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Tarifaço: EUA já firmam acordos com UE, Reino Unido e Japão; Brasil não participa

Trump reduz tarifas para Europa e Ásia a quatro dias do tarifaço, mas Brasil segue excluído das negociações com os EUA. Impactos preocupam o setor.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Brasil

Faltando apenas quatro dias para entrar em vigor o novo tarifaço de 50% nas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil, o governo norte-americano já fechou acordos com blocos estratégicos como a União Europeia e países asiáticos. Enquanto isso, as negociações com o Brasil seguem travadas, gerando apreensão entre exportadores e autoridades econômicas brasileiras.

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Imagem: Alexandros Michailidis/shutterstock

Acordo foi firmado no último fim de semana

No último final de semana, Trump se reuniu com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e oficializou um acordo que reduz pela metade as tarifas sobre produtos europeus. A medida, que passou de 30% para 15%, beneficia os 27 países membros da União Europeia e foi recebida como um avanço diplomático significativo em meio às tensões comerciais globais.

Tarifas médias eram muito baixas antes do tarifaço

Segundo informações divulgadas pela CNN, a tarifa média de importação dos produtos europeus antes do tarifaço era de apenas 1,2%. Com o acordo, o bloco evita um impacto mais severo em suas exportações para o mercado americano, um dos principais destinos de seus produtos industriais e agrícolas.

Países asiáticos também conseguem negociar isenções

Isenção para setores estratégicos

Além do bloco europeu, países asiáticos como Coreia do Sul, Japão e Vietnã também conseguiram acordos comerciais com os EUA. As tratativas foram conduzidas diretamente por representantes de comércio exterior das nações envolvidas e contaram com forte lobby de multinacionais estabelecidas em ambos os lados do Pacífico.

Setores como tecnologia e farmacêutico foram beneficiados

Os acordos garantem isenções totais ou parciais das novas tarifas para produtos estratégicos, como semicondutores, peças automotivas e insumos farmacêuticos. A intenção declarada por Trump é manter a competitividade das cadeias produtivas norte-americanas que dependem desses insumos, ao mesmo tempo em que pressiona países que, segundo ele, “abusam comercialmente” dos EUA.

Brasil segue sem acordo e enfrenta cenário preocupante

Mercosul atrapalha autonomia nas negociações

Enquanto outros países obtêm concessões importantes, o Brasil permanece isolado nas negociações. Fontes do Itamaraty revelam que há entraves políticos e comerciais nas conversas com Washington. Uma das principais dificuldades é o alinhamento do governo brasileiro às políticas tarifárias multilaterais do Mercosul, o que limita sua capacidade de agir de forma autônoma.

Críticas de Trump às exportações brasileiras

Outro fator citado é o tom crítico de Trump em relação às exportações brasileiras, principalmente nos setores de aço, alumínio e produtos agroindustriais. Segundo o presidente norte-americano, esses segmentos recebem subsídios indevidos e distorcem o equilíbrio de mercado.

Exportadores brasileiros pressionam por resposta imediata

Setores produtivos alertam para perdas bilionárias

Associações do setor produtivo brasileiro, especialmente da indústria de transformação e do agronegócio, cobram uma reação firme do governo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota afirmando que o tarifaço pode gerar perdas bilionárias nas exportações para os EUA, que representaram cerca de US$ 36 bilhões em 2024.

Aço e carne são os setores mais afetados

A Associação Brasileira da Indústria do Aço (Aço Brasil) calcula que o setor poderá perder até 25% das vendas para o mercado norte-americano se a tarifa de 50% for mantida. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) alerta que a medida pode comprometer acordos sanitários vigentes e gerar barreiras adicionais.

Governo brasileiro tenta reação diplomática de última hora

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Imagem: Agência Brasil

Comitiva é enviada a Washington

Fontes do Ministério das Relações Exteriores confirmaram que o chanceler brasileiro, em conjunto com representantes do Ministério da Economia, enviou uma comitiva de emergência a Washington nesta semana para tentar reverter o cenário. O objetivo é obter ao menos uma prorrogação da entrada em vigor das novas tarifas, prevista para esta sexta-feira.

