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Tarifaço coloca em alerta setor industrial que gera 200 mil empregos

Indústria de cacau enfrenta tarifaço de 50% dos EUA, risco de perdas de R$ 180 mi e aumento da ociosidade industrial no Brasil.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto3 min de leitura
L'Oreal

O setor industrial brasileiro, especialmente a indústria de processamento de cacau, enfrenta uma situação de alerta após a imposição de tarifaço americano de 50% sobre produtos brasileiros.

A medida, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça comprometer a cadeia produtiva de derivados do cacau, com potencial de prejuízos que chegam a R$ 180 milhões.

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Impacto direto sobre a indústria de cacau

Imagem: Pixabay

Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), a alíquota linear aplicada pelo governo americano torna inviável economicamente a exportação de manteiga de cacau, principal derivado da produção nacional. O mercado americano é o destino de praticamente 100% das exportações brasileiras desse item, o que deixa o setor extremamente vulnerável à nova política tarifária.

Anna Paula Losi, presidente-executiva da AIPC, destaca que os Estados Unidos são o segundo maior comprador de derivados brasileiros, respondendo por 18% das exportações do setor. “Com o novo cenário tarifário, nossas exportações para os EUA se tornam inviáveis economicamente, colocando em risco a produção e empregos”, alerta Losi.

Exportações em números

Em 2024, os embarques de derivados de cacau para os Estados Unidos somaram US$ 72,7 milhões, cerca de R$ 363 milhões. Apenas no primeiro semestre de 2025, as exportações já alcançaram US$ 64,8 milhões, ou R$ 325 milhões, representando mais de 25% do total exportado pelo setor no período.

O cenário é ainda mais preocupante porque não há alternativas imediatas para redirecionar esses produtos para outros mercados internacionais. A dependência do mercado americano aumenta a vulnerabilidade do setor, que enfrenta ainda a escassez de matéria-prima e alta nos preços das amêndoas de cacau.

Consequências do tarifaço para a produção e empregos

tarifaço
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

A manutenção do tarifaço de 50% pode gerar um aumento expressivo da ociosidade industrial. Estimativas da AIPC indicam que a ociosidade média, já elevada devido à escassez de amêndoas, pode subir de 24% para 37%, dependendo dos dados de produção de 2024.

Essa situação ameaça diretamente cerca de 200 mil empregos gerados pela indústria de cacau, principalmente nos estados da Bahia, Pará e São Paulo, regiões-chave para a produção e processamento do fruto. O risco não se limita ao emprego formal, mas também impacta investimentos futuros, manutenção de fábricas e a própria sustentabilidade da cadeia produtiva.

Cadeia produtiva em risco

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A indústria de processamento de cacau depende da moagem das amêndoas, cuja manteiga é altamente demandada no exterior. Com o mercado americano inviável, empresas podem reduzir drasticamente a produção ou até interrompê-la temporariamente, comprometendo toda a cadeia de produção, desde o cultivo até o processamento.

Além disso, a combinação de tarifas elevadas, quebras de safra e aumento de preços internos cria um cenário de pressão dupla sobre o setor, colocando em risco a competitividade internacional do produto brasileiro.

Perspectivas e alternativas

Diante do cenário, especialistas sugerem buscar novas estratégias de mercado e diversificação de exportações para reduzir a dependência dos Estados Unidos. No entanto, a logística, certificações e adaptação de produtos para outros mercados podem demandar tempo e investimentos significativos, sem garantia de resultados imediatos.

Enquanto isso, o setor pressiona por negociações diplomáticas e comerciais que possam reduzir ou eliminar o tarifaço, evitando perdas irreversíveis para a economia e para os milhares de empregos ligados à indústria de cacau no país.

Imagem: pressfoto – Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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