O Brasil deve enfrentar uma redução de US$ 4 bilhões em exportações nos próximos 12 meses em decorrência do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, segundo relatório econômico divulgado pelo Bradesco. O estudo, que utilizou inteligência artificial (IA) para avaliar impactos e possibilidades de realocação de produtos, detalha os efeitos setoriais e macroeconômicos da guerra comercial travada entre os dois países.
Tarifaço de Trump pode gerar prejuízo de US$ 4 bilhões ao Bradesco, calculado com ajuda da IA
Bradesco estima perdas de US$ 4 bi em exportações brasileiras após tarifaço de Trump, usando inteligência artificial.
De acordo com o banco, os impactos gerais na economia brasileira tendem a ser limitados, dado que o mercado norte-americano representa apenas uma fração do total das exportações do Brasil. No entanto, algumas atividades com forte dependência do comércio com os EUA podem sofrer consequências significativas. A maior parte do impacto deverá se materializar em 2026, à medida que os contratos e cadeias produtivas se ajustem à nova realidade tarifária.
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Setores mais afetados

O relatório do Bradesco analisou produtos isentos das tarifas de 50%, como petróleo e derivados, suco de laranja, algumas manufaturas de madeira e aeronaves. Esses setores conseguiram manter alguma proteção, reduzindo a vulnerabilidade frente ao aumento das taxas.
Por outro lado, commodities como aço, alumínio e cobre sofreram impactos mais diretos. Apesar da possibilidade de desviar parte das exportações para outros mercados, o banco classifica essas movimentações como de “alto grau de substituição de compradores”, o que significa que há chance de os EUA perderem participação sem que o Brasil consiga compensar totalmente com novos mercados.
O contexto do tarifaço
A guerra comercial do governo Trump contra o Brasil começou em abril, com a indicação de uma tarifa inicial de 10% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA. Naquele momento, o Bradesco estimou que a perda seria de cerca de US$ 2 bilhões, valor relativamente baixo em comparação aos US$ 340 bilhões exportados pelo Brasil em 2024.
No entanto, em julho, o governo norte-americano aplicou um adicional de 40% às tarifas, totalizando 50% de taxação sobre diversos produtos brasileiros. Sem considerar a realocação para novos mercados, o impacto potencial nas exportações poderia atingir US$ 15 bilhões em um ano, de acordo com os cálculos do banco.
Essa escalada das tarifas demonstra como decisões políticas externas podem afetar diretamente setores estratégicos da economia brasileira, exigindo atenção de autoridades e empresas para mitigar perdas e buscar alternativas comerciais.
O papel da inteligência artificial

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O uso de IA no relatório do Bradesco permitiu uma análise mais detalhada e precisa da capacidade de realocação de produtos para mercados alternativos, evitando estimativas simplistas.
Os algoritmos consideraram fatores como:
- Facilidade de substituição de mercados compradores;
- Capacidade logística e custos de transporte;
- Competitividade de preço e barreiras comerciais;
- Dependência histórica de exportações para os EUA.
Essa metodologia reflete uma tendência global de bancos e instituições financeiras: usar tecnologia avançada para modelar cenários complexos de comércio internacional e antecipar riscos econômicos.
Com informações de: VEJA
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