Especialistas consideram chances de sucesso baixas

Segundo especialistas em comércio internacional, a chance de sucesso da missão diplomática é considerada baixa neste momento. A prioridade do governo norte-americano tem sido negociar com blocos e parceiros estratégicos, deixando o Brasil em segundo plano.

Análise: por que o Brasil ficou de fora?

Impacto do cenário político interno

Um dos motivos apontados por analistas internacionais é a instabilidade política brasileira nos últimos meses. A troca de ministros na área econômica, aliada à falta de previsibilidade na condução das reformas fiscais e regulatórias, teria enfraquecido a imagem do país como parceiro confiável aos olhos de Washington.

Alinhamento estratégico limitado

Outro fator é o distanciamento do Brasil em relação à política externa dos EUA. Embora os dois países tenham firmado acordos no setor de defesa e segurança cibernética nos últimos anos, o relacionamento comercial não avançou na mesma velocidade. Enquanto isso, Europa e Ásia investiram fortemente em tratativas bilaterais com foco em comércio e tecnologia.

Dependência de commodities

A pauta de exportações brasileiras aos EUA ainda é fortemente concentrada em commodities primárias, como petróleo bruto, minério de ferro, celulose e produtos agrícolas. A ausência de uma agenda tecnológica mais robusta torna o Brasil menos atrativo para acordos estratégicos de médio e longo prazo.

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Possíveis consequências para a economia brasileira

Redução nas exportações

A imposição de 50% de tarifas tornará muitos produtos brasileiros menos competitivos no mercado norte-americano, especialmente no setor industrial. Empresas exportadoras terão de reavaliar contratos e buscar novos mercados com urgência.

Pressão sobre o câmbio e inflação

A queda nas exportações pode afetar o fluxo cambial, pressionando o real e elevando os custos de importação. Isso tende a ter impacto inflacionário, especialmente sobre itens industrializados e combustíveis.

Desaceleração do PIB

Com exportações reduzidas e aumento de custos, o setor produtivo pode ser forçado a diminuir investimentos e quadros de funcionários. A expectativa de crescimento do PIB em 2025, atualmente projetada em 2,2%, pode sofrer revisões para baixo.

Reação internacional e risco de retaliações

China, México e Argentina acompanham com atenção

Países como China, México e Argentina observam com atenção os desdobramentos da política tarifária norte-americana. Há receio de que a exclusão do Brasil possa ser o início de uma nova rodada de protecionismo comercial global, com possíveis retaliações cruzadas.

OMC pode ser acionada pelo Brasil

No contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC), diplomatas brasileiros já cogitam acionar o órgão em busca de medidas compensatórias. No entanto, o processo é lento e não deve surtir efeito antes do início das sanções.

Expectativas para os próximos dias

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Edição Seu Crédito Digital

Missão brasileira enfrenta prazo curto

A agenda política de Washington nos próximos dias será decisiva para definir os rumos do comércio bilateral entre Brasil e EUA. Caso a comitiva brasileira não consiga avanços imediatos, o tarifaço será implementado na íntegra, agravando ainda mais o isolamento comercial do país em um cenário global de alianças e reconfigurações.

Conclusão

Com o tarifaço de 50% prestes a entrar em vigor, o Brasil se vê isolado enquanto União Europeia e países asiáticos garantem acordos que protegem suas economias. A exclusão escancara fragilidades na política comercial brasileira, como a dependência de commodities e a limitação imposta pelo Mercosul.

A tentativa diplomática de última hora pode não ser suficiente para evitar perdas bilionárias. Mais do que reagir ao tarifaço, o Brasil precisa repensar sua inserção nas cadeias globais e sua estratégia de negociação. Permanecer fora das principais mesas de acordo é um risco real — e caro — para o futuro econômico do país.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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