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Preço da carne pode cair com tarifaço, mas falta de produto pode ser consequência

Preço da carne pode cair com tarifaço dos EUA, mas setor teme falta do produto e desestruturação da cadeia no Brasil, alerta líder da Abiec.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Hambúrguer

O recente aumento das tarifas de importação imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros pode provocar uma queda no preço da carne bovina no Brasil. Entretanto, líderes do setor alertam para uma possível escassez do produto nos próximos meses.

Durante o programa Agro em Pauta, Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), afirmou que o tarifaço anunciado pelo presidente americano Donald Trump poderá afetar drasticamente a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil.

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Efeitos imediatos: carne mais barata no mercado interno

carne ultraprocessada
Imagem: Freepik

Redução no preço ao consumidor

Com o aumento da tarifa de exportação dos EUA de 26,4% para até 76,4%, muitos produtores brasileiros podem perder competitividade no mercado norte-americano. Essa situação forçaria a redirecionar parte significativa da produção, que antes era exportada, ao mercado interno.

Como consequência, a oferta de carne no Brasil aumentaria, pressionando os preços para baixo. Para o consumidor, isso pode significar uma redução temporária no preço de cortes como picanha, alcatra e contrafilé.

Estímulo ao consumo no curto prazo

A queda nos preços pode estimular o consumo interno, principalmente em um cenário econômico em que o poder de compra da população está enfraquecido. Restaurantes e redes de fast food também poderiam se beneficiar com a redução nos custos de insumos como carne moída e hambúrgueres.

Efeitos de médio e longo prazo: risco de desestruturação

Exportações sustentam o setor

Segundo Perosa, as exportações de carne são fundamentais para manter a lucratividade dos produtores. “Exportamos aquilo que o brasileiro não consome com frequência, como cortes dianteiros e miúdos, que são bem aceitos na Ásia e nos EUA”, explicou.

A receita obtida com a venda desses produtos no exterior subsidia indiretamente os cortes mais nobres vendidos internamente. Com a interrupção desse fluxo de exportações, muitos produtores poderiam deixar de investir ou até sair do setor.

Risco de queda na produção nacional

A cadeia da carne bovina é altamente sensível a mudanças nos mercados de exportação. “Se não há destino para o animal, a indústria deixa de comprar. Isso derruba o preço da arroba e desestimula o pecuarista, que pode parar de produzir”, afirma Perosa.

Esse ciclo pode levar à redução dos rebanhos nos próximos anos. Com menos oferta, os preços voltarão a subir, possivelmente a níveis mais altos do que os atuais.

Consequência: escassez e volatilidade

O cenário traçado por especialistas é claro: se o tarifaço persistir e não houver alternativas de mercado, o Brasil poderá enfrentar uma escassez de carne bovina no médio prazo. O efeito pode ser oposto ao observado inicialmente, com preços elevados e instabilidade no abastecimento.

O impacto da tarifa: números e projeções

De 26,4% para até 76,4% de tarifa

Atualmente, a carne bovina brasileira paga 36,4% de tarifas para entrar nos Estados Unidos. Com o aumento anunciado por Trump, a alíquota total poderia chegar a 76,4% já em agosto. Isso tornaria economicamente inviável exportar carne para o país norte-americano.

Brasil exporta 400 mil toneladas para os EUA

O Brasil envia, em média, 400 mil toneladas de carne bovina por ano aos EUA. Grande parte desse volume é destinada à indústria americana, para a produção de hambúrgueres e produtos processados, não para o varejo ou consumo direto.

Falta de alternativa imediata

Segundo Perosa, o Brasil não dispõe de outros mercados com o mesmo volume de demanda e preços competitivos. “Não há nenhum país ou bloco capaz de absorver, de forma rápida, esse volume de exportação”, alertou.

Cadeia produtiva em alerta

Indústria interligada

A cadeia da carne bovina vai do campo à indústria e até o consumidor final. Qualquer ruptura nesse fluxo pode gerar impactos severos. “Se a indústria para de comprar, o produtor perde sua principal fonte de renda. A médio prazo, o rebanho encolhe e a carne falta”, explicou o presidente da Abiec.

Gado diferente, função diferente

A carne brasileira tem um perfil distinto da americana. O gado zebuíno brasileiro é mais resistente ao clima tropical e produz carne ideal para a indústria processadora. Já a carne dos Estados Unidos, Argentina e Uruguai é mais voltada ao consumo direto, competindo nas gôndolas.

Dependência mútua

Apesar da medida protecionista de Trump, Perosa acredita que os EUA continuarão dependendo da carne brasileira. “Não há fornecedor mundial capaz de substituir o Brasil na escala atual”, disse.

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Expectativas para negociação diplomática

Tentativa de isenção

A Abiec e o governo brasileiro esperam conseguir uma isenção para os produtos alimentícios nas novas tarifas americanas. Perosa defende a exclusão da carne bovina da lista de produtos atingidos ou, pelo menos, a ampliação das cotas com taxas reduzidas.

Precedente internacional

Em negociações anteriores, o Brasil já obteve concessões similares em acordos com a China e a União Europeia. A diplomacia agora se move para tentar o mesmo com os EUA, evitando um colapso nas exportações do setor.

Sinalização positiva ou protecionismo extremo?

Apesar do discurso duro de Trump, especialistas avaliam que o impacto das tarifas sobre a própria indústria americana pode forçar uma reavaliação. A falta de carne para processadores e o aumento de preços nos EUA são riscos que a Casa Branca terá que considerar.

O que dizem os especialistas?

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Imagem: Freepik

Riscos sistêmicos para o agronegócio

Economistas e analistas de mercado alertam que medidas unilaterais como essa podem afetar a imagem e a confiança no agronegócio brasileiro. “Não se trata apenas de carne. Toda a cadeia de exportação pode ser impactada, com consequências para o PIB e o emprego”, diz o economista rural Pedro Donizeti.

Pressão por novos mercados

Com o mercado americano ameaçado, empresas brasileiras já começaram a negociar mais intensamente com países do Oriente Médio, sudeste asiático e África. No entanto, nenhuma dessas regiões tem demanda capaz de substituir os EUA.

Conclusão: alerta de curto e longo prazo

O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos pode sim trazer uma vantagem momentânea para os consumidores brasileiros, com a redução do preço da carne. No entanto, os efeitos colaterais para a cadeia produtiva podem ser graves e duradouros.

Com o possível recuo nas exportações, a desestruturação da cadeia e a redução dos rebanhos podem gerar escassez e elevar os preços no futuro. Especialistas e representantes do setor aguardam com preocupação o desenrolar das negociações entre os governos.

Enquanto o consumidor pode comemorar um alívio imediato no bolso, o setor do agronegócio brasileiro se prepara para enfrentar um dos maiores desafios de sua história recente.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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