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Hambúrguer mais caro nos EUA? Tarifa de Trump sobre carne brasileira acende alerta

Entenda como a tarifa de Trump sobre a carne brasileira pode aumentar o preço do hambúrguer nos EUA. Leia mais agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro6 min de leitura
Hambúrguer

A proposta do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira reacendeu preocupações no mercado internacional.

A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, poderá provocar uma reação em cadeia no setor alimentício dos Estados Unidos, em especial na produção de hambúrgueres, que depende fortemente da carne importada.

A nova tarifa representa uma ampliação da política de guerra comercial adotada por Trump, que já havia imposto uma taxa de 10% em abril.

Analistas apontam que a elevação pode tornar inviável economicamente a importação de carne brasileira, levando empresas a buscarem alternativas mais caras e menos abundantes em outros países. Sendo assim, acompanhe a leitura para entender melhor o impacto no hambúrguer estadunidense.

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Impacto direto no preço dos hambúrgueres

Hambúrguer
Imagem: stockking / Freepik

Carne brasileira no hambúrguer americano

A carne bovina brasileira tem ganhado espaço no mercado norte-americano, sobretudo na produção de hambúrgueres.

Empresas alimentícias dos EUA importam carne magra do Brasil e de outros países para misturá-la com carne doméstica, o que permite manter padrões de sabor e textura exigidos pelos consumidores.

Segundo dados do governo dos EUA, nos primeiros cinco meses de 2025, as importações de carne brasileira mais que dobraram, alcançando 175.063 toneladas — cerca de 21% do total importado pelo país. Isso mostra o peso da carne brasileira no fornecimento do produto final.

Como a tarifa afeta os custos

Com a nova tarifa, a taxa sobre a carne brasileira chegaria a cerca de 76%, incluindo impostos já existentes. Especialistas, como Bob Chudy, consultor do setor de carnes, afirmam que isso tornaria a importação inviável: “Nem uma libra será econômica nesses níveis”, declarou.

A alternativa seria buscar carne em países como Austrália, Argentina, Paraguai e Uruguai — todos com produção limitada ou preços mais altos. Como consequência, os preços ao consumidor final, principalmente em redes de fast-food e supermercados, devem subir.

Crise na produção doméstica dos EUA

Redução de rebanho e seca histórica

Outro fator agravante é a escassez de carne bovina nos Estados Unidos. A produção caiu 2% em 2025, atingindo 26,4 milhões de libras. Isso é reflexo de uma crise no setor agropecuário, marcada pela maior redução do rebanho bovino em mais de 70 anos.

A estiagem prolongada secou pastagens e encareceu o custo da alimentação animal. Muitos pecuaristas optaram por vender ou abater seus rebanhos, o que reduziu ainda mais a oferta interna.

Proibição de importação do México

Além disso, os EUA suspenderam recentemente a importação de gado vivo do México devido à presença da mosca da bicheira, uma praga carnívora. Essa medida complicou ainda mais a situação dos frigoríficos e processadores de carne americanos, que já enfrentavam dificuldades para manter o abastecimento.

Efeitos sobre os consumidores e o setor alimentar

Alta de preços e insegurança alimentar

A carne bovina já vinha registrando preços recordes nos EUA em 2025. Agora, com a tarifa de Trump prestes a ser implementada, espera-se novo aumento. Thomas Gremillion, da Consumer Federation of America, alerta:

“Essa tarifa provavelmente aumentará o preço da carne bovina, um alimento básico para muitos, justamente após o Congresso votar pela redução da assistência alimentar aos consumidores mais vulneráveis.”

O cenário aponta para um aumento da insegurança alimentar entre a população de baixa renda, que depende de subsídios públicos e preços acessíveis para garantir o sustento.

Dilema para importadores e redes de fast-food

As empresas que dependem da carne brasileira estão em um impasse. “Não sabemos o que fazer como comunidade importadora”, afirmou Chudy. As negociações estão paralisadas e muitos contratos foram suspensos à espera de uma definição sobre a tarifa.

Redes de fast-food, que utilizam grandes volumes de carne moída para hambúrgueres, também estão preocupadas. Elas poderão repassar os custos ao consumidor ou alterar suas fórmulas de produção, o que pode afetar sabor e qualidade dos produtos.

Resposta do mercado global

Países alternativos como fornecedores

Diante da barreira tarifária, empresas norte-americanas já consideram aumentar compras de carne bovina de países como Austrália, Argentina, Uruguai e Paraguai. Contudo, esses mercados enfrentam limitações de produção, logística e capacidade de atender à demanda americana de forma imediata.

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Altin Kalo, economista-chefe do Steiner Consulting Group, é direto: “Não haverá muita carne bovina brasileira vindo para cá. Essa é a realidade.”

Efeito dominó no comércio internacional

A medida de Trump também acende alertas sobre uma possível reação por parte do Brasil e outros parceiros comerciais. Em um momento de crescente tensão geopolítica, tarifas agressivas podem desencadear retaliações e comprometer acordos internacionais de comércio.

O Brasil, segundo maior parceiro comercial dos EUA (atrás apenas da China), pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou buscar acordos com novos mercados para compensar a perda.

Perspectivas para o segundo semestre de 2025

Fast Food
Imagem: Foodie Factor / pexels.com

O que esperar caso a tarifa entre em vigor

Com a entrada em vigor da tarifa de 50%, espera-se:

  • Redução drástica das importações de carne brasileira;
  • Aumento expressivo dos preços da carne nos EUA;
  • Maior pressão sobre a produção interna, já comprometida pela seca;
  • Reestruturação das cadeias de fornecimento de alimentos processados;
  • Reações políticas e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Possíveis alternativas para evitar crise

Alguns especialistas defendem a abertura de um canal de diálogo entre os governos de ambos os países, com mediação de entidades comerciais e agrícolas. Outra solução seria a concessão de exceções ou cotas para importação, a fim de evitar um colapso na cadeia de suprimentos alimentares.

Conclusão

A imposição de uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira pelos Estados Unidos, proposta por Donald Trump, representa um novo capítulo na já conhecida guerra comercial americana.

Com impactos diretos sobre o bolso do consumidor e os negócios de importação, a medida pode encarecer o hambúrguer — símbolo da dieta norte-americana — e colocar em risco o abastecimento de carne em um dos maiores mercados do mundo.

Enquanto o setor aguarda definições, cresce a incerteza e o temor de uma inflação ainda mais agressiva sobre os alimentos, afetando milhões de consumidores e pequenas empresas nos EUA.

Imagem: Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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