsídios atuais ou substituí-los, dependendo da forma de implementação.

4. Quais são os principais desafios da medida?
O principal desafio é o impacto fiscal, além da reorganização dos sistemas de transporte urbano e da definição de fontes de financiamento sustentáveis.

5. Quais seriam os benefícios do transporte gratuito?
Entre os benefícios estão a redução da desigualdade no acesso à mobilidade, estímulo ao transporte coletivo e maior integração social e econômica.

Considerações finais

O estudo da XP indica que a tarifa grátis de ônibus no Brasil representa uma medida de grande impacto fiscal, com custos anuais que podem chegar a R$ 57 bilhões em um cenário de isenção total. A decisão final dependerá de análise detalhada do governo federal, capacidade de repasse aos municípios e avaliação de alternativas que equilibrem inclusão social e sustentabilidade financeira.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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